quarta-feira, 18 de abril de 2018

Antigamente

Por Fabio Ramos




o mundo era


preto
e branco


na
fotografia


e
no


cinema


(...)


pois
ele não


titubeia ao recordar:


os olhos
de
Bianca


já eram verdes


(...)


sua pele
era


ALVA


e sua boca
era
vermelha


(...)


esse leso


(ruborizava) quando
ganhava


um
beijo
NA NUCA


(...)


ela
ria


disso


no
passado


(e continua rindo)


hoje
50 anos depois

segunda-feira, 16 de abril de 2018

insistência

Por Ana Paula Perissé




                 por vezes a desordem e
                 os abalos põem
                 arranjos aos lugares
                 que nos são desalojados,
                 aqueles lugares de entranhas verdades
                 nossas que não mais reais
                 materializados que são em lonjuras
                 de solos de fantasias,
                 estes lugares de vida que, desde
                 há muito,
                 de mim furtaram-se de sua exígua existência;
                 mas cá, eretos e vulcanizados,
                 insistem em sua discreta delicadeza,
                 nalgum território
                 de que ainda não sei se fulgura
                 em poucos mas doces casulos de acolher;
                 em estradas imprecisas e
                 ainda não rastreadas por waze algum de intimidade anterior;
                 e eles nos acenam com a doçura de
                 1´jogo de imprecisão
                 .
                 erodi-me de toda
                 prenhe deste terreno inconforme e
                 movediço, a calçar galochas
                 para chuvas, névoas e umidades que me chegam
                 em lágrimas sem superfície para escorregar
                 .
                 .
                 é só um cisco de dobraduras eternas
                 que, por vezes,
                 temos de acarinhar do lugar
                 despossuído e povoado
                 de mãos
                 súbita,
                 ainda saúdo
                 as frestas incontinentes
                 de cada tecido e liquor
                 pluricelulares e restantes
                 .
                 .
                 insistência

domingo, 15 de abril de 2018

sábado, 14 de abril de 2018

Tigre

Por Meriam Lazaro


Johnny Depp


Seus passos cadenciados,
perigosos e felinos,
no velho jeans apertado,
o caminhar, o domínio...
Vagam na noite acordados,
seus olhos, puro fascínio!
Tatuagem do pecado,
na pele o tigre domado...

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Fingimento crônico

Por Mayanna Velame




Agora é noite. Ruídos distantes me lembram as agruras da cidade. Um vento manso chama a cortina da janela para dançar. Lá fora, o mundo com seus personagens e enredos. Sobre a linha do horizonte, ladeada de nuvens, poderíamos ensaiar alguns passos. Minha melodia é o teu silêncio. Quanto ao resto, temos o sonho. Temos apenas um ao outro, nessa ciranda da vida.


Finjo que o mundo é bom. Só para você não ter medo de distribuir seu lindo sorriso com qualquer estranho que cruzar pelo caminho. Digo e direi sempre: o mundo é bom. Assim entenderás a importância de deixar a porta da tua casa aberta, nos dias ensolarados de domingo.


Eu finjo e não me arrependo. Meu fingimento é para que não tenhas medo de viver. Por isso te peço: não tenhas receio de acariciar os gatos de rua, nem de correr atrás dos pombos que habitam as praças. No entanto, saibas, meu fingimento não te protege. Ele te encoraja a espiar os aviões e a caçar vaga-lumes no espaço da noite.


O mundo é esse. Eu finjo que ele não te fará mal. Saia do quarto, caminhe pelas alamedas e devolva a bola de futebol aos garotos. O planeta gira e sentimo-nos apenas zonzos e embriagados pela rigidez de viver.


Agora é madrugada. Os grilos cricrilam, felizes. Você já prestou atenção como a natureza conversa com você? Finjo que tudo vale a pena, justamente para que compreendas. O amor será sempre um sentimento forte e ninguém pode, em hipótese alguma, desistir de sonhar.


Confesso a você: vou fingir até cerrar meus olhos, mas quero que acredites. O mundo ainda é bom. Ouça as buzinas dos homens, o tilintar dos talheres anunciando o jantar.


O mundo circula entre nossos dedos. Finjo, com você, sorrisos e choros. Escrevemos frases de amor e fé nos muros da tua rua. Admiramos as estrelas e os outros astros, escalamos esperança, dormimos entre promessas. Somente para esquecermos dos pesadelos que nos assombram, durante as noites de inquieta tristeza.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Antes mesmo

Por Nana Yamada




Antes mesmo de te conhecer, já acreditava que você estava em algum lugar.
Antes mesmo de saber seu nome, eu já sabia: mais tarde ou mais cedo, todas as coincidências se tornariam realidade.
Você passou por mim e lá ficaram seus rastros, criando um percurso até a direção que eu buscava.
No meio de tanta gente, te encontrei. Além disso, descobri que ainda existem pessoas maravilhosas e dignas nesse mundinho, estando tão próximas de mim (e dentro de mim).
Me bastaria um sorriso ou, até mesmo, tuas palavras  seu tempo e sua atenção.
Dentre todas essas coisas, encontrei aquilo que nunca tinha experimentado, aquilo que sempre esperei, e aqui está… Você em mim.
De que maneira tudo isso aconteceu? Foi tão rápido que não consigo achar palavras para descrever o que você me faz sentir.
Antes, bem antes mesmo, eu já sabia que a lua iluminaria nossas noites...

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Ambiente carregado

Por Fabio Ramos




na pista
de
boliche


um arremesso


a bola
rola


pela canaleta


e nem
trisca
nos pinos


(...)


uma
frase


(antes)


da
nova


jogada:


É
MELHOR
ACERTAR AGORA


(...)


com
um serpentear


infame


a esfera derruba
dois putos


(...)


então


dos
lábios


(saiu)


uma
praga


e
sem lançar
a bola


novamente


todos
os
pinos


vieram ao chão

segunda-feira, 9 de abril de 2018

farsantes

Por Ana Paula Perissé




                           a ardência do real
                           em flocos prateados
                           obscura
                           em parte, enluarada
                           todavia
                           ainda pulsante
                           de ficção!


                           ah! a deliciosa delicadeza ficcional
                           o que é de facto?
                           o quê sou de facto?


                           vertigens de arrepios
                           farsantes
                           (uma chama bruxuleante
                           sempre ao relento)
                           sombras iluminadas
                           com vontades autônomas
                           sem nomes


                           somente, aparições


                           ( eu abraço o acaso, será que ele me permite?)