sexta-feira, 24 de abril de 2015

Todo

Por Mayanna Velame




Em todo coração
Existe uma paixão...
 
Em todo amor
Existe uma dor...
 
Em toda saudade
Existe uma necessidade...



Em toda vida
Existe uma despedida...
 
Em todo desejo
Existe um medo...
 
Em toda palavra
Existe uma espada...

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Bodas osórias

Por Amilcar Neves*

 
 
Coube-lhe integrar a lista dos convidados de sábado para as Bodas de Ouro celebradas em Tubarão. Bodas de ouro, entre os Osórios, só se equiparam a aniversários de 21 anos. Ambas são consideradas pela inumerável família do Sul catarinense efemérides mais importantes do que nascimentos, batizados, festas de 15 anos e, mesmo, casamentos e funerais. O motivo é simples de entender: os 50 anos de qualquer casamento marcam uma afirmação categórica da força e da tenacidade osórias, com efusivas homenagens prestadas aos protagonistas, enquanto os 21 anos de idade de um Osório ou uma Osória proclamam sua entrada efetiva na idade adulta (o que significa assumir responsabilidades e parcelas de poder), depois de três anos como motorista habilitado e, ao menos, duas eleições como votante e, não raras vezes, também como votado.
 
O povo osório, como ninguém ignora, espalha-se por todos os municípios da Região Sul de Santa Catarina, e apenas ali eles vivem, todos, com duas únicas exceções: não há Osórios no município de Imaruí, onde eles não conseguem se estabelecer por não serem aceitos naquela comunidade sulina, e somente um dos seus membros radica-se com unhas e dentes fora daqueles domínios (em todos os sentidos do termo), para imensa consternação osória. Trata-se, este, do indivíduo de nome Manoel Osório, residente e domiciliado na Capital do Estado.
 
Mesmo sendo eles tantos e tão importantes, como efetivamente o são, nenhum deles, nem mesmo Manoel Osório, é jamais deixado de lado. E não foi diferente nas solenidades encomiásticas (palavra muito em voga quando casaram) dos 50 anos do matrimônio de Erecina Osória com Augustinho Osório.
 
Solenidades é o termo preciso para descrever a situação, pois que é impossível reunir todos os Osórios em um único lugar num único dia, e este tipo de comemoração (que, ultimamente, tem ocorrido numa média de uma por mês no seio do vasto clã osório) carece desenrolar-se em três, quatro e, até!, cinco dias.
 
Tocou a Manoel Osório, assim, ser convidado da lista de sábado em Tubarão, oportunidade que teve para admirar muitas primas que desconhecia, com várias delas comprazendo-se jubilosamente, e bastante admirou-se da quantidade de promissoras sobrinhas que lhe brota de todos os lados.
 
Preze a Deus que ele um dia nos conte tudo o que viu, ouviu e, em especial, tudo o que fez por lá naquela ocasião.

*Crônica publicada no jornal "Diário Catarinense" de 02.06.10

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Festa dos Cupins

Por Fabio Ramos
 
 


lombada de
livros
não-lidos
na
estante
 

TOMO I
(gole de vinho)
 

TOMO II
(brinquedos do filho)
 

TOMO III
(tabefes na cara)
 

*
 

lombada de
livros
que
não estão
na
estante
 

PRISIONEIRO
DE
UMA
CANÇÃO
 

CONTOS D'ESCÁRNIO
TEXTOS GROTESCOS
 

A ARTE DE PRODUZIR
EFEITO SEM
CAUSA
 

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Tannat

Por Ana Paula Perissé


 

                                          quando se sente
                                          que o transverso
                                          do existir
                                          jaz numa taça
                                          âmbar que dança
                                          inebriando palavras
                                          por dança de cristais
                                          o sabor do desejo
                                          de sorver o mundo                                        
                                          como num único
                                          derradeiro
                                          instante
                                          é VIDA



                                          há de se ter
                                          alguma verdade
                                          que baile
                                          conosco



                                          perfume do fim do mundo.

 

domingo, 19 de abril de 2015

Quelha

Por Oswaldo Antonio Begiato




As avenidas largas agora me cortam a essência.
Trazem concreto, violência e impersonalidade
E a velocidade do tempo me esgota os poros.
Meus olhos secos sangram ao sol e ao vento.
 
 
Quero os caminhos apertados e pequenos
Que me enchiam os olhos de simplicidade
E a boca com o sereno gosto da meninice.
Eles me ninavam com promessas de futuro.
 
 
Oxalá, pudesse eu ainda ser acalentado!

sábado, 18 de abril de 2015

Eterna mente jovem

Por Meriam Lazaro




A manchete na capa da revista: “O amor não tem idade!”. Logo abaixo, a fotografia de uma atriz de quarenta e oito anos de idade (e seu companheiro). O detalhe é que, não fosse a extensa filmografia, à atriz não daríamos nem trinta e três, idade do seu jovem marido. Nem tão jovem assim... Casados há cinco ou seis anos, certamente foram protagonistas de várias manchetes dessa natureza.


Alguns homens do lado de lá da mídia, ou do lado de cá, costumam trocar uma mulher de quarenta por duas de vinte. Algo assim, dizem. Algumas mulheres buscam a igualdade em atitudes semelhantes. Nada demais.


Por outro lado, mesmo os que vivem da imagem, não deixam passar em branco um falso elogio. Em entrevista para a televisão local, um ator ficou ofendidíssimo após o comentário da entrevistadora: “Setenta anos? Ah, é jovem!”. Ele, acostumado a esmiuçar textos, respondeu que ser chamado de jovem, aos vinte e cinco anos, é normal. Depois disso, é ser tratado como retardado. Esta, a ideia. Outras, as palavras que já não lembro.


Somos muito sensíveis à idade. Não é sem motivo que as indústrias de cosméticos prosperam. Fotografam meninas de treze anos para vender seus produtos. Nas clínicas estéticas, de tanto serem repuxados, os olhos ficam totalmente verticalizados. Mas as plásticas não conseguem disfarçar tudo. A vaidade faz parte do ser humano – e é melhor ser vivida no físico do que virar arrogância na mente. Agora, cuidado ao contar as experiências... O ouvinte atento pode somar os anos facilmente!
 

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Significados

Por Mayanna Velame


Imagem: Suu Li
 
 
E abril se abriu para nós.
O Sol ecoando das teclas
do teu piano,
não é o Sol que cintila
nessa tua face malograda.



Significados não significam.
Eles se transformam...
Eles evoluem...
Adormecem e despertam
nas raízes de tua mente.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Fantasmas

Por Wagner Silva
 

Sim, fantasmas existem.
No fundo, todo mundo sabe disso.
Memórias, incertezas, cobranças, medos.
E do "nada" eles surgem.
Na mesma velocidade que podem desaparecer.
E não é preciso escuro ou solidão para sermos assombrados.
Tampouco remédio ou vacina irá detê-los.
Na verdade, só existe uma forma de aniquilá-los.
E a solução, cada um traz (ainda que não saiba) consigo.

Afinal, cada um é responsável pelos seus próprios fantasmas.
 
 

Paulista que reside em Salvador (BA).
Formado em Ciências Biológicas e mestre em Zoologia.
Autor do blog Codificando Ideias.