domingo, 19 de janeiro de 2014
sábado, 18 de janeiro de 2014
Minha Vida em Duas Linhas?
Por Meriam Lazaro
Que não sejam retas, mas contínuas...
Misteriosas, como que adivinhas.
Ainda quero muito ziguezague!
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
Recomeçar
Por Mayanna Velame
“Recomeçar é mais
difícil que começar”. Foi com essas palavras, ditas durante uma palestra, que
minha mente ficou a refletir a respeito da vida. Todos dizem que, no início de
um novo ano, temos o direito de recomeçar. Então elaboramos, recriamos e
planejamos aquilo que não conquistamos anteriormente.
Quando uma casa é
construída, seus alicerces e pilares são muito bem fundamentados. Para
reconstruí-la, no entanto, precisamos demoli-la, retirar o entulho, pedras e
cascalhos, para assim começarmos o processo de edificação.
Se para refazer uma
moradia de concreto, areia, tijolos e cimento já é difícil e trabalhoso,
imagine para nós, seres humanos – arquitetados e tecidos por emoções,
sentimentos, razões, medos e desejos.
Recomeçar a vida, seja
em qualquer nuance, exige de nós humildade e reconhecimento. Os erros
cometidos, as falhas não revistas, a ansiedade ferina são ingredientes que
formam, na maioria das vezes, o nosso fracasso.
Nos momentos que
recomeçamos, estamos dando uma nova chance para nós mesmos. Chance de mudarmos
o curso de nossos sonhos, da nossa história. Nem sempre acertamos o alvo na primeira
tentativa. Ninguém aprende a ler sem antes reconhecer as letras, as sílabas que
formam as palavras.
Tropeçar, cair e
levantar são verbos imprescindíveis para todo tipo de aprendizado que passamos
e passaremos (enquanto tivermos vida). Desilusões amorosas não significam que
devemos parar de amar. Da mesma forma que originais, negados pelas editoras,
não decretam a desistência de escrever.
Nossa vida é mesclada
por começos e recomeços. Encontros e desencontros, chegadas e partidas. O ciclo
da existência humana se repete sempre. Mas as nossas atitudes e convicções
devem também ser as mesmas? A vida é um poema de estrofes, com versos
inacabados.
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
Conversa de vizinhos sobre forminhas de gelo
Por Amilcar Neves*
Passava em frente à casa do amigo quando foi por ele interpelado. Isso
era-lhe habitual. Não a interpelação, esclareça-se esta circunstância a bem da
verdade histórica, mas o passear pela calçada do vizinho de bairro (bairro,
ainda - coisa rara -, de casas unifamiliares, mesmo que de famílias
unipessoais). Sabe, a possibilidade sempre estatística de que a Mônica andasse
meio distraída por ali.
Passava a pé pelo passeio, convenientemente desapressado, e foi chamado,
desgraçadamente não pela mulher, mas pelo marido, ambos, no entanto, igualmente
amigões fraternos de longa data.
- Ia ligar agora mesmo para tua casa, Manoel Osório, e saber se estavas
sem água - falou Eduardo.
- Tudo bem - respondeu o amigo -, posso voltar já para casa e aguardar a
tua ligação, a qual sempre me é gratíssimo atender.
- Obrigado pela boa vontade, mas não te incomodes, por favor. É que
fiquei com minhas três caixas d'água a zero, já pensava até numa cisterna de 20
mil litros.
- Algumas pessoas dão a um aparato assim o nome de piscina. Na verdade,
acabei de ficar sem água, sim, mas apenas no bebedouro da cozinha, um caso de
filtro sujo. Fiz a retrolavagem e a água retornou fresca e saudável - explicou
Manoel Osório enquanto pensava com seus botões: e essa Mônica, será que não vai
aparecer de uma vez? Essa Mônica de pernas estonteantes, essa Mônica
interminável como os aparelhos de barbear de propaganda, que se usam um sem-fim
de vezes sem que eles se gastem, sem que eles te irritem a pele, sem que te
canses deles? As pernas da Mônica como propaganda de barbeador de lâminas
múltiplas, insuperável: insuperáveis.
- Ligava para o pessoal da água - Eduardo ia dizendo - e eles garantiam
que tinha algo errado, pois não havia reclamação alguma aqui do bairro. Tanto
negaram problemas que, num estalo, resolvi conferir e vi: algum gaiato passou
aqui e fechou o registro de entrada. Tornei a ligar para o 0800 da empresa,
pedi desculpas pela aporrinhação, mínimo que podia fazer, e voltei para cá:
acabo de imobilizar o registro com dois rolos e meio da mais encardida fita
adesiva que existe.
- Trabalho de mestre, eu diria - congratulou-se Manoel Osório com o
marido da Mônica; e pensou consigo: e ela que não aparece, ela que certa feita
saiu do banho assustada com uma perereca na parede e surgiu à frente dele e de
Eduardo enrolada apenas em uma toalha. Em uma toalha de rosto, somente o diabo
sabe como as mulheres conseguem esconder tanto sob tão pouco pano.
