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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Sobre a Magia da Arte (ou a Arte da Magia) - Tomo IV

Por Alex Constantino


Os escritores e as pessoas que podiam comandar as palavras eram respeitados e temidos como gente que manipulava a magia. Nos últimos tempos, creio que os artistas e escritores têm permitido serem vendidos, sendo levados pela maré. Aceitaram a crença predominante de que a arte e a escrita são simplesmente formas de entretenimento. Não são vistas como forças transformadoras que podem mudar um ser humano, que podem mudar uma sociedade. São vistas simplesmente como entretenimento, coisas com as quais podemos ocupar 20 minutos ou meia hora, enquanto esperamos morrer.

Não é trabalho de um artista dar ao público aquilo que o público quer. Se o público soubesse o que quer, eles não seriam o público, e sim o artista. É o trabalho de um artista dar ao público o que ele necessita.

Alan Moore

(Espero que em sua mente) Continue...

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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Sobre a Magia da Arte (ou a Arte da Magia) - Tomo III

Por Alex Constantino

Creio que toda cultura deve ter surgido de um culto. Originalmente, todas as facetas de nossa cultura, sejam as ciências ou as artes, eram territórios dos xamãs. O fato é que, nos dias atuais, este poder mágico se degenerou ao nível do entretenimento barato e manipulação, o que penso que seja uma tragédia. Em lugar de despertar as pessoas, o xamanismo é usado como um opiáceo, para tranquilizar as pessoas, para fazê-las mais manipuláveis. A sua caixa mágica, a televisão, com suas palavras mágicas, seus slogans, pode fazer com que todos no país pensem nas mesmas palavras e tenham os mesmos pensamentos banais exatamente no mesmo momento.
Alan Moore

Continua...

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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Sobre a Magia da Arte (ou a Arte da Magia) - Tomo II

Por Alex Constantino

Em toda magia há um componente linguístico incrivelmente grande. A tradição mágica dos bardos colocava estas pessoas num patamar muito mais alto e temível do que os magos. Enquanto os magos poderiam fazer você mover suas mãos de forma engraçada ou seu filho nascer com um pé de pau, um bardo não te amaldiçoaria. Ele faria uma sátira, coisa que poderia te destruir. E se fosse uma sátira inteligente, não te destruiria somente aos olhos de seus pares. Te destruiria aos olhos de tua própria família e aos teus próprios olhos. E se fosse uma sátira finamente elaborada e muito astuta, o bastante para sobreviver e ser recordada durante décadas ou mesmo séculos, então anos depois de tua morte as pessoas ainda leriam e ririam da tua ruína e do teu absurdo.

Alan Moore

Continua...

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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Sobre a Magia da Arte (ou a Arte da Magia) - Tomo I

Por Alex Constantino


O cultuado escritor de quadrinhos Alan Moore, no documentário "The Mindscape of Alan Moore", conta que, em seu quadragésimo aniversário, ao invés de aborrecer seus amigos com algo tão mundano como uma crise de meia idade, decidiu que seria muito mais interessante aterrorizá-los ficando totalmente louco e se autoproclamando um mago. Eis o conceito de magia para o velho bardo inglês:

"Existe alguma confusão a respeito do que a magia é realmente. Penso que isso possa ser elucidado se você apenas olhar as mais velhas descrições de magia. Magia na sua forma mais antiga é referida como 'A Arte'. Creio que isto seja completamente literal. Creio que a magia é arte, e que essa arte, seja a escrita, a música, a escultura ou qualquer outra forma é literalmente magia. A arte é, como a magia, a ciência de manipular símbolos (palavras ou imagens) para operar mudanças de consciência. A verdadeira linguagem da magia trata tanto da escrita como de arte e também sobre feitos sobrenaturais. Um grimório (livro de feitiços), por exemplo, é simplesmente um modo extravagante de falar de gramática. Conjurar um encantamento é somente encantar, manipular palavras para mudar a consciência das pessoas. Eu acredito que um artista ou escritor são o mais perto do que você poderia chamar de um xamã do mundo contemporâneo".

Continua...

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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Cinema de Entretenimento e Cinema de Arte

Por Alex Constantino

O senso comum costuma marginalizar a produção cinematográfica voltada ao entretenimento como se fosse um produto menor, tanto que na grande categorização que se faz eles figuram como a antítese do “filme de arte”. É como se fosse um mal necessário, algo que se tem que tolerar porque sua produção em “nível industrial” gera as receitas com as quais os realizadores poderiam exercitar o verdadeiro fazer cinematográfico (o cinema de arte), que não possui tanto apelo popular.

