quinta-feira, 9 de maio de 2013

Metáforas

Por Rayane Medeiros
 
 
 



Ao poeta Manoel Cavalcante                  


                  Ora, poeta!

                  Não se engane com meus versos sujos!
                  São descargas dos amores vadios

                  que me despiram do romantismo.
                  Esquarteje as metáforas imundas e encontrarás senão,
                  o sentimentalismo enfronhado nos braços de Morfeu.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Que o Mundo Exploda

Por Fabio Ramos
 
 

 
atração
multiplicada
por dois
a
poucos
centímetros de
distância 

palavras
são
substituídas
pela linguagem
corporal: 

mãos frias
batimento cardíaco
acelerado
rosto corando
e
suando 

disseram
que houve uma
explosão
(assalto) (correria)
(tiros)
na porta do
banco

 eles
em transe
nem ouviram

terça-feira, 7 de maio de 2013

Bolo de Maçã

Por Denise Fernandes

 

         Demorou, mas consegui postar a receita do bolo de maçã para R. Esqueci a senha dos meus blogs e até lembrar...
         Esse bolo é especial, pois fiz para H. e ela adorou. Fiz para M. e ela adorou. Chamo de bolo das amigas. O blog onde está a receita é o Alegria e Circo.
         Outro dia revi "Como Água para Chocolate" e gostei muito do nacional "Estômago". Comer tem tudo a ver com viver, é além de sobreviver ou você está naufragado, extremamente perdido.
         Quem fica grávida e tem desejos, descobre um prazer sublime em saborear uma simples coxinha. Gravidez e sanduíche de mortadela me lembra J. De encontrar com ela, barriguda, e ouvindo-a falar, você ficava contaminado e ia para a padaria, como um sonâmbulo, comer um inocente sanduíche de mortadela.
         Quase toda pessoa que conheço um pouco melhor, fica associada a alguma comida: o Alê lembra pavê porque ele adora; a Rita lembra brigadeiro porque sempre lembra deles, além de comer; meu avô que já faleceu lembra pizza porque fazia a melhor pizza do mundo; o Giuseppe lembra tiramisú porque faz o melhor da América Latina, só na Itália tem do mesmo nível.
         Só comendo temos a dimensão do nosso corpo, da nossa vida. A fome, que nos habita as entranhas, nos assalta: somos espelhos dos nossos desejos. Minha memória é cheia de amor em forma de bombom sonho de valsa, picolé de limão e paçoca Amor, churrascos, almoços tão diversos e prazerosos. 
         A história do corpo sem a felicidade do alimento é preto e branco. Tem um silêncio enorme em mim quando penso em quem tem fome crônica.
 

domingo, 5 de maio de 2013

O Tríplice Amor

Por Érika Batista

  

Três cores de amores
Matizes fugazes
Contendem em meu peito.
Mas a um deles somente
Minha mente consente
Que ali se assente.
Eu não me deleito
E grito, em conflito,
o coração aflito.
Um grito pra dentro
pro centro
pro âmago da dor
Ah, se esse tal de amor
pudesse simplesmente
assim, de repente
Acabar!
Me sinto dormente, doente.
É tão surpreendente
Que essa vertente quase me rebente
Tendo me invadido clandestinamente.
Matar-me a razão foi sua ação.
Um regime tal crime
estabeleceu:
A divisão da paixão
Em três pavimentos
para os sentimentos
cuja intensidade
ainda não discerni.
Eu, enquanto isso
procuro uma cura
(ou espero a loucura).
Quem sabe uma delas
Com suas mazelas
me restituirá o viço
e a liberdade.
 
