terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Feliz Ano Novo

Por Denise Fernandes

 

                                           Feliz ano novo,
                                           nada de novo
                                           a mesma raiz
                                           solidão feliz
                                           cheia de sede
                                           de palavras a sede
                                           e também de pele
                                           o abraço aprendiz da pele
                                           o corpo gaivota no céu

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Vida Nova

Por Rosimeire Soares
 


“Ano novo, vida nova!” Frase comum nesta época do ano. Hoje, mesmo, enquanto aguardava atendimento na fila de uma agência bancária, não pude me furtar ao diálogo de dois professores. Eles iniciaram a conversa depois de gigantescas felicitações, um para o outro, de ano novo.  Em seguida, como eu não era atendido com a eficiência temporal de que gostaria, atentei que eles falavam de situações (boas ou nem tanto) por que passam em suas profissões.

Ouvi bem quando um dos professores (provavelmente de Filosofia) falou, mesmo em tom informal, mas com bastante autoridade:

“Ano novo, sim, mas vida nova é para poucos. Quem já parou para pensar que, em todo momento, estamos renovando? A cada instante, materializado ou não por estalos filosófico-literários, o indivíduo não é mais o mesmo. Quem já parou para pensar que fingimos o tempo todo? Não falo do fingimento carregado de maldade e de intenção de ludibriar os outros, falo do dinamismo que é o nosso acontecimento como ser humano. Vida é movimento. Quando falamos algo do que vamos discordar dentro três dias, não estamos mentindo, estamos executando o fingimento que é inerente ao indivíduo constitutivamente de palavras, pois não se sabe quando deixará de concordar consigo mesmo, mas precisa da consciência de que isso ocorrerá. As palavras surgem e desaparecem tão rapidamente que às vezes nem conseguimos verificar o que ficou delas. Algo é certo: fica a vida. Fazer uma vida nova significa, inclusive, perceber que a novidade está a todo instante nos ocorrendo, mas que precisamos ter olhos novos”.

Uma sonora campainha soou, anunciando a que caixa da agência eu deveria me dirigir. Apressei-me. Que bom se soubéssemos que para ter vida nova, precisamos também ter novos ouvidos.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Planos

Por Érika Batista
 
 
 
 
                             Essa vida que levamos
                             Não é vida, mas são planos
                             Planos para momentos efêmeros:
                             Estes que realmente vivemos.

                             Um beijo, uma palavra, uma festa, um brinquedo
                             Tudo que é bom demanda longa espera
                             E no instante seguinte, já era 
 
                             Uma enorme porcentagem
                             de tempo pra combinarmos o passeio
                             E damos pra essa mesma viagem
                             De uma vida, só um dia e meio 
 
                             Essa vida que levamos
                             É toda preenchida de planos
                             Que talvez sejam mais divertidos
                             Que os prazeres depois de obtidos.
 

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

25/12

Por Sérgio Bernardo



                                   Para a palavra natal
                                   traduzir nascimento
                                   devo entrar no seu sentido
                                   — não o etimológico —
                                   o sentido real

                                   Devo fazer do dia algo mais
                                   que a distribuição de caixas
                                   ao pé de um verde imaginário
                                   ou de um cadáver vegetal

                                   Devo entranhá-lo na carne
                                   encher dele as veias
                                   devo bebê-lo e comê-lo
                                   muito mais que vinho e nozes

                                   Para o natal ser feliz
                                   e feliz desejá-lo ao outro
                                   existe uma cláusula:
                                   que em mim se transforme
                                   o não-homem destruído

                                   Só assim haverá natal:
                                   repaginando-me a cada
                                   vinte e cinco do doze

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Dessas, Daquelas,
De Todas que Afogam Suas Amélias

Por Rayane Medeiros
 

“Eu quero mais é me abrir
E que essa vida entre assim
Como se fosse o sol
Desvirginando a madrugada”
(Não Dá Mais Pra Segurar [Explode Coração], Gonzaguinha)

 
 

          Ela é dessas de vida fácil. Não se vende. Entrega-se por paixão às aventuras; aos amores impossíveis; às carências incuráveis. Nunca a viram chorar. Nunca. Não porque a tristeza não tenha lhe visitado alguma vez. Em verdade, mente para si mesma o quanto é inquebrantável. Em noites de solidão, engole as amarguras num copo com gelo e Rum. É dessas que se apega aos vícios para preencher vazios. 
 
