domingo, 9 de abril de 2017

sábado, 8 de abril de 2017

E não sobrou nenhum

Por Meriam Lazaro




Hãhã! Desse não posso contar quase nada. Tido como o livro top da escritora Agatha Christie, já teve outro título no Brasil: "O caso dos dez negrinhos" (Ten Little Niggers). Dizem os fofoqueiros de papel que o título foi alterado por não ser politicamente correto. Na verdade, a referência se deve a dez soldadinhos de porcelana que enfeitam a sala da mansão, da Ilha do Soldado, e ao poema:


"Dez soldadinhos saem para jantar, a fome os move,
Um deles se engasgou, e então sobraram nove.
Nove soldadinhos acordados até tarde, mas nenhum está afoito;
Um deles dormiu demais, e então sobraram oito.
Oito soldadinhos vão a Devon passear e comprar chiclete;
Um não quis voltar, e então sobraram sete.
Sete soldadinhos vão rachar lenha, mas eis
Que um deles cortou-se ao meio e antão sobraram seis.
Seis soldadinhos com a colmeia, brincando com afinco;
A abelha pica um e então sobraram cinco.
Cinco soldadinhos vão ao tribunal ver julgar o fato;
Um ficou em apuros, e então sobraram quatro.
Quatro soldadinhos vão ao mar, um não teve vez,
Foi engolido pela arenque defumado, e então sobraram três.
Três soldadinhos passeando no zoo vendo leões e bois,
O urso abraçou um e então sobraram dois.
Dois soldadinhos brincando ao sol, sem medo algum,
Um deles se queimou e então sobrou só um.
Um soldadinho fica sozinho, só resta um.
Ele se enforcou e não sobrou nenhum".


É uma boa e intrincada história, válida pelo suspense. Espero que a escritora tenha outros suspenses psicológicos de maior profundidade.


Livro: E não sobrou nenhum
Autora: Agatha Christie
Editora: Globo Livros

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Sabará

Por Mayanna Velame




Sabará
Saberia
O sabor que tem?
Tem palato de jabuticaba
E algo mais além!


Saberá
Sabará
Quantas igrejas tens?


Ó!!!


Conceição,
Maria do Carmo
E Francisco.


Todos te abraçam
Para o Barroco,
Delinear teus traços.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Impostura

Por Fabio Ramos




anseia
por
equilíbrio


na corda bamba


quando
seu
ego


pavoneia os
pares


(enquanto megafonas)


um arrojo
que
é
ficção


(...)


se renunciares
ao charco


FILHO
MEU


terás a proporção
desse
teu
esquecimento

terça-feira, 4 de abril de 2017

Amor love story

Por Denise Fernandes




mamilos, peito

deitar no teu peito

te usar como travesseiro

quando o amor é contido

seu cheiro é mais forte

tem a força de uma baleia

a garra de um crocodilo

amor terno amor

me espere, me beije

me sinta

na água espessa da

chuva que cai.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

virtuelle

Por Ana Paula Perissé




                                         do que não se fez
                                         sou apenas
                                         partes
                                         somas tantas
                                         de todos os carinhos
                                         que não me tocaram
                                         de todos os olhares
                                         que não me fitaram
                                         de todo o calor
                                         que não aqueceu
                                         meu corpo sem ninho


                                         ( a solidão apazígua
                                         quando se sabe
                                         que morremos só)


                                         a solidão me devora
                                         quando sinto
                                         que um amor
                                         só se faz unidade
                                         à dois.


                                         pois sou a perda
                                         de tudo que pedi
                                         à alma de ti
                                         do mundo
                                         sem voz


                                         sou virtu
                                         sem potentia
                                         de uma semente sem berço
                                         origem a-visceral

domingo, 2 de abril de 2017

No não dizer

Por Oswaldo Antônio Begiato




Não estou
Não sou
Não vou


Não mudo
Não quero
Não posso


Não


Pronto
E ponto.


Há no não dizer
Uma inescrutável euforia
Uma inestimável alforria

sábado, 1 de abril de 2017

Alerta de risco

Por Meriam Lazaro




Contos. Olha que não sou muito chegada em contos. Bem, isso não é mais verdade. O que ocorre é que eu perco a concentração do terceiro conto lido na mesma sentada. Uma vez sabido o problema se resolve lendo um ou dois contos por vez. No caso do alerta Neil deixa o leitor inteirado sobre as surpresas e dissabores que poderá encontrar com a leitura, não só desse, mas de qualquer livro, incluindo os livros que lemos na infância e que não eram indicados para a nossa faixa etária. Eu que o diga sobre "Horror em Amityville", lido aos 10 ou 11 anos, e que povoou meus pesadelos por décadas! Bem feito. Até hoje tenho receio de reler. Há contos divertidíssimos. Daqueles que a gente se põe a gargalhar alto na calada da noite. Irresistíveis. Dois contos mais extensos foram releituras: "A bela e a adormecida" e "A verdade é uma caverna nas montanhas negras". De qual mais gostei? Não teve apenas um. Destaco: "Detalhes de Cassandra", "Minha última senhoria", "Um calendário de contos", com uma história para cada mês, dos quais destaco o conto de Setembro; "Laranja". Ai, são quase todos. Como cobertura do bolo delicioso o autor na Introdução presta esclarecimentos sobre a criação de vários contos. Pode ser lido como Prólogo.


Livro: Alerta de risco
Autor: Neil Gaiman
Editora: Intrínseca