terça-feira, 4 de dezembro de 2012

A Intuição do Instante

Por Denise Fernandes




         É o nome de um livro do Bachelard, filósofo, que comprei e li. Meu filho também leu. Não que ele leia muitos livros, mas se interessa como eu pela questão do tempo. E esse livro aborda essa questão. O tempo também cada vez mais para mim começa aparecer como questão: estou velha de várias e várias formas.

         Fotografar é tentar registrar o efêmero. Lembrei da foto da "instalação" que vimos da artista na Pinacoteca. Estávamos, eu e minha mãe, vendo uma obra na Bienal e a mente da minha mãe foi para essa obra que tentei registrar: as louças brancas batiam na água fazendo uma sonoridade muito linda, dentro da água. A obra era linda de ver, de ouvir. Tem outra foto, além dessa, em que registrei minha mãe e a Bia, minha filha de 27 anos. Não lembro nem minha mãe lembra o nome dessa artista: ficou a memória da obra que de certa forma também é uma imagem dela.

         Assim é o instante, passado-presente-futuro, a gente tava na Bienal agora e em muitos outros lugares. Lembro de mortos, vivos e vivos-mortos, também tenho essa lembrança das lembranças dos outros. Lembro do dia em que a Cassia Eller morreu e também o dia em que a Elis Regina morreu. Lembro de ter ficado bem assustada quando o John Lennon morreu, embora eu não soubesse exatamente o porquê estava assustada. Meu medo foi nesse caso ficando maior mesmo, quanto mais eu me conscientizava: ninguém mais ficou na cama pela paz, ninguém mais usou a mídia para compartilhar ideais e atitudes pela paz como John fez. 

         Ficou um buraco que eu nem sei de que bosta de cor que é. É cor de buraco de um tédio em que ninguém mais faz porra nenhuma. Sinto pelo Paul, mas ele é muito babaca quando penso de leve no John. Ai, a Samanta que é beatlemaníaca não deve estar gostando. A Clô, que me entende através dos meus textos mais do que eu mesma me entendo, está rindo. Será? Será que vou ficar muito triste pela morte do Paul?

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