          Enquanto criança, foram os livros os únicos amigos que a timidez a permitiu ter. Não falava, não sorria, sequer piscava os olhos. Suspeito que em momentos de sociabilidade, não tenha respirado. Era daquelas que passavam despercebidas, sem nada acrescentar
 
          Chegou na juventude como foi em toda sua vida: invisível. Foi num desses dias em que se é preferível não levantar, que ela o conheceu. Deu com ele na segunda esquina, quando ia à padaria, como todos os dias fazia logo bem cedo. Poderia ser mais um, entretanto, ele esbarrou, parou, pediu desculpas, ofereceu um café. Ela desnorteada, piscou, tentou um sorriso que insistia não querer sair. Disse sim com as feições que lhe foram cabíveis. Finalmente respirou.  
 
          Ele é daqueles que, mesmo se a beleza não o tivesse abraçado, seria igualmente irresistível. Voz de sussurro ao acordar; dentes à mostra tão alinhados e despidos de vergonha quanto os olhos deixando a alma saltar em euforia.  
 
          Ele a viu, a desejou, a conquistou, mas nunca a amou. É desses homens que têm o coração impenetrável. Não duvide se eu disser que ele sofre. Sim, meus caros, ele sofre! Sofre por nunca conseguir amar. E não há sofrimento igual, ao de nunca alcançar o maior de todos os deuses. E quando viu aquela jovem que o medo a impedia até mesmo de sorrir, acreditou que podiam salvar um ao outro. Em vão.  
 
          Entregaram-se. Corromperam-se. Mas não se amaram. O amor era aquele bicho selvagem que quanto mais o perseguiam, mais ele se embrenhava no mato. Amor é bicho esperto. E, mesmo se capturado, não há cabresto que o consiga prender no peito. 
 
          Cansaram-se. Como tudo que não nos basta, nos cansa irreversivelmente. Ele partiu assim como veio. Pegou um novo rumo logo que chegou na esquina onde o acaso topou com eles. Ganhou o mundo. Nunca volta. Por que voltaria?
 
          Ela, dessas que nunca choram. Procurou nos homens a felicidade que nunca foi capaz de encontrar em si mesma. Mas, quem sabe um dia? Enquanto isso esbarra em bares; noites frias; bocas doentias; mãos frívolas infiéis; amores que nunca serão seus. Nunca.  

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Retrospectiva Literária 2012

Por Fabio Ramos


A tradição natalina não fica completa sem as inúmeras listas de melhores e piores do ano! Vou seguir o caminho da correnteza (e dos jornalistas com falta de boas pautas) e bombardeá-los com a minha retrospectiva literária de 2012. Logo abaixo, eu selecionei alguns livros lidos nos últimos 12 meses e teci comentários sobre os mesmos.
 
 
1- O Chefe, de Ivo Patarra
A obra colossal de Ivo Patarra investiga Lula, centrando-se no escândalo do mensalão. O autor embasa seus argumentos com números e evidências consistentes. Ele até assume – em determinado trecho do livro – que a citação de tantas cifras tornava a leitura cansativa (mas pede paciência ao leitor e continua elencando os números). Na abertura, Patarra questiona porque o então presidente nomeou Mangabeira Unger como ministro após este afirmar num artigo que "o governo Lula é o mais corrupto de nossa história nacional". A pergunta é respondida no final da obra.

 
2- Cinema: Trajetória no Subdesenvolvimento,
de Paulo Emílio Sales Gomes
Rápido panorama do cinema brasileiro desde os primórdios.
Aqui, a tese defendida por Paulo Emílio sustenta que o subdesenvolvimento no Brasil também é refletido em nosso cinema (como exemplo disso, ele afirma que nós atingimos o ápice do cinema mudo quando o mundo inteiro já tinha aderido ao cinema falado). Ou seja: estamos sempre na vanguarda do atraso! O clássico "Limite", de Mário Peixoto, é citado en passant e faz-se uma equivocada associação entre Luiz Sergio Person e o Cinema Novo. Apesar disso, é uma excelente
reflexão sobre o cinema brasileiro.
 
 
3- Deus Foi Almoçar, de Ferréz
Isso é um esboço de livro! Ao contrário dos trabalhos anteriores de Ferréz, agora a história foca em apenas um personagem. Segue-se uma profusão de ideias mal trabalhadas e situações que levam a lugar nenhum. Esse protagonista desinteressante (que lava o rosto o tempo inteiro!) contamina o leitor com tamanho marasmo. Não fosse o bastante, ainda é mal escrito. Nem mesmo a revisora foi capaz de consertar erros grosseiros como "sessente" (pg. 28, ao invés de "sessenta"), "em todos o capítulos" (pg. 222) ou definir se a forma correta é "buceta" (pg. 177) ou "boceta" (pg. 201). Esse é, disparado, o pior livro do ano!
  
