sexta-feira, 8 de maio de 2020

Bordas

Por Mayanna Velame




(Dedicado a Oswaldo Antônio Begiato)


E onde está aquele poeta?
Ele subiu aos céus
para escrever poesia
com as bordas das estrelas.

quinta-feira, 7 de maio de 2020

Se quiser

Por Nana Yamada




Se você realmente me quiser
Terá que aprender a compreender,
Terá que aprender a me ler.
Nada é tão simples assim
Mas nada é tão difícil também.
Estou dando um passo
De cada vez, no seu tempo
Assim é o ritmo da minha vida.


Se você realmente me quiser
Terá que me entender,
Terá que me aceitar.
A vida já me mostrou
Muitas coisas, e hoje só quero
Colocar em prática tudo aquilo
Que eu aprendi,
Nesses tombos da vida.


Se quiser,
Abrirei o livro da minha vida,
Lerei cada parágrafo,
Mostrarei quem sou.
Mas esteja preparado
Para se perder
No meu mundo.

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Ava? Lanche!

Por Fabio Ramos




uma
hora


o leite azeda


uma
hora


o caldo entorna:


se
às
12


a mulher magra
engorda


vai
ver
que


ERA FOME


(...)


uma
hora


o bucho dobra


uma
hora


o couro estoura:


se
às
16


a mulher bola
rola


vai
ver
que


ERA JOGO

terça-feira, 5 de maio de 2020

Pandemia

Por Denise Fernandes




Estou pandêmica. Entre a cama, o sofá, o computador. Da televisão, olho a programação. Em busca de distração. Ouço o jornal televisivo pela metade, assustada com o número de mortes e a péssima qualidade dos hospitais.

Estou pandêmica. Desenhada entre a Morte iminente, que parece mais ameaçadora do que antes. E um desejo de dar risadas, de ser feliz a qualquer custo.

Estou pandêmica. Agarrada à vida. Toda hora lavando a mão. Faz tempo que estou em casa, em isolamento social. Mas acho que estou preparada para mudanças. É mais fácil, nesse momento, ficar por aqui; sem ter que decidir para onde ir.

Sempre achei que a vida era uma mistura de destino e livre-arbítrio. O difícil é saber onde está o destino  e onde podemos usar nosso livre-arbítrio. A pandemia se impõe como um destino, clareando nossas escolhas. Diante da ameaça da morte, o purgatório se instala em minha mente. Minhas culpas, meus apegos.

Estou pandêmica. Feliz de estar viva, agarrada aos detalhes. Outro café. Um pássaro que canta, essa tarde.

segunda-feira, 4 de maio de 2020

flor da lua em quarentena

Por Ana Paula Perissé




(ao amar entendi a que meu corpo serve,
aquele de mais ajuntado veio cá
a beirar minha pele
hoje, confinada)


quarentena.
pouco tempo tem
tua pele me interrogou
de quem seria meu rosto.


a memória já não se fazia palavra,
narrada em tom desaparecido,
lua que evanesce.


sem espelho, delimita o inédito
forma em corpo outro


já havia claustro
já havia vírus
já havia flor


antes do mundo mudar-se.

domingo, 3 de maio de 2020

O poeta em si

Por Oswaldo Antônio Begiato




(In Memoriam)


Enquanto vela
Me velas.
Enquanto chama
Me chamas.


Defunto obtuso de mim mesmo,
Lacro minha boca cheia de perguntas
Com um silêncio quase eterno.


Há, contudo, um vulcão dentro de mim
Que se torna eruptivo quando tua boca
Toca levemente este meu silêncio.


E teus beijos impregnados de fogo,
Sob as luzes da vela quase impassível
Vindas da chama quase efêmera,
Ressuscitam os versos que não posso enterrar.

sábado, 2 de maio de 2020

Quadrinhas de silêncio

Por Meriam Lazaro




Pergunta o arvoredo jovem,
Às copas do verde antigo,
Se em lágrimas se comove
O machado a ser brandido.


Se a consciência escorre
Vendo pássaros emudecidos,
Quando sem a seiva morre
A floresta e o colorido.

sexta-feira, 1 de maio de 2020