terça-feira, 18 de novembro de 2014

Dias

Por Denise Fernandes


 
 
Segunda-feira é dia da Lua. Dia de arrumar a casa, de sonhar sonhos que um dia se realizam, de olhar para a alma. Na segunda tem mais emoção que nos outros dias. Na segunda podemos odiar com liberdade o próprio dia. A camiseta que tinha o Garfield estampado na frente com os dizeres: "Odeio as segundas-feiras!" fazia sucesso há anos atrás.

Segunda é dia de cuidar da família, das raízes, do solo amado, do que chamamos de lar.

Terça é dia de Marte. Dia de lutar, de se ter mais coragem, de sermos mais sinceros. Segundo o tarô, é a luta que rompe o carma, as leis do destino: através da ação, mudamos as leis que regem nossas vidas. Lembro-me da frase de Cacilda Becker: "Minha verdade é lutar sempre." Se você não quer brigar, evite ações agressivas na terça-feira.

Quarta-feira é dia de Mercúrio. Dia que traz mais facilidade para negociar, para comunicar, para pensar, para educar, para contar histórias. É um bom dia para estudar, é um dia que nos sentimos mais leves através do nosso próprio pensamento.

Quinta-feira é dia bom para organização, para reuniões, para fazer planos e projetos. É bom também para estudar, para o contato com professores e estrangeiros. Quinta é dia de Júpiter, o coordenador geral do Olimpo, e com isso a quinta-feira é o dia mais propício para tudo aquilo que é grande ou grandioso; é bom para os assuntos filosóficos, religiosos e políticos.

Sexta-feira é dia de Vênus, a deusa do Amor. E, com isso, sexta é um dia especialmente favorável para os encontros afetivos. É um dia bom para os acordos, para fazer as pazes. É o dia que os amantes têm mais chances de se entenderem. Sexta-feira é o dia mais favorável para as artes, principalmente a dança e as artes plásticas. Sexta-feira é o dia mais indicado para que a gente faça as pazes com o espelho, ajeitando aqui, acalmando-se um pouco com a aparência que se tem. Sexta-feira é um dia muito bom para a gente perceber como é bom gostar de si mesmo, como respondemos melhor quando somos tratados com gentileza.

Sábado é dia de Saturno. Dia de parar. Dia de nos sentirmos mais pesados, cansados e velhos. No sábado, o tempo pesa mais nos ossos, na pele, no que pensávamos que era certo e que era certeza. No sábado, temos a certeza de nossa finitudes e de como é preciosa essa passagem por aqui. No sábado, nos lembramos dos desertos da Terra e os da vida. No sábado, a ferida dói mais, e doem também as cicatrizes no sábado, tanto as visíveis como as invisíveis. No sábado, nos encontramos com nossas sombras e com as dos outros.

E Domingo nos deparamos com nossa Luz e com a dos outros. Domingo é o dia do teatro, o dia da semana em que somos mais criativos e dia em que somos mais nós mesmos. Refletindo no mar, na Lua, o Sol também rege o Domingo e a consciência que temos de que somos eternos, imagem e semelhança do Criador (e também criadores), presentes nos filhos e naquilo que criamos. Somos brilho, energia pura e centrada, Coração. Domingo é o dia em que o Coração mais nos toma, em que sentimos como Maiakovski, “comigo a anatomia ficou louca, sou todo coração."

Domingo nascemos, reencarnamos de novo para uma nova semana, e nosso anjo da Guarda bate bem suas asas no Domingo. Porque segunda nos esquecemos do que viemos fazer aqui. Toda segunda deletamos a senha, o código secreto que abriria as portas que queremos. É na segunda que vem uma vontade de chorar sem motivo, que empurramos para a terça e, na terça, vira vontade de gritar, mas não gritamos. Na quarta, o grito vira uma frase que lembramos ainda na quinta. Na sexta, a frase cola no livro. Toda semana escrevemos um pouco no livro da Vida.

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