O problema aí é que se subestima o consumidor e o produto da primeira categoria e se superestima o consumidor e o produto da segunda.

A verdade é que todo filme é uma expressão artística e como tal não existe arte menor ou maior, pelos menos não em critérios absolutos. O que conta, como já refleti a respeito no texto "O bom, o ruim e a arte" é quanto determinada obra impactou cada pessoa que teve contato com ela.

Assim, maior e menor só valem para definir qual foi o impacto daquele filme em mim.

O que Carlos Heitor Cony mencionou em um antigo artigo da Folha de São Paulo sobre a literatura de ação e a literatura de reflexão vale para o caso do cinema também. Daí, o que importa é se o realizador articulou eficientemente os elementos cinematográficos (a linguagem) para que a obra cumprisse sua função (entreter ou gerar reflexão). E ambas as funções são válidas e são arte.

E também não importa que para alcançar seu objetivo ele seguiu uma “receita de bolo” (Syd Field, Robert Mckee e Christopher Vogler, estou olhando para vocês!) ou se foi fruto do desabrochar do gênio artístico do realizador. O cinema pode ser feito por gênios da sétima arte ou profissionais competentes, de preferência pelo esforço combinado de ambos.


quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Boni, Fátima Bernardes e a Quarta Parede

Por Alex Constantino


José Bonifácio de Oliveira Sobrinho (Boni), ex-vice-presidente de operações (mandachuva) da TV Globo, lançou recentemente sua autobiografia. Em entrevista concedida ao canal GNT News, para divulgação do livro, confessou ter dado "dicas" ao então candidato à presidência Fernando Collor de Mello.

Segundo a reportagem, ele teria admitido ter ajudado Collor no último debate com Lula - e que até o suor do candidato era produzido. De acordo com suas palavras: “Conseguimos tirar a gravata do Collor, colocar um pouco de suor com glicerinazinha, e colocar as pastas todas que estavam ali, com supostas denúncias contra o Lula, essas pastas estavam inteiramente vazias, com papéis em branco. Foi uma maneira de melhorar a postura do Collor junto ao espectador, pra ficar em pé de igualdade com a popularidade do Lula”.

Na mesma reportagem consta que, em sua biografia, Boni declara que houve uma iniciativa de favorecer Collor na exibição de trechos do debate em edição do Jornal Nacional; sendo que tal conduta teria partido do próprio Roberto Marinho.

É muito interessante notar que o episódio acima demonstra toda engenhosidade e pioneirismo da tevê brasileira. Enquanto Bertold Brecht estimulava a quebra da quarta parede em sua teoria do teatro épico porque, segundo o grande dramaturgo, tal atitude encorajaria a plateia a assistir a peça de forma mais crítica, nossa televisão radicalizou no final da década de 80, subvertendo o conceito original.

O termo quarta parede refere-se a uma divisória imaginária entre o trabalho fictício e a audiência. É um muro que separa o mundo encenado da audiência. No caso da emissora tupiniquim, houve uma aplicação inédita. Não para separar o público de uma ficção, mas para aliená-lo através de artifícios dramatúrgicos sobre a realidade.

Agora a suspensão da descrença não fica restrita às obras de ficção, mas deve ser considerada quando você assiste ao jornal da noite. Vai ver é por isso que o anúncio recente da saída de Fátima Bernardes do Jornal Nacional virou quase uma novela, com tons épicos e declarações contundentes de que a troca era um momento histórico. Deve ser: está marcando a ficcionalização do jornal.

Quem vocês acham que é o mais cotado para assumir a editoria do novo Jornal Nacional: Benedito Ruy Barbosa, Manoel Carlos ou Glória Peres?

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Alelula!

Por Alex Constantino


Em notícia veiculada num grande portal brasileiro, o jornalista Maurício Stycer comenta matéria publicada em recente edição da revista New Yorker sobre a presidente Dilma Rousseff, que recebeu o sugestivo título de The Anointed (A Ungida).

Nela se comenta que o Brasil funciona de um jeito “caoticamente democrático”, de forma contrária ao conceito que os estado-unidenses e europeus têm de uma sociedade livre. Isso porque, segundo ele, mesmo com a corrupção, má qualidade da educação e infraestrutura deficiente, o país vem alcançando alto índice de crescimento econômico, liberdade política e queda da desigualdade.

O autor do texto, Nicholas Lemann, menciona a importância do ex-presidente Lula para a eleição de sua sucessora que decidiu “fazê-la presidente” e que permitiu que vencesse o pleito por conta do “enorme apoio obtido em partes do Brasil onde Lula é quase Deus – os pobres, principalmente, do Nordeste afro-brasileiro.”

