sábado, 12 de dezembro de 2015

Exílio

Por Meriam Lazaro




Com quantos dós te perdeste
Neste solo reprisado?
De ti mesmo te exilaste,
Ou será de teu passado?
Verdes anos, horas mortas...
Tudo, tudo hoje assoma
E na noite te desperta
O presente agraciado!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Ruídos urbanos

Por Mayanna Velame




Na tentativa de não dar audiência à solidão noturna, desligo a TV. Acendo um cigarro e logo me sinto como animal sufocado pelo próprio destino. Na cozinha, preparo o café. Tomo três goles. Até que a bebida acolhe minha alma atormentada.


Entre as paredes deste apartamento, fantasmas do passado alimentam a angústia.


Angústia de quê?


Com o corpo febril e a mente cansada, afasto as cortinas. O silêncio é rompido. Sirenes, buzinas, motores de carro, vozes. Os cães ladram longinquamente – ruídos urbanos que, de certa forma, me animam. Lá fora, a cidade nos rodeia com prédios, antenas de TV, e ilumina meu semblante com luzes.


Por um momento, sinto-me feliz. No céu, aviões cruzam o horizonte (deixando retalhos de nuvens para trás). Eu poderia estar a bordo daquela aeronave. Desvendando seus segredos e seu destino...


Desço do edifício, ando pelas ruas, tropeço entre as calçadas. Pessoas vêm e vão. A cidade não para. É gigante. É cenário da nossa rotina e decadência. Divido espaço com homens, mulheres, mendigos e ratos. Seres que se perdem e se acham no asfalto úmido.


Com o velejar das horas, volto para casa. Esqueço o passeio noturno. A janela é um quadro pincelado por estrelas minúsculas, que piscam sem cessar. Elas continuam lá, vibrantes, com um cintilar ritmado. Talvez queiram permanecer assim até a chegada dos primeiros raios de sol.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Escaldar

Por Fabio Ramos
 



o
sapo
chafurda


(no lodo)


ele pensa
que é
seu


(dono)


e quase engasga
ao coaxar


o
sapo
com barbas


(de molho)


ele incha
nas
águas


(morno)


nem percebe
a fervura
lhe
cozer

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

pássaro

Por Ana Paula Perissé


Imagem: Ana Paula Perissé


                                       ele tem fuga para pássaros
                                       e é tão cheio de furos
                                       que sai muito de sua alma
                                       até a nossa



                                       e o encanto de um
                                       voo raso
                                       em píer deslocado de desejos
                                       chama pela cor
                                       de um silêncio maroto
                                       que só os bêbados
                                       de muita vida
                                       põem-se a bailar
                                       com a cor de teu vestido
                                       de amanhecer lilás



                                       ( eu vi um pássaro
                                       a filosofar
                                       aquilo que não sei)

domingo, 6 de dezembro de 2015

Rondel a meu amor

Por Oswaldo Antônio Begiato




Eu te amo com a alma cheia de esplendores
Nos cantos mais obscuros do infinito;
Eu te amo com a intensidade das dores
Que me deixam inconsequente e aflito.


E dos sonhos que tive de amores
Tu és a que vens cumprir o escrito,
Como o orvalho rouba frescor das flores
E a eternidade tudo que é finito.


Como não sei fazer um verso bonito,
Para aliviar teus doidos temores
Apenas repito o que tenho dito:
Eu te amo com a alma cheia de esplendores
Nos cantos mais obscuros do infinito.

sábado, 5 de dezembro de 2015

Fim do dia

Por Meriam Lazaro




Uma árvore se acende!
Um feixe de galhos nus dança aos últimos raios,
como a pedir um minuto de silêncio:
o sol morreu no rio.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Jasminum polyanthum

Por Fabio Ramos
 

 
 
menina
flor


projeto
de
mulher


que
um dia
(sem aviso)
irá
brotar


menina
flor


olhos
de
espelho


se
teu
jardineiro
é
omisso


se
teu
beija-flor
tem
compromisso


azar
o deles!


que a distância
estarão


que
privados
serão
de
teu
perfume


(poema)