Fez-se silêncio entre os dois amigos: de júbilo da parte de Eduardo pelo
belo trabalho executado e de abatimento dada a profunda frustração de Manoel
Osório. O qual silêncio este enfim quebra:
- Procuro formas de gelo, meu caro Eduardo, porém daquelas antigas,
metálicas. Não há uísque tão saboroso quanto as doses temperadas por gelo de
forminha de alumínio. Sabes onde...
- Por Zeus, Manoel Osório! Por Deus! Avisa-me se encontrares dessas
preciosidades em algum lugar do mundo! - seus olhos inundam-se de recordações
da infância. - Minha avó tinha dúzias dessas forminhas. Quando a doce velhinha
morreu, sumiram todas elas. Se lhe fosses pedir um suco de laranja, ela,
exigente e preciosista como toda virginiana com ascendente em Touro, te
serviria um suco de laranjas naturais com pedras de gelo de igual matéria.
Armazenava dezenas de forminhas, cada qual com gelo de diferente suco. Se
encontrares alguma dessas, meu amigo, não te esqueças de mim, querido, eu te
suplico.
* Crônica
publicada no jornal "Diário Catarinense" de 08.01.14
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
JMS
Por Fabio Ramos
a
segurar
o terço nas
mãos
reze
interceda
pela
família
por meio da
oração
virtuosa
que
és
teu
exemplo
guia a descendência
no reto caminho
quase um
século
de
trabalho
fé
confiança em
Deus
a
transcender
o plano material
agora
descansa
nos braços do
Senhor
e
ilumina
quem ficou
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
Crônica de Ano Novo
Por Denise Fernandes
Mais enganoso que papai
Noel, o ano novo nos ilude com a possibilidade de uma mudança que não vem. Não
vindo, seu estrago é até maior do que a falta do presente. Não vindo estraga a
vida dos adultos, papais noéis em potencial, das crianças que sofrem com a
mesmice dos adultos. Não há nada de novo no suceder numérico de tudo, no talvez
eterno rumo dos dias regulados pelo sol, pela lua. A regularidade não tem nada
de novo, mas antes o traço anterior à própria vontade. E antes mesmo da
superfície, lá no fundo do universo onde foi criado o profundo e a matéria de
todos os planetas e estrelas. Não há nada de novo no brilho intenso das
estrelas ou no brilho dos olhos das pessoas.
Talvez a mesmice seja
realmente tão importante que comemorá-la nos tiraria da mesmice de uma
humanidade doente, sofrendo. Não há um ano novo, mas haveria um homem novo?
Sim, é desse homem novo que precisamos, desse homem que possa se despir de tudo
que é e que pensa que é, em busca de ser algo novo. É mais do que ser uma
metamorfose ambulante, onde não há a direção definida em direção ao novo.
Eu mesma, nova, o que
seria? A brincadeira de ano novo nos mascara: somos os mesmos num ano novo. Mas
sendo o ano sempre repetição, quando poderemos ser novos? O novo nos nega? O
novo nos trará uma possível transcendência, como um fruto na árvore, o novo nos
marcará mais que muitas tempestades, o novo nos revela para nós e para os
outros. O novo é raro.
No rádio, toca uma música
que diz: “Meu coração é novo.” Um novo luto, um novo poema, um novo amor que
guardo em segredo na Terra de sempre.
Terra cheia de perguntas,
carros e misérias num ano novo, número novo, onde plantarei minhas palavras e
lágrimas. E aberta, espero me encontrar nova em qualquer mês desse ano, ainda
que isso possa ser assustador. Posso realmente passar por um túnel bem escuro.
E ter pesadelos estranhos animando as minhas noites, vultos novos nas sombras
da minha casa. É provável que eu construa novas orações diante dos prováveis
problemas, porque me ancoro nas palavras rezadas, e sinto um medo absurdo em
alguns momentos. Só Deus mesmo para entender. E talvez Deus seja sempre novo,
mesmo sendo tão antigo. E eu, quando me sinto nova, sinto também que ainda vive
a mesma criança que fui, e as boas lembranças. Talvez o ano seja novo e feliz,
mas mesmo que não seja, que seja cheio de amor e fé, de verdade e luz.
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
vagas de esperançar
Por Ana Paula Perissé
![]() |
| Imagem: Jean-Claude Desplanques |
venham cá
horizontes
& assobios de céu
reverberem
1´súplica
aos pássaros
pois acreditar
como se fosse
mar
ou te desejar
como ondas
&sorrisos
é só +1´vertigem
intensa de alma
à aurora de cada
porvir
(da janela
vêm rosas
.
.
.
vagas de esperançar
dias
rubros)