 
4- Cine Galante – o Bilhete Azul,
Passaporte para a Liberdade, de Manuela Galante
Em depoimento à esposa Manuela, Antonio Polo Galante rememora sua vida. Mas o foco da obra não são os filmes produzidos na Boca do Lixo, e sim a trajetória pessoal de Galante. O livro conta como o órfão criado no Juizado de Menores – onde seu nome era apenas um número – tornou-se produtor cinematográfico. Essa e outras histórias maravilhosas fazem parte de "Cine Galante", que é leitura obrigatória a todos os entusiastas do cinema brasileiro.
 
5- O Brasil Tem Jeito?, de Arthur Ituassu e Rodrigo de Almeida (org.)
A partir da pergunta que dá nome ao livro, alguns pensadores escrevem sobre os problemas crônicos do país (como corrupção, concentração de renda, privilégios, violência). Os ensaios giram em torno dessas questões; exceto o de Fabiano Santos. Seu texto é um amontoado de lugares comuns e argumentações torpes. Além de fugir do tema proposto, ele desenvolve suas ideias usando termos como "verdade nua e crua", "fato incontestável" e reitera afirmações com um simplório "isso é óbvio".
Já não bastasse possuir um claro viés pró-PT, o ensaio afirma que uma terceira via para a dicotomia PT-PSDB é "tão frágil quanto perigosa" e ainda chega ao cúmulo de justificar os desvios de ética do governo petista; afirmando que a corrupção no país é histórica e "de difícil solução no curto prazo". Quanta bobagem... A publicação ganharia muito com a exclusão desse artigo tendencioso e mal escrito.
  
 
6- Figurinha Difícil: Pornografando e Subvertendo, de Plínio Marcos
O livro "Figurinha Difícil - Pornografando e Subvertendo" é uma compilação de crônicas escritas por Plínio Marcos. Ele descreve o convívio ao lado de figuras como Procópio Ferreira, Cacilda Becker, Geraldo Filme, Toniquinho Batuqueiro... Sem esquecer os anônimos com quem conviveu (e que retratava em suas obras):
macumbeiros, malandros, bichas etc.
Em um de seus arroubos verbais, Plínio dispara:
"Sabe, não é fácil vender livro em terra de analfabeto com fome".
  
 
 
 
7- A Travessia Dourada, de Sirdar Ikbal Ali Shah
As viagens pelo Oriente costuram as diversas narrativas presentes no livro. Os valores religiosos estão sempre ali. No capítulo sobre a chegada à Meca, por exemplo, temos apenas uma descrição do que os viajantes presenciam no local sagrado (e as histórias são retomadas após esse relato). Os melhores contos são, realmente, os primeiros. Entre os meus favoritos, recomendo "Alimento do Paraíso" e "O Homem que Fazia Ouro". Em "O Pulso da Princesa Banu", o autor faz referência ao clássico "As Mil e Uma Noites".
  
 
8- Trilha Estreita ao Confim, de Basho
Nessa edição, são reunidos os três principais relatos de viagem do poeta japonês: "Visita ao Santuário de Kashima", "Visita ao Sarashina" e "Trilha Estreita ao Confim" (que dá título ao livro). Seguindo os preceitos do zen budismo, Basho percorre lugares longínquos a pé. Cada paisagem/pessoa que conhece inspira uma série de haikais. Os textos foram traduzidos diretamente do japonês por Kimi Takenaka e Alberto Marsicano (ele mesmo, o sitarista discípulo de Ravi Shankar). Ainda conta com uma biografia do poeta e um panorama do haikai no Brasil.
 
 
9- Cartas a um Jovem Poeta, de Rainer Maria Rilke
Nesse livro, temos a correspondência trocada entre Rilke e Franz Kappus (o tal jovem poeta mencionado no título). Kappus pedia conselhos ao já famoso poeta sobre seus versos. Rilke foi de uma generosidade extrema: além de responder aos questionamentos do rapaz, ele expôs sua visão de mundo sobre os mais diversos assuntos, entre os quais: solidão, Deus, relacionamentos, a poesia, o ato de escrever... Eu recomendo a leitura!


 
10- Quando Meu Pai se Encontrou com o ET,
Fazia um Dia Quente, de Lourenço Mutarelli
É o retorno de Mutarelli ao universo dos quadrinhos. Com um desenho por página, o livro ilustrado retrata a vida de um velho aposentado (cuja história é contada em flashback por seu filho). É bem menos incendiário que outros títulos do autor. A obra é dedicada a Marçal Aquino.


terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Meu Coração Alvinegro e Verde

Por Denise Fernandes

 
          Um lado meu é corintiano, o outro palmeirense. Sinto a desarmonia dessa união fatal, verde, branca, preta, culpa preta – branca – verde.