 

sábado, 4 de maio de 2013

Ossos Deslocados

Por Munique Duarte

 

                               Patifaria
                               Eu faria
                               Fria
                               No meio da conspiração do universo
                               Eu cortaria
                               Com machado fresco
                               Ironia
                               Sem dó
                               Mostraria
                               Do outro lado da pia
                               Que cortina fechada
                               Não mostra sol de verão
                               Tolice
                               Eu disse
                               Burrice
                               Do outro lado do oceano
                               Há mais verdade
                               Do que aquelas verdades que cabem
                               Em mim
                               As
 mentiras deixaram rastros enormes
                               Formigas
                               Famintas
                               Quando a última estrela partir
                               Nesse céu encardido
                               Eu fingirei
                               Que fisguei
                               O maior peixe
                               Patifaria
                               Eu partia
                               O seu coração
                               Se você bobeasse
                               Meia hora
                               Lá naquela esquina flutuante
  

Nasceu e vive em Santos Dumont/MG. É jornalista responsável pelas publicações de quatro sindicatos em Juiz de Fora. Bloga em Textos Imperdoáveis. Participa da obra Escritos de Amor, lançada pela Casa do Novo Autor Editora, e Poesia e Prosa no Rio de Janeiro, da Taba Cultural. Já colaborou n'O BULE, Sobrecapa Literal, Escrita Criativa (Portugal), Revista Diversos Afins, Jornal Opção, Texto de Garagem, Jornal Relevo, Revista Elis, Revista Pâncreas e Revista O Viés.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Declaro-me Apaixonada

Por Andreza Castro



                  Não sei como demonstrar sentimentos tão profundos
                  A minha vontade no momento é sair correndo
                  e gritando pelo mundo.
                  Sem me preocupar com hipérboles,
                  pois para ti qualquer exagero não seria suficiente.
                  De forma singela, portanto, declaro-me apaixonada.
                  Apaixonada pela brisa da manhã que percorre o meu rosto.
                  Pelas grandes montanhas que emolduram o nascer do sol,
                  permitindo que a cada dia eu presencie um novo espetáculo.
                  Sim, perdidamente apaixonada pelo lírico canto dos pássaros,
                  que dá às manhãs o seu encanto e brilho incalculável.
                  Apaixonada por todo o verde que me rodeia e pelo orvalho
                  que repousa nas folhas durante as noites estreladas.
                  Conquistaste-me de forma poética, agora meu coração pulsa em ti.
                  Amo-te mesmo passando por adversidades, pois, acima de tudo,
                  Por ti fui acolhida e amparada.
                  Nova Friburgo, tu serás minha eterna morada.


Residente na cidade de Nova Friburgo/RJ, bacharel em administração
e amante confessa de todas as expressões possíveis de arte.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Migalhas

Por Rayane Medeiros

 




"Cansado                             
E, sobretudo,                             
Da não presença tua,                             
É-me permitido lembrar,                             
Embrenhar-me nas fendas                             
Dos dias claros..."                             
(Elegia II, Mário Gerson)                             


 
A tua lembrança é a substituta
Para as migalhas tuas –
Que nada me preenchem,
Sequer aquecem a alma.
 
Substituta para a ausência tua,
Que surpreende quando teu gosto já me é um desgosto,
E me devora o recuo dos dias primeiros.
A tua lembrança é a substituta
 
Para teu amor pagão
Que se perde em meu precipício
E se desfaz sem compaixão...
 
Substituta para teu corpo abrigo,
Teu sussurro ao pé do ouvido,
A tua presença sempre infiel comigo;
Substituta para a noite e o vinho –
Para teu frenesi que me aguarda
E em meus segredos deságua. 


quarta-feira, 1 de maio de 2013

Papagaiada

Por Fabio Ramos

 

clama
por
nomes
familiares
em
troca de
alimentação 

emenda
um
"vem cá, vem"
ao chamar
usando os pés

não lhe dão
importância
 
no auge
da
fúria, grita:
"eu tô com fome,
cabra safado" 

cedem
às
demandas
papagaias após o
alarido

ele
gaiteia,
todo bufo:
"oh, meu pai"

lôro
oferece
cabecinha pra
coçar,
vira rapidamente
e ataca
(nessa ordem)

ele solta
aquela risadinha,
gozando
a
vítima
que sangrava:
"hehehehe"