sábado, 27 de julho de 2013

O Copo que Filosofava

Por Meriam Lazaro
 
 
Era um copo de garrafa verde cortada. Cabia nele um mundo de especulações, ideias e soluções para qualquer espécie de problema. Quando à mesa, acompanhava o passar das mocinhas sorridentes, que andavam aos pares, trios, quartetos, cheias de assunto e muita alegria, lançavam olhares furtivos e se retraiam como convém à idade de menina-moça.

O copo topava todas. Cheio até a borda das mazelas do mundo se empenhava em destilada filosofia. Suas anedotas, declarações e discursos (copos adoram discursar) eram a graça do lugar até certa hora. Depois de trair e ser traído, lá pelas três da madrugada, ninguém mais ouvia ou se importava com o copo. Era a vez da vassoura e do “pé-na-bunda”. Do contrário, o copo amanheceria como de fato amanhecia.

Um dia o copo foi atravessar a rua e conheceu uma taça, que se dizia poeta. Apaixonaram-se à primeira gota. Com o tempo, era tanta lágrima que o copo foi se enchendo e transbordou. Foi assim que caiu num bueiro, até que reciclado virou CD. As canções? Nem se fala...


3 comentários :

  1. Aqui jaz um amor e junto a rebeldia de uma noite qualquer!

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  2. É a vida em sua fluência de transmutações. Parabéns, Meriam, por tão magnânima criatividade e pelo maravilhoso blog. Um abraço com o carinho e admiração de sempre.

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  3. Grata, amigos Emmanuel e Antenor. Convido-os a conhecerem os demais autores deste Blog, que publicam em outros dias da semana. Sairão agraciados pelas leituras. Tenho certeza. Abraços, Meriam

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