quinta-feira, 16 de maio de 2019

Amor meu

Por Nana Yamada




Amor meu, não tarda em chegar
Dizem que o ano acabou de começar
Mas já são tantos dias de solidão
Sinto o peso dos dias que vão se passando
E não sinto sua presença
Por onde anda?
Por qual caminho vem seguindo?
Por que os nossos caminhos não se cruzam?
Será que ando tão confusa? Tão desorientada?


Amor meu, não se atrase
Por anos e anos venho esperando
A sua morada em mim
Que finalmente
Possa ser
A resposta de tudo que procuro
Venha sem medo
Pois estou aqui
Como eu sempre estive
Somente à espera
Desse dia então…


Amor meu, mesmo que eu desconheça
Todo esse sentimento que quero viver
Nunca deixei de acreditar
Que Deus está no comando
De cada segundo que se passa
E de cada detalhe que venha acontecer
A nossa história sempre existiu
Mesmo antes de ter acontecido
Porque o nosso amor
Já foi abençoado

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Sol entre nuvens

Por Fabio Ramos




o
sol


não deu


as
caras


por enquanto


(...)


o
que
vemos


de
luz


são feixes:


no
AR


no mar


e
na
tua janela


(...)


as
estações


M
U
D
A
M


(...)


de roupa


e
de
bairro


(mudam os mudos)


que
não
vão


congelar tão
cedo


(...)


debaixo


do
teu


(lençol)


e
acima


DESSE COLCHÃO


nada
muda
mesmo

terça-feira, 14 de maio de 2019

Ao escolher emprego, não siga sua paixão

Por Maurício Perez



Há um livro que ainda não chegou no Brasil intitulado "So good they can’t ignore you", de Cal Newport.  Os livros de auto-ajuda padecem de três defeitos graves: reescrevem o passado para bater com sua teoria, vendem soluções fáceis, vendem uma técnica que irá resolver tudo. Não é o caso deste livro e por isso vale a pena falar um pouco dele.


Por que algumas pessoas amam o que fazem e outras não? Uma razão possível é que as últimas caíram na armadilha da paixão. Querem fazer algo que gostam e como o gosto é volúvel e tendemos a nos enjoar do que provamos em excesso, rapidamente caem na frustração. Mudam várias vezes de faculdade, de emprego, de ocupação a procura de algo que as encante.


É preciso primeiro ser bom naquilo que se faz antes de tirar algum gosto do trabalho. Adquirir expertise exige esforço, constância, estudo, relevar estados de ânimo, enfrentar dificuldades, restrições. Pouco a pouco, chega-se a dominar o assunto. Percebe-se a eficácia e os frutos do que fazemos, do serviço que prestamos aos demais e a sociedade. A cozinheira precisa praticar muito para saborear o triunfo da arte culinária. O piloto de excel também.


Claro que se tornar um expert não traz em si a felicidade. Basta pensar nos workaholics. Mas, certamente que um trabalho feliz não reside na paixão. O problema é que nos convenceram desde a mais tenra idade que sentir é tudo. Além disso, as últimas gerações foram criadas com mimos, muitas opções de estudo e carreira e uma expectativa muito alta do mundo do trabalho. Foram inculcadas a pensar que são indivíduos com talentos especiais e que encontrarão um trabalho desafiador e excitante. Foram doutrinadas a pensar que o trabalho  a própria vida  deve ser uma aventura, um espaço para a expressar a identidade e ser reconhecido.  Não é bem assim.


Perguntaram a milhares de universitários canadenses quais eram suas paixões. O resultado da pesquisa apontou as cinco maiores paixões: dançar, hockey no gelo, esquiar, ler e nadar. De fato, essas paixões não tem muito a ver com o mundo do trabalho (com exceção da leitura). E eles pensam que lá fora há um certo emprego para o qual foram feitos, um emprego que encaixa perfeito com seu jeito de ser.  Resultado: há trinta anos o índice de satisfação com o emprego nos EUA vem decaindo. Apenas 45% dos americanos estão satisfeitos com seu emprego atual.


Quando você fica pensando no que o emprego oferece, maior a chance de reparar nos aspectos que não agradam, o que leva a um estado de insatisfação crônica. Isso é especialmente verdadeiro no início da vida profissional, onde as tarefas diárias tendem a ser monótonas e não há bons hábitos consolidados.


Seria melhor inculcar nas pessoas a mentalidade do artesão. Faz seu trabalho um dia e outro; aos poucos aprende e adquire maestria. A paixão se desprende então como fruto maduro. Não comece pela paixão. Termine por ela.

É autor do blog Correio Chegou.

segunda-feira, 13 de maio de 2019

juventude

Por Ana Paula Perissé




                                        queria imprecisar
                                        teu sorriso
                                        e deslizar-me.
                                        nas bordas de tua


                                        sombra
                                        tempo.


                                        são vagas
                                        tão distantes.
                                        espero-te


                                        só.


                                        sem mais chances
                                        de erro
                                        obliquidades
                                        abruptas,


                                        há pouco e
                                        falta-me
                                        demasiado
                                        nada.


                                        (urgência de brotos
                                        1´semente a perder-se
                                        quase)

domingo, 12 de maio de 2019

Saudades

Por Oswaldo Antônio Begiato




você vinha caminhando tão meiga
tão cheia de veludos
parecendo uma flor
brotando entre pétalas
na aridez das descobertas


tão cheia de cristais
parecendo um arco íris
fazendo curvas
no voo reto do horizonte


eu tinha só cinco anos
e logo aprendi a dizer
 amo você minha pequena namorada


e nunca mais esqueci a leveza de seus passos
temo, porém, que meu coração esqueceu

sábado, 11 de maio de 2019

Escrito a carvão

Por Meriam Lazaro




Quem será essa mulher,
a carvão em meu espelho?
Já não tem os vinte anos
de amor leve e passageiro,
sua face mais elástica
tem a idade do gelo.
Sem papel para a poesia,
divide a moeda ao meio.
Numa face é só Maria,
na outra é mundo inteiro
soluçando na paisagem
hoje em total desmazelo.
Mostra apenas o rascunho
do retrato na gaveta,
quer passar o sonho a limpo,
em nuvem de rósea ninfeta,
para alcançar o céu da boca
antes que a vida anoiteça.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Primogênito

Por Mayanna Velame




A sua
felicidade
de mãe
estava em ver
as janelinhas abertas
no sorriso
de seu primogênito.

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Se quiseres

Por Nana Yamada




Se tu realmente quiseres
Que eu desista de ti
Se torne aquilo
Que eu detesto
Assim não terias
Motivos para continuar
A sentir nada disso...