          Sentimentos tão esverdeados, não vou a nenhuma comemoração. E vou a todas. Sou muito povão, tão povão que é difícil eu me achar. E todas as vezes que me sinto perdida, e são tantas, me sinto tão perdida que assisto jogos de futebol. Não é que eu entenda porque estou tentando entender há 46 anos. Ainda acho impedimento algo super esotérico. É que nem bola que bate na trave, acho o máximo. A dúvida para que lado a bola foi e porquê. Esses porquês que matam a gente. Não sei se é nessa parte que o futebol vira o ópio do povo, mas que futebol dá barato, isso dá mesmo. Ninguém se incomoda de medir, mas acabo de encontrar um amigo que ficou anos numa autoproibição em relação ao futebol: ele percebeu que ficava tão louco que só se proibindo.
          Não sei se já inventaram clínica para esse tipo de situação, mas aos especialistas (que há sempre em algum lugar, acho que tem mais especialistas que moscas em São Paulo), gostaria de saber o que pode ser usado contra essa paixão doente. E por que o futebol dá tanto barato? É porque a bolinha é pequenina e o homem se sente grande e bom diante da bolinha? É por que o entra e sai da bolinha parece sexo, a bola é falo e a gente gosta da bola porque gosta do falo? Freud, Jung, Reich, Lacan: me ajudem!!! O que vocês acham do futebol? Será que algum deles foi viciado em futebol? Será que gostar de time da segunda divisão tem algum significado, compromete o Édipo, o dinamismo da psique humana? Será que é "complexo" ser corintiana, palmeirense...
 
           Ou será que os jogadores que nos animam? Porque tem horas que parece que os jogadores esqueceram da bola... Será que a gente também esquece a bola e fica só curtindo os jogadores, a coxa, a meia, a personalidade de cada um, a fofoca geral que construímos sobre a História? Tem horas que me sinto quase da família dos jogadores. Estou com raiva do Dunga até agora. Tenho uma implicância com ele que Freud não explica porque terapia é muito caro para eu perder tempo com meus sentimentos pelo Dunga. Deus que me perdoe porque ainda não o perdoei. Já pensou se ele ressurge no Corinthians ou no Palmeiras? Por mim, ele pode ir para o São Paulo, embora eu acho que nem o São Paulo merece.
 
           Meu sonho é ser comentarista esportiva desses programas pós-futebol. Fica aquela discussão quase filosófica sobre a bola, a família dos jogadores, a história do futebol.
 
           O que sei da história do futebol – e encontrei num livro – diz que a origem do esporte foi na China, e veio dos soldados comemorarem suas vitórias chutando o crânio dos inimigos. Que nojo! Mas agora que não são crânios inimigos, sinto ainda um ódio que salta no futebol, uma raiva e um "ópio". E tenho as mais doces memórias além de toda essa raiva. Do amor dos meus avôs pelo futebol, da constância deles nesse amor. Se meus avôs não tivessem o amor pelo futebol que tinham, nem sei se eu gostaria e respeitaria tanto eles. O amor pelo time abriu neles a porta do amor pela Vida. Só através desse Amor soube que aqueles homens grandes e maciços que foram meus avôs foram crianças também. Eles me contavam como o futebol entrou na vida deles cedo.

           Também olhar os jogos de futebol do meu filho fazem parte dos melhores momentos da minha vida.
           Talvez seja um gol, talvez seja porque tudo que rola sobre a terra cria um desenho, um poder ser, talvez porque seja absolutamente lindo ver um ser humano brincar com uma bola. Salvem-se todos os times, a bola, as traves, as brincadeiras e até o juiz!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Final de Ano

Por Rosimeire Soares

  

         Final de ano. Sempre vêm aquelas reflexões. Ainda bem que o ano se encerra, pois ao contrário disso, quando pararíamos para pensar, concluir, pensar?

         A educação no país. As guerras. A paz. A violência. Caos nos aeroportos. A inflação do ano. A corrupção perene. As músicas que marcaram. Os artistas que sobressaíram. A política, suas mazelas, seus acertos (poucos). As chuvas. Os tsunamis. O amor...

         É hora de refletir. Como foi esse ano? Retrospectiva.  O que fazer para um ano novo melhor? Chavão necessário! Os ciclos precisam ser fechados para que novas portas sejam abertas.

         Logo o novo ano se inicia. A brancura das festas de fim de ano volta ter as manchas corriqueiras. A educação no país continua nua. As guerras, sem trégua. A paz falada, mas não praticada. Índices de violência a serem discutidos. Novas músicas. Artistas desaparecem, outros surgem brilhantes e eternos em sua efemeridade. A política troca a roupagem, mas não mudam os estilistas e assim, os modelos são sempre os mesmos. Chuvas mais intensas para uns e escassas para outros.  Tsunamis...  mais um e outro. O amor? Novas paixões... Fim de ano!

         Hora de reflexão!
         A Educação no país... As guerras... A violência urbana...