sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Manual Para Limpar Minutos Mofados

Por Sérgio Bernardo



                      Esvaziei os bolsos das inutilidades do dia,
                      minhas chaves hoje brilham nos monturos,
                      todas as portas estão abertas ao vento e ao sol,
                      o coração destrancou-se como caverna.
                      O pulso já não carrega no relógio
                      o peso das horas dos meses e dos séculos.
                      Os pés libertaram-se para o devagar,
                      não correm mais atrás das sombras da rotina.
                      Os olhos se fecharam para as regras de gramática,
                      só decodificam as imagens das nuvens e das árvores.
                      O pensamento desaprendeu a ortografia nova
                      como quem despeja no lixo as cascas das frutas,
                      ficou apenas o sentido primitivo das palavras
                      com a alegria simples de uma dança tribal.
                      No quintal o cimento foi inaugurado com ervas,
                      as flores agora semeiam mosaicos na varanda,
                      dentro de casa espano a dor de cima das coisas,
                      as janelas atiram claridade nos aposentos,
                      minhas mãos sopraram a poeira dos livros
                      e hoje as páginas contam a fábula do universo.

                      Minha limpeza removeu o mofo do tempo.

Um comentário :

  1. sempre chega um dia, um momento em q acaba a pressa, a gt para d correr atrás do q o mundo quer da gt...aí parece q o mundo volta a girar no ritmo certo, e só saímos do lugar qdo paramos c a correria p ser o q não somos...

    ResponderExcluir