Esse tom metaforicamente religioso que permeia o texto revela uma mentalidade perniciosa, como se fosse difícil para eles acreditar que o sucesso brasileiro ao enfrentar a onda de recessão que assola tais sociedades “mais desenvolvidas” seja fruto de seus próprios méritos. É inconcebível que sejamos mais competentes e só uma “intervenção divina” poderia explicar que nosso país tenha melhores resultados.

Lula (o quase Deus) ungiu sua escolhida, aquela que se sentava à sua direita (Casa Civil) e a apresentou a seu povo - os pobres do Nordeste afro-brasileiro - que os guiou pela provação das eleições até a terra prometida (Palácio da Alvorada), onde o alimento não seria mais problema (Programa Fome Zero). (Eleições, 2010:1)

É realmente uma explicação muito mais plausível, embora soe bem familiar, não acham?

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

La Garantía Soy Yo

Por Alex Constantino

Na semana passada fui até uma das lojas de uma operadora de telefonia celular. Era minha terceira tentativa de ser atendido, pois na última vez, um domingo, a loja que fica num shopping e deveria ter aberto suas portas às 14h, passados mais de 30 minutos, ainda estava fechada e nem sinal de que algum funcionário chegaria.

Acabei desistindo e deixei a fila dos pobres coitados que aguardavam no local.

Na terça-feira seguinte, depois de presenciar uma pobre senhora argumentar por cerca de 30 minutos com o atendente (mais uma vítima que é mal remunerada para ficar se desculpando por algo que não foi a responsável) que fazia três meses que estava sendo empurrada de um lado para outro sem que seu problema fosse resolvido, finalmente fui atendido.

Tudo porque eu queria adquirir um novo aparelho e dar um upgrade em meu plano. Isso mesmo, esse maravilhoso atendimento foi dado a alguém que queria gastar mais dinheiro com a operadora.

Eu já sabia qual aparelho gostaria de adquirir e tinha poucas dúvidas acerca do novo plano, porém, fui informado pelo atendente que o modelo que eu queria não estava disponível e ele me deixou manusear a única unidade da loja que era do mostruário. Nada de conferir suas funcionalidades e nem foi possível ter uma ideia de seu peso porque estava sem a bateria.

Questionando sobre a disponibilidade do aparelho fui informado que poderia chegar uma nova remessa na sexta-feira e que poderia voltar à loja neste dia depois das 18h ou no sábado.

Para não passar por um novo suplício para ser atendido, eu pedi para que ele me informasse o telefone da loja para que eu pudesse confirmar a chegada do produto antes de me dirigir até lá. Daí ele respondeu que nenhuma das lojas da rede possuía contato telefônico.

Só eu percebi alguma coisa errada nisso? Uma operadora de telefonia não tem contato telefônico?! Será que é porque ela também se cansou da deficiência do serviço oferecido e desistiu dele?

Se nem a própria empresa endossa o serviço que oferece utilizando-o, porque eu deveria?

Lembram do vídeo linkado no artigo da semana passada? Parece que ele se aplica aqui também.

P.S. Que fique Claro que não vou revelar qual é a operadora para preservar sua imagem. Não adianta insistirem.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Nossos Políticos São Mais Criativos que o dos Outros


Por Alex Constantino


Enquanto mais uma suspeita de corrupção ronda os noticiários sobre política, o principal envolvido, o Ministro do Esporte, Orlando Silva, recentemente afirmou: "eu tenho a serenidade dos justos”.

Parece que, prevendo a iminente degola, já soltou uma frase com um tom bem apropriado de epitáfio.

E essa é só mais pérola que será incluída na próxima versão do grande livro de manobras semânticas de nossos políticos. É tradição em nosso país ter tantos destes gênios da prosa do engodo (ou do malfeito, se formos seguir sua cartilha), que se poderia criar uma nova Academia Brasileira de Letras (com Cifras) para imortalizar esses baluartes nacionais.

E teríamos candidatos de peso. O deputado João Alves, um dos anões do orçamento, certamente já teria sua cadeira garantida. Na época em que foi descoberto que ele usava prêmios da loteria para lavar dinheiro, questionado sobre seu rápido enriquecimento, mandou essa: "Deus me ajudou e eu acertei duzentas vezes na loteria".

Caramba! Deus não só ajudou como estava envolvido no esquema.

E esse talento vem de longe. Não poderíamos deixar de citar a lendária campanha de Adhemar de Barros em que o suposto slogan era: rouba mas faz! E isso porque essa expressão teria sido cunhada como referência a Mem de Sá, governador-geral do Brasil colonial de 1558-1572, certamente, o patrono da Academia.

