sábado, 14 de outubro de 2017

Retrato antigo

Por Meriam Lazaro




Um retrato em preto e branco
tem a pureza do linho...
Tempo casto e sem pressa,
com a sutileza da flor
que falta o espinho.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Um dia eu acreditei

Por Nana Yamada




Um dia eu acreditei
Que poderia confiar
No seu olhar tão apaixonante
Que poderia descansar
No seu peito tão aconchegante


Um dia eu acreditei
Que havia me encontrado em você
Que a sorte vinha junto com seu amor
Nunca quis voltar para a realidade existente
No perigo que corríamos, pelo nosso encontro


Um dia eu acreditei
Em cada palavra sua
Em cada pedaço de você
Em cada sentimento
Em cada momento


Um dia eu acreditei
Que você seria meu
Que eu seria sua
Seríamos apenas um
E somente nós...

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Um coitado

Por Fabio Ramos




já sabia
da


falha


do escorpião
no bolso


mas


o dom
era surpresa


(...)


um
estopim
para


detonar


um
gatilho


para disparar


(...)


o nome
da


LUZ


não
emite


embora seja


sua
sombra


(...)


não admite e mente


ao falar
em
mérito próprio


no que


de
graça


RECEBESTE


(...)


e
eles
constatam:


medo


(arrogância)


a
INVEJA


no
vão
da armadura

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Amor, essa matéria

Por Denise Fernandes




Aos cinquenta anos, ela se assustou: é possível amar mais de uma pessoa? Disse que sim. Com certeza. Ela ficou perplexa. Disse que sempre pensou que amor de verdade era apenas por uma pessoa. Argumentei que era visível: muitas vezes, as pessoas amavam mais de uma pessoa. Mas de verdade?  ela refletia. Sim, acho que de verdade. Sempre que amei foi de verdade. Existe amor de mentira? Existe amor pouco, amor torto, pré-amor, amor de verão, amor de carnaval. Existe amor imenso. Existe amor infinito.

"Amor é uma matéria que a natureza tem tecido e a fantasia tem bordado". Encontrei essa sábia frase num dos bordados da maravilhosa exposição A Casa Bordada. Depois, estava sem fazer nada. E pra me distrair, abri uma velha enciclopédia que foi da minha mãe. Me deparei com os versos de Camões: "Amor um mal, que mata e não se vê;/ que dias há que na alma me tem posto/um não sei quê, que nasce não sei onde,/ vem não sei como, e dói não sei por quê".

A busca romântica é cheia de fantasias, de ideais a serem conquistados, de bordados.

Outra amiga me chega: acho que amo demais, faço parte das mulheres que amam demais. Digo a ela que isso é bobagem, frase de efeito para vender livros e palestras. Não existe amor demais. Todo amor pode ser até pouco (quando olhamos pros nossos abismos).

Depois veio o meu namorado reclamar: você não tem amor incondicional por mim! Não tenho... Tenho amor condicional, serve? É um amor bonito nas suas condições, preferências e exigências. É um amor sol dourado e potente mas, como um planeta, precisa dos seus gases e luas. Meu amor precisa de determinados valores. Sem eles, saio em galope pela noite, me transformo em busca incessante. Meu amor por você tem a delicadeza do pé de dama-da-noite, cheirando no jardim. Meu amor por você tem força e poesia.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

semiótica personal

Por Ana Paula Perissé




                                            jogo no escuro
                                            em sono fora de mim
                                            e acerto.


                                            nas moscas sem
                                            sopa
                                            em cada migalha
                                            de átomo ferido


                                            sumiço de mundo.



                                            [ enquanto há beijos
                                            sem palavras
                                            ou significantes


                                            signais de bacantes
                                            em silêncio


                                            barulho´gostoso´vivaz. ]

domingo, 8 de outubro de 2017

sábado, 7 de outubro de 2017

Outubro

Por Meriam Lazaro




A chuva da tarde
traz fresca à cidade.
O Sol, de hora nova,
irrompe brumosas
nuvens de saudade.


Garça guardiã
do rio d'águas turvas
descreve em curva parábola branca!