terça-feira, 13 de maio de 2014

Beleza

Por Denise Fernandes
 
 


Faz pouco tempo que descobri que a beleza era mais que fundamental em minha vida. Simples, mas de uma simplicidade que exige muito. No lago, o sol se parte em tons de brilho dourado, pássaros, tudo é bonito de repente. Você também. Quando resolvi tocar a beleza, isso me exigiu uma mudança profunda, uma entrega ao mistério, à minha iniciação.
 
Sinto a beleza me marcando e é como se, com isso, me moldasse. Minha história também é uma história da beleza na minha vida. E há tanta beleza aqui, agora, no meu filho que dorme, nas flores que você me deu, no meu sentimento. Há um ar de perfeição que eu gostaria de acreditar que é alguma espécie de bênção dos anjos.
 
Há uma nova força em tudo que é belo. A beleza é alicerce de outros prazeres. Tento ter calma. A beleza guardada parece mais beleza. A beleza, em segredo, mais reveladora. Nós dois, bem no fundo, nos dissipamos em formas de beleza que também somos nós. Perder-se para se encontrar. A beleza como um traço do divino. A beleza sem medo de não ser beleza.
 
A noite naufraga numa beleza bálsamo. Eu, conhecendo você, descubro mais beleza do que imaginava.
 

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Moça

Por Ana Paula Perissé
 
 
Imagem: Itália Ruotolo Art

                                                
                                                 (gozo é chuva
                                                 de ar em prata)

                                                 gozo de mel
                                                 enrosca
                                                 no pescoço nu
                                                 da moça.

                                                 lambuzada
                                                 ela anda.

                                                 ( dulcíssima demais
                                                 para vagar)  

 

domingo, 11 de maio de 2014

sábado, 10 de maio de 2014

Mulher e Mãe

Por Meriam Lazaro
 
 
Imagem: Beverly Lussier

                Desenhei no calendário um mês todinho pra ela.
                Teci-lhe o vestido, cheinho de flores, de cintura fina e saia rodada.
                Para os cabelos, fios de luz colhidos da lua azul de outono.
                Ainda ouço o seu riso na roseira, a florir em maio,
                ao toque misterioso dos sinos da igrejinha.
                A água, que cai da chuva, murmura na fonte,
                dança no oceano dourado de sol... também é ela!
                O pão com manteiga, a casa varrida, o cheiro de jasmim,
                até o vapor que exala da xícara de café me lembram dela.
                Quem duvida, que pare à sombra de uma árvore num dia de Verão
                ou sinta aos pés descalços a umidade da grama que sustenta o
                mundo.
                Reconheço dela em mim a memória cíclica da Vida na Terra.
                Ela, que hoje faz parte dos quatro elementos,
                soprou-me um beijo na brisa da tarde...
                Piscou-me lá do céu, um eu te amo silencioso,
                estrela pequena, pertinho que está da Vênus brilhante!
 

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Te amo

Por Mayanna Velame
 
 


                                                 “Te amo”. É isso que quero ouvir.
                                                   Te entrego rosas e flores...
                                                   Mas você só pisa no meu jardim.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

São Francisco dos Portos

Por Amilcar Neves* 

 

Às sete horas da manhã de segunda-feira já estavam a bordo da perua da Fundação Catarinense de Cultura com destino a São Francisco do Sul, bem no Norte de Santa Catarina seguindo a linha do mar. São Francisco - ilha que virou istmo, cidade que se orgulha de ser a terceira mais antiga do Brasil, centro histórico tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, casario em estilo colonial português ladeando ruelas estreitas, berço embalado pelas marolas suaves da Baía de Babitonga, cenário pintado em ricos tons de verde por amplas reservas da Mata Atlântica, economia movida pelos portos existentes no interior da baía, defronte à cidade.
 