Adaptando aquele velho slogan de uma marca de aparelhos eletrônicos: nossos políticos são mais criativos que o dos outros.


quinta-feira, 13 de outubro de 2011

A Nova Igualdade



A busca pela igualdade sempre ocupou uma posição proeminente nas principais reivindicações dos movimentos revolucionários. Chegou a se tornar parte do lema da Revolução Francesa e ainda integra o discurso dos mais diversos movimentos sociais.

Em que pesem os avanços sociais que surgiram sob sua égide, principalmente em relação aos direitos humanos, não parece que hoje ela possa servir como força motriz do ideário necessário para êxito nas etapas seguintes.

Pelo menos não com o mesmo sentido que lhe foi emprestado anteriormente. Vista em termos mais absolutos, a igualdade, em si, não representa qualquer benefício, porque, mais preocupada em igualar as condições, tanto faz se isso ocorre nos níveis mais altos ou mais baixos. O importante é que todos estejam na mesma situação, independentemente de qual seja ela.

É por isso que, vista sob um ponto de vista mais pernicioso, justificou a ocorrência de um fenômeno de massificação cultural (que inclui aspectos econômicos, sociais, comerciais, educacionais etc), qualificado pela mesmice e falta de individualidade.

Assim, sua força só pode permanecer se tomada não como igualdade de condições, mas sim como igualdade de oportunidades.

Ela não pode se satisfazer com a luta para que todos tenham direito de alcançar o mesmo destino, mas com o esforço para que todos tenham direito de ter o mesmo ponto de partida. E daí cada um escolhe aonde quer chegar.

É o respeito pela diversidade. Ao contrário do que pode parecer, ela é muito mais igualitária do que a velha ideia de igualdade.


quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Outubro Revolucionário



Outubro marca duas datas importantes ligadas a duas figuras revolucionárias mundialmente conhecidas.

Mohandas Karamchand Gandhi, mais conhecido como Mahatma Gandhi, nasceu em 2 de outubro de 1869 e é considerado o idealizador e fundador do moderno Estado indiano, feito que conseguiu atuando como o maior defensor do Satyagraha (princípio da não-agressão), uma forma de protesto não violenta que foi utilizada como meio de revolução.

Gandhi conseguiu reunir o povo indiano, marcado por profundas diferenças religiosas e sociais, em atos de desobediência civil  em massa em que tinha como programa a igualdade, o não uso de álcool ou drogas, a unidade hindu-mulçumano, a amizade e a igualdade para as mulheres.

Estes cinco pontos representavam os dedos de uma mão e estavam ligados pelo pulso que simbolizava a não violência. Com sua determinação firme se opôs pacificamente contra o domínio inglês conseguindo a independência indiana.

Por sua vez, o dia 9 de outubro é lembrado como a data da morte de Ernesto Rafael Guevara de La Serna, o “Che Guevara”, um dos principais ideólogos e líderes da Revolução Cubana, que se utilizou da luta armada e foi morto tentando estender a guerrilha revolucionária pelo “Terceiro Mundo”, em especial pela América Latina. Posteriormente à sua morte, sua figura se tornou um ícone do movimento contracultural e sua imagem é uma das mais reproduzidas no mundo, notadamente em caráter simbólico, representando determinadas ideologias políticas.

Segundo informações levantadas pela Cuba Archive, uma associação cujo objetivo é levantar dados sobre as violações de direitos humanos em Cuba, Che Guevara, um médico (que portanto havia realizado o juramento de Hipócrates) comandou pessoalmente centenas de fuzilamentos. Além disso, segundo o escritor Paul Berman, ele fundou o sistema cubano de campos de trabalho forçado que foram, posteriormente, utilizados para manter cativos dissidentes, homossexuais e vítimas de Aids.

Vendo a forma como ambos escolheram lutar soa oportuna a coincidência de que num mesmo mês se comemora o nascimento daquele que valorizava a vida e a morte daquele que optou pelo conflito armado. Pena que o segundo estampa mais camisetas do que o primeiro como verdadeiro ícone revolucionário.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A Caretice da Contracultura



A contracultura surgiu na década de 60 do século passado como um movimento que manifestava inconformismo com a realidade social e cultural da época. Seu principal objetivo era contestar o status quo e romper com todos os hábitos, pensamentos e comportamentos da cultura dominante.

Como movimento teve sua importância histórica, mas uma existência datada. Todavia, pode ser tomada de forma mais geral como um espírito crítico que se opõe à ordem social e/ou cultural vigente.

