quarta-feira, 8 de outubro de 2014

A Solucionar

Por Fabio Ramos
 
 


o
problema
é
cera
no ouvido
?

 
use
cotonete
 

o
problema
é
dor
de barriga
?

 
busque
um
sanitário
 

o
problema
é
grana
?

 
FO-DA-SE


o
problema é
solidão
?

 
vá ao
metrô no
horário
de
pico
 

(...)
 

e
então
seu
esquerdismo
virou
fanatismo
?

 
leia
os artigos
do
Olavo


(ora porra)
 

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Avenida

Por Denise Fernandes




Você grita na avenida
para eu não ir embora;
eu iria, mesmo sem saber para onde
talvez você saiba que eu iria
mesmo sabendo a noite fria
em qualquer ponto eu te surpreenderia;
tem essa fé estranha e vazia
como um abraço, sim você saberia
o que comigo acontecia.
Se não vou embora, entenda
é que ficando mais, voo mais.
Longe de ti, não te esqueço.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

juventude

Por Ana Paula Perissé
 
 


                                           queria imprecisar
                                           teu sorriso
                                           e deslizar-me.
                                           nas bordas de tua


                                           sombra
                                           tempo.

                                           são vagas
                                           tão distantes.
                                           espero-te

                                           só.
                                           sem mais chances
                                           de erro
                                           obliquidades
                                           abruptas,

                                           há pouco e
                                           falta-me
                                           demasiado
                                           nada.

                                           (urgência de brotos
                                           1´semente a perder-se
                                           quase)

 

domingo, 5 de outubro de 2014

Armadilhas e fronteiras

Por Oswaldo Antônio Begiato
 
 

 
Passei por tantas armadilhas,
Cruzei muitas fronteiras
Durante o tempo em que renascia
Nessa minha vida de errante.

Bonecos, somos todos modelados com o mesmo barro,
Pelas mesmas mãos.

De que me serviu dizer sempre a verdade?
Venci na vida?
Venci nada. Indigente, envelheci.
E não é o tempo que envelhece,
É o abandono,
A falta de perdão.

(Aprendi que o dinheiro compra todos os perdões,
O resto é léria.)

E eu que sou inhenho incorrigível
Fui morrendo de tristeza e de vergonha.

Se eu soubesse que iriam espalhar pela internet
A foto descolorida de um escravo morto
Com os cabelos presos e a pele tenra
Eu teria colocado uma camisa mais bonita,
Dessas que obrigam o sol a nascer
Seis horas antes do funeral.

Talvez eu fosse festejado.
 

sábado, 4 de outubro de 2014

Morte e Vida

Por Meriam Lazaro
 
 
Imagem: Meriam Lazaro
(Redenção - Porto Alegre, RS)
 
  
Há mortes e mortes e a Morte! Já a Vida só há uma, pelo menos entre o espaço pontilhado da Certidão de Nascimento e da Certidão de Óbito. Se nesta última necessitasse constar a causa “mortis”, seria pedir muito que a minha fosse “morreu de rir”? Aquele riso de corpo inteiro, irresistível e contagiante que a pessoa pode até esquecer o motivo exato, mas se lembrará do efeito para sempre enquanto o sempre existir. É o tipo de riso que se contado não provocará a tortura do riso, mas uma espécie de risinho brando. Poucos dias atrás uma amiga falou-me de sua irmã, recém separada, que está com dois namorados e justifica porque “com um rola química, mas com o outro rola uma coisa pra alma”. Por pouco não desencarnamos, eu e minha amiga, do tanto que rimos da adolescente de cinquenta anos. O riso histórico, contudo, aconteceu em sala de aula, lá pela oitava série. Aula de inglês, estava com um livro cheio de figurinhas e diálogos patéticos “você quer café”, “você quer açúcar”... Comecei a rir descontroladamente e os colegas também mesmo sem saber o motivo do riso. A professora se viu obrigada a pedir para eu me retirar da sala. Saí com o livro de inglês na mão, mas lá fora olhei as figurinhas e não vi graça nenhuma. Voltei para a aula com um “excuse me, teacher”. Seria uma boa morte aquela causada por riso coletivo. Imagine se a polícia, nos movimentos grevistas e paralizações, para conter os baderneiros ao invés de gás lacrimogênio soltasse uma bomba de riso?! Isto sim, ainda que não solucionasse os problemas da nação (coisa que ninguém quer), seria muito mais divertido. Muito melhor chegar do lado de lá movido pelo prazer do que pela dor. Ou não chegar a lugar algum quando aqui não encontramos motivos para o riso, o que seria morte em vida. Quanto à Vida, fico com o gênio entrevistado na rua para o programa Provocações nº 513 da TV Cultura: “A vida para mim é a base de tudo, sem ela acho que não estaríamos aqui e a vida é, como se diz, inexplicável. E a vida é tudo na nossa vida!”

