quarta-feira, 14 de abril de 2021

Almeja e não alucina

Por Fabio Ramos




veja
se


a
sua
cereja


tem gosto de
cerveja


(...)


veja


se
não


inveja e siga:


esteja
na


esquina


(...)


veja
se


VAGINA


rima


com VELEJA


(...)


ou
seja:


VALENTINA PLANEJA


mas
não
opina


e nem patina

terça-feira, 13 de abril de 2021

De amor e fúria

Por Denise Fernandes




Minha solidão transcende a pandemia. Ela vem de antes, muito antes. Solidão no sol, na lua, no brilho das estrelas. Já era sozinha antes do isolamento social: a gente nasce e morre sozinho.

Mas o contato com arte remedia a solidão - tanto a existencial, como aquela do isolamento social. Um exemplo é esse "Uma História de Amor e Fúria". Trata-se de uma excelente animação brasileira, que foi escrita por Luiz Bolognesi (e dirigida pelo próprio Luiz, em parceria com Jean Cullen de Moura e Marcelo Fernandes de Moura). A obra cinematográfica foi lançada no Brasil em cinco de abril de 2013.

Esse filme nos incita a lutar e resistir. A história é linda, e os desenhos também. Não me cansei de vê-lo. Segurei o xixi para não perder nenhum pedaço. O enredo é apresentado de um jeito gostoso. Fiquei com muita vontade que meu neto, de dezesseis anos, também assista. Porque a ciência e a História não precisam ser mostrados de uma maneira chata.

Um livro que prova isso é o divertido "A História do mundo em cinquenta cachorros", de Mackenzi Lee. A historiadora relata casos tão engraçados com os animais; numa linguagem agradável, de forma sintética.

Hoje cai uma chuvinha que facilita ficar em casa. Amando cachorros, cuidando para que a História nos faça lutar. Vendo um bom filme, sentindo a companhia de todos os artistas que não abandonam a criação; mesmo em tempos difíceis. Boto uma sopa saudável para cozinhar. Corpo e alma juntos, na mesma direção.

segunda-feira, 12 de abril de 2021

pormenores do chegar

Por Ana Paula Perissé




uma tal de poiesis
a fazer de mim
algo de muito ser


ou muito vida ou nada
morna
de quase tudo
das partes de
teu olhar
.


minhas senhas já tens
a mapear

domingo, 11 de abril de 2021

Quando chega o cheiro da uva

Por Oswaldo Antônio Begiato




Com o final do ano chegam à minha cidade
as barraquinhas onde se vende uva em caixas de madeira.
Elas se proliferam nas esquinas. Nas encruzilhadas.
Nas ruas estreitas. Nas ruas largas.
Nas estradas. Nos becos sem saídas.


Há na minha cidade sítios onde mãos rudes,
na iminente chegada do Natal,
santamente se aveludam para a colheita da uva.
É um ritual onde veludos se abençoam: o da mão do viticultor
e o da pele do fruto maduro.


Minha cidade é a terra da uva;
Uva Niágara -
rosada, branca.
Uvas de mesa.
Minha cidade é terra de uvas e de mesas.


Quando a uva por aqui chega
chega também a chuva.
Chuva de fim de tarde. Chuva fina.
Chuva de verão. Tempestuosa.
Chuva de granizo. Chuva granítica.
Tem chuva que a uva gosta, porque acaricia.
Tem chuva que a uva não gosta, porque machuca.


Minha terra é terra de uva no final do ano.
Minha terra é terra de chuva no final do ano.


E quando as uvas passam e as barraquinhas se vão,
pode-se ver por toda a cidade
flores brancas e dóceis,
pequeninas como um olhar
ternas como um perdão;
e minha cidade hospeda em suas ruas poesias órfãs.


Minha terra é terra de flor o ano todo,
de poesia dentro de mim desde sempre.


E é por isso que a lua,
tão distante, tão fria, tão pálida
vez por outra se despenca do céu
enfeita-se de flores
e se embebeda de vinho
nas noites chuvosas de minha cidade.


O alto falante do serviço de som da quermesse,
onde acontece a Festa Italiana
anuncia que o desvio de conduta não será tolerado.
E não será mesmo.


É nessa ocasião que a lua se parteja toda
em poesias rubras. Em poesias prateadas.

sábado, 10 de abril de 2021

De tudo fica um pouco

Por Meriam Lazaro




Não se apaga um sorriso,
nem se desfaz um abraço,
fica um pouco do amigo,
sobra um tanto de cansaço.


Se a honraria é verdade,
ainda que a mágoa regue,
quando a vida a dor invade
não há sombra que apague.


Vai a noite, vem o dia,
amores sempre a partir,
que se traduz em poesia,
banco e canção a florir.


Por isso não leve embora
a vida que lhe dediquei,
descartado o verso chora
saudade do que não sei.

sexta-feira, 9 de abril de 2021

Memória

Por Mayanna Velame




Esses móveis
maculados e tristes
ainda guardam,
na memória, o formato
dos teus dedos.

quinta-feira, 8 de abril de 2021

Melhor escolha

Por Nana Yamada




De todas as poesias inacabadas
De todos os sentimentos que não cheguei a sentir
De todas as lembranças que não foram vividas
De todas as certezas que se misturam com incertezas
Você sempre será a minha melhor escolha

quarta-feira, 7 de abril de 2021

Pra lavar

Por Fabio Ramos




palavra que


trans
borda


NUMA GAVETA?


trata-
se


de
um
palavrão


(...)


PALAVRA


que
some


(diariamente)


do
bolso


DA FRENTE?


trata-
se


de
uma
palavrinha


(...)


paula
não


ENTENDE PATAVINA


esse
pato


não
voa


COMO PATATIVA