Se pensarmos que nos dias de hoje a realidade social está cada vez mais próxima de consolidar os valores defendidos naquela época como o respeito às minorias, à liberdade sexual e amorosa, conscientização ambiental, cultivo da paz e bem-estar comunitário, parece que, atualmente, ser adepto da contracultura é contestar todos esses avanços sociais.

Portanto, contestar o pensamento dominante (ainda que não seja a prática dominante), hoje, significa, por exemplo, ser intolerante às recentes decisões judiciais quanto as relações homoafetivas e homoparentais. É negar a existência e legitimidade da multiplicidade de projetos de vida, querendo impor apenas um como o correto.

Soa até estranho, mas adotar uma posição contracultural nestes dias é um ato de grande conservadorismo e, porque não, bem careta.


quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O Bom, o Ruim e a Arte


Estava escutando o episódio nº 33 do podcast Papo na Estante, cujo tema é a literatura de entretenimento. Em dado momento, um dos participantes, o escritor Luis Eduardo Matta, disse que para ele não havia livros bons ou ruins, mas aqueles que gostava e os que não gostava.

Tenho que concordar com ele e acredito que esse pensamento pode se estender para qualquer espécie de manifestação artística.

Se tomarmos como parâmetro que a arte, assim como a religião e a filosofia, é uma manifestação humana da busca por significados e dentre elas é aquela que tenta encontrar essa significação na expressão dos próprios sentimentos humanos, fica difícil acreditar que ela tenha um só valor para todos.

Ser bom ou ruim transmite a falsa impressão de que se pode atribuir um valor universal à uma determinada obra de arte, com alguém tendo a suposta autoridade de fazer predominar o seu significado como um veredito absoluto.

Todavia, a arte só atinge seu verdadeiro potencial (de ser transformadora e transcendente) ao encontrar um valor em cada um com quem tem contato. E cada significado é soberano no reino de quem o proferiu. E legítimo, porque levou em conta o impacto que ela causou em seu mundo.

A arte não quer ficar aprisionada num único e ditatorial significado, mas se libertar com vários deles. Nesse sentido, uma obra de arte só será justiçada quando julgada com parcialidade e, longe de critérios técnico-formais, ficará lisonjeada com um simples gosto ou não gosto.

Como bem sintetizou Emile Zola: “uma obra de arte é um ângulo visto através de um temperamento”.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Beijo ou Abraço?


O beijo é amor sólido. Preso. Diluído. Previsível em formas e possibilidades, cada uma com seu protocolo e regras de etiqueta bem rígidas, todas elas forjadas no seio de uma sociedade mononuclear patriarcal heterocentrista.

Tem um tipo de beijo para as mães e outro para os filhos. Tem um para os irmãos e outro para os amigos. Todos eles são bem diferentes daquele reservado para os casais.

Tem até mesmo o beijo heterossexual e o beijo homossexual. Este último pode ser o beijo homoafetivo (casais) e homoparental (família), com nome de remédio tarja preta e, como este, com tolerância restrita de uso.

Já o abraço é amor líquido, fluindo livre sem formas, rótulos ou regras. É um só e muitos, porque a criatividade é o limite e, em qualquer alternativa em que se apresenta, expressa o amor em toda sua intensidade.

Não tem um abraço apropriado para mães, filhos, irmãos, amigos, casais. Não tem um abraço heterossexual e outro homossexual. Existe simplesmente o abraço.

Eu gosto mais do abraço. E você?


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Puta Falta de Sacanagem

Por Alex Constantino



Reportagem recente menciona que os policiais civis de Goiás estão em greve, reivindicando melhoria salarial e, principalmente, das condições de trabalho. Um representante da categoria denuncia que falta coletes à prova de bala e os policiais são obrigados a se comunicar utilizando seus celulares particulares. Além disso, menciona que mais de 10.000 inquéritos estão parados por falta de pessoal.

Enquanto isso, não muito longe dali, numa votação secreta a Câmara dos Deputados arquivou o pedido de cassação da deputada Jaqueline Roriz. Ela foi acusada de quebra do decoro parlamentar porque foi flagrada num vídeo recebendo dinheiro do delator do esquema do mensalão dos Democratas de Brasília.

O motivo do arquivamento? Na época em que recebeu o dinheiro ela não era deputada, portanto, não estava submetida ao código de ética do parlamento.

O Brasil tem melhorado seus índices econômicos e sociais, mas nota-se que ainda há uma escassez de muitas coisas. Para uns falta colete à prova de bala e para outros falta uma palavrinha com v... (e não é verba), ambos gêneros de primeira necessidade.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Brasil, um Estado Laico?