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Português amoroso VI

Por Mayanna Velame
 
 


Um risco de grafite
te ofereço...
Trisco em letras
tortas e úmidas.
Estou à margem do teu papel.
 

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Tribuna sem responsabilidade

Por Amilcar Neves*

 

A verdade é que, com a Internet, todo mundo tem o seu espaço para manifestações.
 
 
O problema é que se manifesta inclusive quem não tem o que dizer. Quem não sabe o que dizer. Quem não sabe escrever. Quem não sabe raciocinar. Quem só pensa aquilo que outros já pensaram. Quem aceita qualquer barbaridade, e a passa adiante, desde que atenda a suas inclinações políticas, ideológicas ou religiosas. Quem ouviu falar mas não foi a fundo na questão, nem mesmo para conferir fontes, veracidade e a credibilidade da informação. Sequer atentam para a consistência interna do texto, dos dados e das imagens. Se alguém disser (não precisa provar nada) que um gás proibido, conhecido pelo código secreto YK7-98, foi usado na Guerra do Golfo e que, por causa dele, em um pequeno vilarejo das montanhas no deserto iraquiano todas as crianças passaram a nascer com seis dedos em cada mão, e sete nos pés, elas alardearão ao mundo essa notícia que os serviços de inteligência dos EUA guardam a sete chaves como o maior segredo militar de todos os tempos.
 
 
A Internet dispensa até o "trabalhoso" processo de recortar e colar: basta compartilhar e a coisa voa longe. A Internet virou o paraíso dos teóricos da conspiração: "rápido, leiam e repassem antes que mandem apagar", "veja e repasse, nem a Globo mostrou, até ela está controlada", "verdade que a Ciência descobriu e o governo não quer que ninguém saiba". Por aí vai, todo mundo conhece isso. A Internet é ótima para destilar ódios e preconceitos, dadas a aparente proteção de um hipotético anonimato e a doce sensação da mesma impunidade que condenam nos políticos.
 
 
O que essas pessoas fazem é exatamente desacreditar uma facilidade que poderia servir como meio de conhecimento e libertação. Fazem o jogo que supostamente combatem. Ao invés de raciocinarem, reproduzem tudo que lhes chega e sentem-se participantes das decisões do mundo; influentes em suas redes de contatos; confortáveis por agirem, mesmo sem levantar da cadeira nem produzir uma única palavra. Só repassando o que outros, semelhantes, lhes mandaram.
 
 
O nome da coisa
 
 
Honestidade é o fator que permite a discussão saudável de qualquer assunto. Honestidade intelectual. Se não adulterarmos fatos, estatísticas e informações, se não forjarmos argumentos e imagens, se não distorcermos princípios e a História, se tivermos senso crítico para filtrar o que recebemos, se nos armarmos de conhecimentos básicos sobre a vida e sobre o tema da conversa, se aceitarmos as evidências que se apresentarem, podemos - e devemos - discutir desde futebol a ideologias, desde religião a política, desde cores até mulher.
 
 
Jamais poderei discutir ditadura, por exemplo, com alguém que admita que um pouco de tortura, umas mortezinhas ali e acolá, um tanto de censura fazem bem à sociedade e ao País.
 
 
Com honestidade intelectual até gosto se discute - sem que ninguém se sinta ofendido ou irritado.
 
 
Escolas de idiomas
 
 
Você pode aprender inglês (# 1, indeed), espanhol, francês, alemão ou italiano em qualquer cidade de porte médio do Brasil. O japonês também já está amplamente disponível. Houve época em que, mesmo nos EUA, conhecer o russo era questão de sobrevivência profissional. Esfarelada subitamente a União Soviética, quem agora se impõe, e exige seu conhecimento por parte de quem deseja o sucesso, é o mandarim. A despeito de também integrar o BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e Sul-África), a China é grande demais para ser ignorada e produz todo tipo de bugiganga para o mundo todo. Cosmopolitas que desejamos ser, não deixamos de aprender esses idiomas todos.
 
 
Só não dá para entender por que não existem, no Brasil, escolas de idiomas que ensinem português para brasileiros - conhecimento tão falto no País.

*Crônica publicada no jornal "Diário Catarinense" de 23.07.14

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Né não, Zezão?

Por Fabio Ramos
 
 


deve ter
uma
explicação
:
 

por que o
trânsito
não
anda
quando estamos
atrasados
?
 

por que
sol
e
chuva
ao mesmo
tempo
?
 

por
que
subestimar
a
intuição
?
 

por
que
insistir na
dose
?
 

por
que
tanto
reclamar
e
pouco
agradecer
? 

 
por que a
fumaça
acha
os
não
fumantes
?
 

por
que as
mulheres
complicam o
que
é
simples
?