domingo, 8 de março de 2020

Janela

Por Oswaldo Antônio Begiato




o alho
se mostra
ao olho


o olho
à boca
dá molho


será esta
a seresta
ou a réstia
de luz
que pela janela
entra
voando
como um pássaro
e recitando
de cor
os poemas
de Federico?


ou será esta
a réstia
de luz
que pela janela
entra
rompendo
a escuridão
como um cometa
projetando
na alva parede
as películas
de Federico?

sábado, 7 de março de 2020

Velha estampa

Por Meriam Lazaro




Chuva em telhado de zinco
Pinga e não molha a saudade.
Velha estampa e domingos...
Da missa, a novidade.


De quando havia flamingo
Na praia, sonhos debalde,
Mirando o verde absinto,
Qual pescador de verdades.


Princesa, em flor e brinco,
Vestindo suavidade...
Agulha arranhando o disco
Cantando a mocidade.


A nostalgia que sinto
De andar na praça à vontade,
Caminhos que, eu não minto,
Eram da bela da tarde.

sexta-feira, 6 de março de 2020

Português amoroso XCVIII

Por Mayanna Velame




Quando estamos apaixonados,
todo coração é um Menino.
No amor é preciso ser um
pouco Maluquinho!

quinta-feira, 5 de março de 2020

Início sem fim

Por Nana Yamada




Que as nossas mentes possam se cruzar,
e os nossos corações possam sentir.
Mesmo à distância, sem nenhuma palavra,
que possamos sentir a presença um do outro.
Em nossos sonhos, viveremos tudo o que desejamos viver
nesse mundo e na eternidade.
Que meus desejos se tornem os seus,
e as suas vontades se tornem as minhas.
Te espero no meu sonho, assim posso despertar
pensando em você.
Iniciando meu dia com você e encerrando com você.
Paixão que sempre teve um início sem fim.

quarta-feira, 4 de março de 2020

Aerodog

Por Fabio Ramos




o cachorro


ligou
os
pontos


e tudo começou:


sempre
que


a dona voltava


para
casa


*o rabo canino rodopiava


em
um
giro


de 360 graus


(...)


daí
para
perceber
que


(poderia voar)


tal
como


um helicóptero


não
foi


um pulo:


foi
uma
decolagem


(...)


do
alto
o cãozinho
viu


pontinhos pretos se movendo


que
lhe


pareciam formigas


e
ainda


riscos no chão


que
lhe
pareciam


*rabiscos do bebê


(...)


mas
quando


(o combustível acabou)


ele
veio
reabastecer:


ração


de
carne


e petisco dos bons

terça-feira, 3 de março de 2020

Pouco

Por Denise Fernandes




Sinto que aprendi tão pouco.

Aos cinquenta e três anos,

percebo em mim amplos espaços vazios



Estou com várias ideias de começar

quando já é tempo de terminar



Lembro que chorava mais aos trinta anos

Mas não sei porque chorava



A mesma árvore na janela

o mesmo prazer em vê-la

Só a melancolia mudou de lugar



(É de chorar)



Agora

que a chuva

pensa na lágrima

sem dor.

segunda-feira, 2 de março de 2020

formas de voltar para casa

Por Ana Paula Perissé




                se quiseres saber se me perdi,
                ou aquilo que se pendeu,
                diante de mim,
                se foi. Ave!
                o cheiro da terra gritou,
                e eu tremi.
                aquilo que deixei, bem antes, me afaga em texturas etílicas
                 como se tempos não fossem.
                .
                ( sim! agora, tenho videiras)
                .
                são línguas.
                cutucam a pele´lambuzada de sereno
                picada de chuva. \mortal.
                .
                ( que tenhas uma varanda e uma montanha
                 igual a minha, te desejo)


                e das delicadezas que me sou
                volto, à noite. Tudo é memória, de dentro,
                enviscerada. Entranha.


                perdida, sempre fui.


                só retorno a ser.
                ./ah! Esquece!

domingo, 1 de março de 2020

Caixa de maçã

Por Oswaldo Antônio Begiato




Meu coração está podre
de paixão.


Como um coração podre
estraga todos os outros
que estão dentro da caixa de poesias,
é preciso tirá-lo de lá.
Já.


Ou então lê-lo com muita atenção.