 
Cinco conselheiros estaduais de cultura em viagem dirigem-se ao IV Fórum Catarinense de Gestores Municipais de Cultura, realizado num hotel da Praia da Figueira nos dias 24 e 25 de março; outros chegam de Joinville, ali ao lado, e de Chapecó. A presidente do Conselho e diretora da Fundação, com dois funcionários, eram esperados na van e no fórum mas não aparecem. Uma lástima porque ela perdeu a calorosa recepção que lhe haviam preparado. Soube-se depois que ficou doente; ao que parece, para alívio e gáudio dos seus amigos e admiradores, sem maior gravidade.
 
 
O evento reuniu gente do Ministério da Cultura, da Federação Catarinense de Municípios, da sua congênere gaúcha e de administradores municipais de cultura provenientes de mais de 120 (dos 295) municípios catarinenses. Secretários, diretores e gerentes de Cultura, portanto, das esferas federal e municipal, além de um deputado estadual (embora nenhum vereador, sequer da cidade que sediou o encontro, aberto pelo prefeito municipal), que muito falaram e muito ouviram. E ninguém - ninguém! - do Governo do Estado, apesar de dois nomes terem sido confirmados como participantes de uma importante mesa redonda. Infelizmente, a diretora de Políticas Integradas do Lazer, da Secretaria estadual, não encontrou ocasião, até o início dos debates da mesa, para justificar sua ausência. Paciência, deixou de desfrutar um acolhimento ainda mais fervoroso do que o reservado à sua colega. Lazer, na nomenclatura peculiar usada pelo Executivo catarinense, quer significar as atividades profissionais empreendidas por agentes de turismo, de cultura e de esporte.
 
 
Do lado de fora da sala de convenções, calmo e sereno, o mar esparrama-se dali até o horizonte. Logo antes da Barra Norte da Baía de Babitonga, na margem oposta, desenham-se contra o céu os guindastes e equipamentos do moderno porto de Itapoá. Em direção ao Centro, surge o porto público de São Francisco do Sul com seus terminais privados. Mais para o interior da Babitonga, um projeto de 250 milhões de reais "prevê a instalação de uma ponte de quase 1,5 quilômetro sobre as águas da baía, com dois píeres para atracação de barcaças e navios cargueiros", segundo informa o Estadão de domingo. Teme-se que espécies ameaçadas de extinção sejam afetadas pela construção e operação do porto chamado de Mar Azul, como a toninha (um tipo de golfinho), o boto-cinza, a tartaruga-verde e o mero.
 
 
Afirma o pescador Adenir Correia de Mello que "o melhor lugar de pesca do camarão na baía é justamente onde eles querem colocar o porto".
 
 
Já dona Sônia Rocha prefere sentar-se com o marido num banco de praça virado para o mar a fim de apreciar o sol caindo por trás das montanhas e dourando as águas da baía: "Agora, imagine esse cenário maravilhoso com um monte de navio de carga passando no meio".

* Crônica publicada no jornal "Diário Catarinense" de 26.03.14

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Hereditário

Por Fabio Ramos
 
 
 

Zezinho herdou
a teimosia
da mãe
 

o
estilo
brejeiro do
pai
 

a
alergia
da
avó materna
 

o nariz do avô
paterno
 

mas
não recebeu
herança
de
ninguém
 

terça-feira, 6 de maio de 2014

Beijo

Por Denise Fernandes
 
 


E onde não havia beijo, você selou em mim sua boca. Tudo de novo, ou nada novo, a gente se amar. Como o Japão espera um novo terremoto, espero você. Você é minha terra, só por isso espero.

Onde não havia abraço, você enroscou seus braços: galhos de uma árvore antiga. Onde não havia raiz, um amor-fogo cavou a terra, e a noite carregada de pequenas estrelas. Uma lua pequena. Onde não havia raiz, surgiu uma fonte e você sentiu que vinha de mim uma brisa. Deitei no seu colo e quieta fiquei.

Haverá saída? Haverá solução? Você com medo, eu também. Você com febre, eu também. Você vulcão e eu montanha, você mar e eu céu colorido. Enquanto te aguardo, o mundo dá outra volta e isso é imenso. Quando seu corpo encosta no meu, uma parte de mim se acalma, e a outra queima. O seu beijo, a sua mão, uma história sua que você me conta: vou arriscar, vou te esperar.