Por Alex Constantino





Laico vem do latim laicus e significa leigo. Assim, Estado Laico – também conhecido como Estado Secular - é aquele que não adota uma religião oficial e se mantém neutro (leigo) em relação à religião, muito embora garanta a boa convivência de credos e combata o preconceito ou discriminação religiosa.

O Brasil, atualmente, por força do art. 19, I de sua Constituição adota oficialmente esse posicionamento:

Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público;

Ela ainda estabelece no âmbito das direitos e garantias fundamentais a liberdade e proteção à crença religiosa (art. 5º, VI, VII e VIII).

Mas será mesmo? No preâmbulo da própria Constituição, consta:

Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.

O STF já decidiu que o preâmbulo não tem natureza normativa (não tem força de lei) e sim natureza política porque enuncia o posicionamento ideológico do constituinte quando da elaboração da norma constitucional. Bem, e toda lei não é fruto de uma ideologia que motiva sua criação e reflete o espírito de seu tempo?

Mas estranho mesmo é que por lei o Brasil possui feriados religiosos nacionais, e somente cristãos como o Natal . E o país tem uma lei específica que declara o dia 12 de outubro feriado nacional para culto público e oficial a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil .

Não nos esqueçamos ainda da Sexta Feira da Paixão e Corpus Christi que não constam como feriados nacionais mas são adotados nacionalmente como tais por lei como dias santos pelos estados e municípios. Isso sem contar os dias consagrados por esses a seus próprios santos padroeiros.

E que dizer de símbolos religiosos ostentados institucionalmente em prédios públicos?

Acho que tem alguma coisa errada aí. Ou se retira qualquer referência de uma determinada religião (e só dela) do âmbito público ou se inclui todas as demais, porque está parecendo mais um caso de faça o que falo, mas não o que faço. E nesse ponto, como indica a imagem, que o diga o STF.



quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Os Filhos do Brasil

Por Alex Constantino

Recentemente, o primeiro ministro sueco, numa tentativa de demonstrar que a classe política de seu país não possui privilégios, arrumou para seu filho de 18 anos uma vaga de chapeiro no McDonald's .

No Brasil, noticiou-se há algum tempo que os filhos do ex-presidente Lula, Marcos Cláudio Lula da Silva, 39, e Luis Cláudio Lula da Silva, 25, tiveram seu passaporte diplomático renovado por mais quatro anos dois dias antes do término do mandato do pai. O referido documento que confere várias regalias foi concedido em “caráter excepcional” e “em função de interesse do país”. 

Um outro pimpolho do ex-presidente, Fábio Luis Lula da Silva, teria recebido 5 milhões de uma operadora telefônica para investir numa empresa que produz um programa televisivo sobre videogames. A notícia aponta que a negociação foi conduzida por um amigo pessoal de Lula e, à época, integrante do Conselho de Ética Pública da Presidência da República .

Comparando-se o caso sueco ao brasileiro não há como não se indignar. Um país dito de primeiro mundo trata muito mal seus jovens. O pobre Gustaf certamente foi castigado por ser um jovem engajado politicamente e que entre outras coisas apoiou a causa a favor do compartilhamento livre de informação. Isso sem contar que seu pai deve ter se aproveitado do castigo para tornar isso uma ação marqueteira.

Aqui as coisas são muito diferentes. O governo dá uma demonstração que acredita no velho adágio de que os jovens são o futuro da nação e, assim, fica óbvio o interesse do país em lhes conceder algumas regalias.

E excepcional porque nosso governo se mostra atento e compreensivo ao fenômeno de retardamento da adolescência. Ele sabe que hoje em dia em muitos casos a adolescência tem idade para começar, mas não para acabar, com jovens dependendo financeiramente dos pais .

E o que dizer de sua inequívoca demonstração de estar alinhado com o espírito de nosso tempo? Enquanto nos EUA alguns estados tentam censurar a indústria dos games, por aqui é questão de ética pública que nossos jovens tenham um programa sobre videogames na TV. O fato de ser produzido por um dos filhos do ex-presidente e só uma coincidência feliz que mostra que os filhos altruístas de nossos governantes sim estão engajados nas causas corretas.

Na Suécia existe um rei, mas os filhos de nossos governantes é que são tratados como príncipes.

Que vergonha Suécia! Que vergonha!

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Dia do Orgulho pela Existência da Diversidade

Por Alex Constantino

Nada de dia do orgulho heterossexual ou orgulho gay. Que seja o dia da consciência e do orgulho pela existência da diversidade.

