quarta-feira, 9 de março de 2016

Indo além

Por Fabio Ramos
 

 
 
do
parapeito
ao
redor


o entorno


do
conceito
ao
papel


o registro


se
ela
controla


(não suscita)


vem
sem filtro
num
dia
em suspenso


ata
desata


sem
pré
condições


(por trás da couraça)


aceita o
que
tem


aceita
de
um outro
alguém


e
na
curva
siga TAMBÉM

terça-feira, 8 de março de 2016

Estrada

Por Denise Fernandes




Estradas fechadas

te disseram para parar

e você continuou

sem saber que haveria

um muro depois de outro muro

muitas palavras

poucos leitores

dúvidas um abismo

uma biblioteca livre

o tempo parando

parece que estamos num filme

será comédia será drama

ou é só uma estrada e uma poesia.

segunda-feira, 7 de março de 2016

em sendo, quase

Por Ana Paula Perissé


 
 
                                       sou hoje perplexa
                                       como se tivesse
                                       perdido
                                       1´gota de tarja preta
                                       sou-me lúcida
                                       outrora
                                       já que de tantas
                                       coisas que vi
                                       enterrei-as quase
                                       todas
                                       para bem viver.



                                       ( 1´sintoma sempre aparece).



                                       sou hoje um tosco
                                       de tudo
                                       que ousei engolir
                                       de cara limpa
                                       para tentar te olhar
                                       de soslaio.



                                       ( o lobo de ti
                                       é a minha ausência
                                       quase sã)



                                       ( todo lugar da noite
                                       fica cheio de
                                       passado)

domingo, 6 de março de 2016

Que esperança!

Por Oswaldo Antônio Begiato




Um dia ainda reviverei,
Com o meu cotovelo em ângulo oblíquo,
O quadro que Picasso nunca despertou.


Um dia ainda tocarei,
Com o meu joelho em linha paralela,
As coxas que Sophia Loren nunca ocultou.


Um dia ainda grafitarei,
Com a unha encravada de meu polegar,
O soneto que Florbela nunca terminou.


Um dia ainda sorverei,
Com as veias tortas de minha alma,
O amor que teu pulsar nunca desvelou.

sábado, 5 de março de 2016

O que as mulheres querem?

Por Meriam Lazaro




A lista provisória já deu oito voltas da Terra a Lua. Brincadeiras à parte, há mulheres que sabem o que querem e as que dizem uma coisa e querem, na verdade, o oposto do que falam. Dizem que foi isso que levou o Dr. Freud a estudar a histeria e o que pode levar muitos a pensar ser insolúvel a questão acima, mas não se pense que a incoerência é prerrogativa das mulheres.


Enquanto atualizo a minha lista de quereres, falarei de umas coisinhas que ocorreram na cidade na última semana de fevereiro. Afinal, se alguém quiser matar a charada que ressuscite o Dr. Freud.


Como é difícil tomar partido em determinadas situações. Alguém já pensou que nem sempre devêssemos? Pesa muito a imagem de pessoas do bem, que temos de nós, para seguirmos manipulados não só pela mídia, mais, ainda, pelos que nos são próximos. Em “A festa da insignificância”, um personagem de Kundera já disse que no novo milênio o mundo será governado pelos umbigos.


Foi assim que se deu a bravata das meninas, no alto de sua liberdade (e, assim espero, da correspondente responsabilidade), para utilizarem short curto na escola, uma boa escola. Gostaria de dizer que esse quê está mais para pais do que para mestres e que, por absoluta incompetência sobre filhos, silencio por aqui. Como não vi o filme, não posso opinar.


Soube também da rescisão de contrato de prestação de serviços de 170 brigadianos pelo Governo do Estado, e, aqui nem vou fazer conjecturas sobre o aumento da violência e da insegurança nas cidades. É que às vezes brinco de Poliana e cismo: bem que poderia sobrevir alguma ordem do caos..., mas esse brincar não preenche a frase.


O IBGE corrigiu o mapa e onde se lia lago, leia-se rio, ficando assim definido que o Guaíba é rio. Parece a insignificância da semana, mas não. No caso dos rios, a legislação considera até 500 metros junto às margens como área de preservação permanente e com isso há restrições de obras nessa área. Espero que com esse “canetaço” se consiga o que o berreiro geral não conseguiu, que é embargar as obras do cais da Mauá.


Na orelha do livro “Felicidade Clandestina”, que terminei de ler em fevereiro, o editor menciona que, desde o início, Clarice Lispector recusou a escravidão dos gêneros. Sabe aquela dúvida que todos têm, se o texto é conto ou crônica? Pois bem, não importava para a escritora. Mas ela era Clarice e eu aqui me reservo o direito de ficar à margem do papel tanto quanto a minha insignificância o permita.


Não serei menos feminista por não defender esta ou aquela “opinião formada sobre tudo, tudo”, como na metamorfose de Raul, nem deixarei de sonhar que aquele recorte azulzinho à janela, que há pouco ganhou o direito de ser chamado rio, está ligado com todas as gotas ao oceano.

sexta-feira, 4 de março de 2016

Menina do sertão

Por Mayanna Velame




Conheci uma menina lá no sertão.
Era pequena no tamanho,
Mas grande de coração.


Pelo andar na terra seca,
Mostrou-me que a vida
É feita na peleja.


E foi no meio da nossa despedida
Que recebi seu adeus
(Até vê-la sumir, entre o luar e a caatinga).

quarta-feira, 2 de março de 2016

Na Mesma Sintonia

Por Fabio Ramos
 

 
 
reunião
de
acordes


e de gente
que assobia melodias


até o foco
são
501
cabeças


e a letra da
canção


(repete)


aqui ele jaz
ouvindo
jazz


muito blues e rock and roll


mas bossa nova?
JAMAIS

terça-feira, 1 de março de 2016

Verão

Por Denise Fernandes




de novo a mesma goteira

séria, precisa

de nada adiantou arrumar o telhado

boas memórias

o mesmo verão

que ninguém quer que termine

o mato cresce rápido

vontade intensa de mergulhar no mar

de amar

e, de novo, a mesma goteira

eu, me arrumando, no cantinho

desviando, aceitando

a goteira lá

enquanto o Tempo semeia

outra estação na chuva que cai

na tarde vazia