domingo, 14 de junho de 2015

Velhice

Por Oswaldo Antônio Begiato


Imagem: Odwin Rensen


Que horas são?
Que horas são?
Que horas são?


Será que demorar na vida tanto assim é bom?


Não quero minhas mãos tremendo enquanto escrevo meu nome.
Quem sou eu?


Porque ando assim com o corpo
tão trêmulo à essa hora da vida?
Com a mente tão frágil?


Não quero pagar preço tão alto para adiar a morte!
Quem sou eu?


Que horas são?
Que horas são?
Que horas são?

sábado, 13 de junho de 2015

Por falar em estrelas

Por Meriam Lazaro




Em noites estreladas, elas aparecem alinhadas no céu. Mais conhecidas por Três Marias, seus nomes são Mintaka, Alnilan e Alnitaka. Tais estrelas pertencem à constelação de Orion, “o caçador”. Ainda que eu tente, não consigo identificar a imagem de um caçador, com seus dois cães, a olho nu (da mesma forma que os antigos astrônomos).


As estrelas, juntamente com a lua, orientaram os agricultores na Antiguidade e sempre encantou amantes, poetas, músicos, pintores... Chamamos de estrelas não somente aquelas que aparentemente piscam, como também os planetas. É o caso de Vênus e da estrela D’Alva (ou Vésper), primeira e última a luzir nos ocasos do sol e da lua.


Artistas de palco – como cantores, atores, trapezistas etc. – também são conhecidos por estrelas e astros. Esses, entretanto, com brilho mais efêmero; se comparados às estrelas da noite.


Ainda costumamos dizer o seguinte: aqueles que partiram definitivamente agora são estrelas! Às vezes me pergunto por que as estrelas não dizem miau. Estaria o meu gatinho ensinando-as a miar, ou aprendendo com elas a luzir?

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Histórias de amor

Por Mayanna Velame




Histórias de amor não devem começar com “Era uma vez”. Amor não deve ser clichê. Amor tem que ser novidade.


Não se espante. “Contos de fada” não existem. Teu príncipe não é alto, loiro, de olhos azuis. E muito menos é dotado de músculos bem definidos e distribuídos. Não se engane. Sua princesa não é esbelta, desprovida de celulites e gordurinhas localizadas, cabelo bem escovado, pele macia, sem nenhuma mancha, espinha ou cravo.


Conforme-se. Beleza não é sinal de amor, mas o amor é uma beleza. Teu príncipe é aquele sujeito calvo, baixinho e barrigudo. Tua princesa é aquela moça acima do peso – e com esmalte gasto nas unhas.


Amar é aceitar as diferenças. É condescender com as imperfeições de quem amamos. É romper convenções. É doar-se integralmente. Amor é luz no fim do túnel. Porto seguro para náufragos.


Amor é isso... É esperar o telefonema com ansiedade. É declarar (como se fosse a última chance) nossos sentimentos mais sinceros. O monólogo das noites frias de domingo transforma-se num diálogo caloroso e duradouro.


O “Te amo” é grito de paz que ameniza o coração contrito. E é assim que se escreve o amor: sem ponto final. Reticências predominam em sua escrita porque não há um fim. O para sempre é o agora eternizado.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Cordão umbilical

Por Daniella Caruso Gandra
 

 
 
Arde mesmo após o baque
É feito eletrochoque em doses graduais
Toda vez que a memória a dor traz
Simples assim: imagens mentais.
 

Bate até que corta na luva de pelica que tanto incomoda
A estatueta que ao ego fez tanta diferença
Partiu-se de tal maneira que seu início não se sabe...
E o fim varia a cada novo nocaute.
 

E quanto mais se aproxima desse trote
Menos o nosso ímpeto se move a galope
Calcando pequenas diferenças
Em vez de untá-las sobre a nossa cabeça.



Professora-Tutora e Redatora de LP,
especializada em EaD e na área de Revisão de Textos.
Autora do blog Revisando e Criando.
 

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Puxadora de Palmas

Por Fabio Ramos

 


microfone
na mão
do
guru


é
uma
palestra


que
avança
e
não
termina


espia
no relógio
as
horas


(boceja)


a
tiete
da primeira
fila


ela
toma
a iniciativa


é
palma
contra palma e
repetição


(...)


alguns
acompanham
o gesto


(outros não)
 

terça-feira, 9 de junho de 2015

É assim

Por Denise Fernandes




abusa
 
do meu coração de
 
Criança
 
que
 
sendo assim concebido
 
não se doma.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

meus olhos

Por Ana Paula Perissé




              em teus olhos
              ficam
              um sumptuoso mistério
              d´1 amor deAlém



              ( nos meus)
              além vida
              há núpcias de pele em almas
              inquietas pelo desejo
              de horizontes



                                                                             (os meus tesouros
                                                                             todos, mas poucos
                                                                             protegidos em tuas
                                                                                            pupilas)



              e em teus olhos
              na ausencia desta noche
              acompanham-me
              para além dos sentidos¨



              ¨estão-me
              todos
              doces... endoidados
              aqui
              só em mim



              e os meus a te rondar
              em sonhos de devir.



              só eu e o meu amor
              de olhar.



              (vista-se)

domingo, 7 de junho de 2015