Nos últimos dias tem se discutido o polêmico projeto de lei (nº 294/2005), de autoria do vereador paulistano Carlos Apolinário (DEM), que foi aprovado pela Câmara de Vereadores. Por ele, caso seja sancionado pelo Prefeito, ficará instituído, no Município de São Paulo, o dia do orgulho heterossexual, que será comemorado, anualmente, no 3º (terceiro) domingo de dezembro de cada ano.

No art. 3º do referido projeto consta que: O Executivo envidará esforços no sentido de divulgar a data instituída por esta lei, objetivando conscientizar e estimular a população a resguardar a moral e os bons costumes (SIC).
Isso porque, em sua justificativa o vereador argumenta que não “concorda com a apologia ao homossexualismo (SIC)” e os homossexuais, “se dizendo discriminados ou perseguidos estão tentando aprovar leis que na realidade concedem a eles verdadeiros privilégios”.
Esse privilégio, que para ele os héteros sequer têm, seria a possibilidade de “dois bigodudos se beijarem num restaurante”, sendo que deveriam “deixar os beijos e afetos para os lugares reservados ou suas casas” (já que ele não fica beijando “excessivamente” sua esposa para demonstrar o carinho que tem por ela).
Por fim, propõe que, se oficialize a data como símbolo da luta pelo ORGULHO DE SER HOMEM E O ORGULHO DE SER MULHER. (?!)
Não bastasse ser absurda (per si) a argumentação do vereador, merece destaque o voto contrário e sensato da vereadora Soninha.
Ainda, conforme consta em notícia veiculada pela internet, para a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) é "descabido propor a celebração do orgulho heterossexual de modo a desmerecer a luta social justa da população LGBT, que ocorre justamente para reafirmar a necessidade do enfrentamento da discriminação, agressão e violência comprovada às pessoas homossexuais".
Segundo ela, "os heterossexuais não são discriminados pelo simples fato de serem heterossexuais, ao contrário dos homossexuais, a exemplo dos casos recentes de violência homofóbica na Avenida Paulista tornados públicos pelos meios de comunicação (...). Os heterossexuais não são vítimas de agressões verbais e físicas, de violência, não são assassinados em virtude de sua orientação sexual"
Depois dessa grande (e talvez desnecessária introdução) de cunho informativo, a verdade é que, sem desmerecer a importância da luta real e necessária pela afirmação dos direitos das minorias, não sei se há uma lado certo nessa questão. E por questão, para não ser mal compreendido, estou me referindo à institucionalização de datas comemorativas de ideologias, gêneros, etnias ou qualquer outro tema que representa uma parcela da sociedade (seja a maioria ou minoria).
Isso porque, independentemente das justificativas que motivaram sua criação – muitas vezes louváveis, outras não – o único efeito concreto que estimulam é a segmentação da sociedade, porque reforçam a divisão dela em grupos que se preocupam somente em garantir os direitos de seus integrantes.
É como se quisesse afirmar que se tratam realmente de grupos diferentes e inconciliáveis que constantemente devem se digladiar para manter o equilíbrio de suas forças (direitos e deveres).
O problema aí, a meu ver, é que o foco está nas poucas (e muitas vezes ínfimas diferenças) quando deveria se concentrar nas várias semelhanças. Ao invés de um discurso umbiguista ou desagregador, porque não defender uma perspectiva unificadora?
Imaginemos o caso do dia da consciência negra. Em princípio, só os negros poderiam afirmar seu orgulho? E os brancos, poderiam criar um dia do orgulho branco? E se criassem, acho que podemos imaginar o problema que isso iria acarretar não é?
Todas essas são inciativas que afastam esses grupos quando realmente deveriam aproximá-los para que pudessem enxergar a verdade: não há grupos diferentes.
Assim, a luta pelos direito das minorias deveria ser travada por todos, e não só pelo grupo de interesse imediato, e seu objetivo deveria ser demonstrar que todos fazem parte de um grande, único e acolhedor grupo: o do respeito à diversidade. Eu, isoladamente, posso ser hetero, mas enquanto grupo faço parte daquele que abraça à diversidade sexual, onde cabe qualquer opção.
Não sou negro e muito menos quero um dia da consciência branca, porque o melhor seria um dia da consciência da diversidade: de etnias, opções sexual, gêneros, etc. Esse dia sim observa respeitosamente a dignidade da pessoa humana, conforme objetiva nossa Constituição, porque não impõe dogmaticamente um projeto de vida como válido, mas reconhece, estimula e celebra a multiplicidade de projetos de vida.
Assim, porque não fazer com que a luta de poucos, que algumas vezes acaba estigmatizando ainda mais esses grupos, seja a luta de todos? Minha modesta sugestão para isso: que tal o dia da consciência e do orgulho pela existência da diversidade?

