terça-feira, 28 de agosto de 2012

Freud

Por Denise Fernandes



           Começa o horário eleitoral e minha mente fica suja, um horror... O que eu penso de bobagem nessa época é impressionante! Vejo como um período de queda mental na minha vida, bem pior que inferno astral. Toca aquela musiquinha do Emael, um democrata cristão, para prefeito em 15 de novembro. É Emael ou Eymael, sei lá, o candidato da renovação, e a música continua. Se eu acionar a chave, só muda para o tchu-tcha ou algum Roberto Carlos... Será que algum dia vou esquecer o nome do Neymar? Será que o Alzheimer me levará essas lembranças ou vai tocar esse som na minha memória para sempre? E tem tanta coisa que já esqueci e que não consigo recordar. Aí penso no filme "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças", que não lembro direito e não consigo esquecer. Quero ver de novo, mas não recordo de pegá-lo quando chego na locadora. Aí lembro que, relendo a carta de amor, beijei um beijo que esqueci. E que minha amiga disse chorando que só homem esquece beijo. Freud, Freud explica tudo.


         Quando me sinto perdida no consultório, imagino como Freud ou Jung agiriam. Inspirada pelos mestres, vou no meu delírio bom. Estou no ombro do mundo e o mundo é bom. Depois toca também no período eleitoral: "enquanto vocês prometem, vou fazer cocô". Garotos Podres, a banda. O passado. Porque fico com raiva do Collor ainda. Sempre me sinto politicamente enganada. É sempre a sensação de estar perdida no espaço. Aí me recordo de "Perdidos no Espaço". Dr. Smith me acalma e eu lembro do medo dele, que também sinto. Relembro do episódio que uma voz de mulher chamava, cantando: Dr. Smith... E minha frustração de nunca ter tido um robôzinho. Ainda estou aqui na Terra e nunca tive um robô legal, para me ajudar, falando "Perigo!", "Perigo!". E me lembrando do que eu esqueci. Enquanto vocês prometem, vou fazer cocô. Enquanto vocês prometem, vou fazer cocô. Tenho um disco riscado que não vou jogar fora e a carta onde o beijo escrito escafedeu-se do meu cérebro. Tive um pesadelo com o Sarney e a filha: eles aparecem como clã no meu inconsciente. Nossa, e como estou ficando velha! Tem gente que lerá essa crônica e provavelmente nunca viu "Perdidos no Espaço".


            E é tão estranho porque tem horas que parece que não fiquei velha ainda... Entre os parafusos que caíram da minha cabeça, e os que eu mesma resolvi jogar fora, há uma alegria esquisita, uma vontade de rir muito, de brincar, de esperar meu robôzinho que não chega. Freud explica e entende tudo isso.        

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