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

O Politicamente Correto é Politicamente Correto?

Por Alex Constantino


Conta-se que a expressão “politicamente correto” foi cunhada como resultado de estudos ligados a aspectos culturais que se desenvolveram nos Estados Unidos e Europa desde a década de 70 do século passado.

Seus defensores se apoiam em descobertas provenientes de estudos da linguagem, realizados no século XX, de que aquela não é um instrumento neutro, isto é, que os próprios componentes da língua (vocábulos, estruturas, entonações) carregariam sentidos políticos e culturais que, algumas vezes, reforçariam ideias depreciativas ou pejorativas de algumas minorias ou grupos historicamente marginalizados.

Com base nisso, Idelber Avelar , colunista da revista Fórum, conta que parte dos negros estadunidenses passaram a se autodescrever como afro-americanos “sob a lógica de que preferiam identificar-se pela cultura de origem, e não pela cor da pele”.

Assim, a expressão “politicamente correto” - e a ideologia que ela carrega - surgiu como uma ofensiva a esta suposta natureza perniciosa da linguagem e, como nos informa o mesmo colunista, sua bandeira foi hasteada pela direita nos EUA, sob a duvidosa justificativa da existência de pressões daqueles grupos para que se sanassem tais “vícios linguísticos”.

Parece-me inegável que não existe neutralidade na linguagem, uma vez que ela atua como um condicionador e condicionante da própria iteração do homem em sociedade. Seria ingênuo pensar que não se influenciaria pelas dinâmicas sociais, já que é o principal meio de comunicação de ideias e propagação de ideologias.

Do mesmo modo, não poderia afirmar que a linguagem é um meio imparcial na comunicação de ideias e que nunca serviu aos propósitos da ideologia dominante.

No entanto, penso que há um certo exagero naquilo a que se propõe a cruzada do politicamente correto, e porque não, tratar-se-ia de seu desvirtuamento somente para mascarar a disseminação de ideias conservadoras e, inclusive, de uma censura travestida.

Isso porque, em alguns casos, a aplicação do politicamente correto tem pouca serventia ou ocasiona o efeito contrário. Usando o caso dos negros mencionados acima, é importante valorizar a cultura de origem, mas em primeiro lugar a sociedade deveria se esforçar para reverter a conotação negativa dada à cor da pele.

A persistir a mudança, creio eu, estaríamos reforçando o negatividade do termo, quando isso não espelha ou não deveria espelhar mais o pensamento atual. Se os negros defendessem esse posicionamento é como se dissessem que possuir a cor negra é um fator negativo ( do qual até teriam vergonha), mas que as pessoas, ao invés disso, deveriam se atentar para sua cultura. E isso não é verdade.
É muito mais produtivo permitir que os termos incitem o debate e seu sentido seja alterado positivamente do que eliminar seu uso, o que só atesta a suposta razão dada ao sentido negativo que lhe foi conferido.

Não é diferente quando os cruzados do politicamente correto exigem a alteração ou censuram obras artísticas sob o pretexto de eliminar pensamentos preconceituosos que elas incitariam. Cada obra é produto da cultura de seu tempo e vale mais discutir o contexto em que foi realizada, sem negar seu valor artístico. E sim, eu estou pensando no recente caso envolvendo livros de Monteiro Lobato.

Não é certo atirar o pau no gato , mas daí alterar uma cantiga popular tradicional ao invés de explicar para a criança que o que a música incita não é recomendado, podem até chamar de politicamente correto, mas para mim tem outro nome: censura (para não dizer crime).

A aplicação indiscriminada do politicamente correto poderá justificar que a classe ou ideologia dominante escolha quais ideias devam ser divulgadas ou quais obras poderemos ter acesso, quando o valor de cada uma delas deve ser atribuído pela reflexão de cada um que tenha contato com elas.

A grande maioria das palavras não possui um valor intrinsicamente negativo, uma vez que qualquer conotação nesse sentido pode ser revertida. No entanto, ao eliminar sua utilização a conclusão a que se chega é exatamente contrária. Não há como não pensar na Novilíngua  de 1984 de George Orwell.

O escritor cubano Pedro Juan Gutiérrez  diz que o politicamente correto está acabando com o mundo. Eu pergunto, será que o “termo politicamente correto” é politicamente correto?

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Sexo em Palavras

Por Alex Constantino

Ah Amor, assim não pode.
Ah Amor, assim não
Ah  Amor, assim
Ah Amor
Aaaah!!!