domingo, 16 de junho de 2013

O Poeta II

Por Érika Batista
 
 


                                Vocês que pensam que o poeta é sensível.

                                O poeta é frio.

                                Pois só alguém frio pode pegar sentimentos

                                           e transformá-los em palavras

                                           e palavras trabalhadas
 
                                Expondo-os cruamente em troca de reconhecimento.

sábado, 15 de junho de 2013

Dois Amores

Por Meriam Lazaro



BELA, cansada da traição do marido, pediu o divórcio. Sentindo a melancolia da casa vazia após o trabalho, voltou a estudar. De origem italiana, queria conhecer Veneza, razão da escolha do curso. Após as apresentações no primeiro dia de aula de italiano, a professora indicou recursos extras para auxiliar no aprendizado da língua de Pavarotti. Optou pela internet, entrando num “chat” para conversar. Primeira pessoa com quem conversou foi aquele que, dois anos depois, seria seu marido e passaporte para adquirir dupla cidadania. Além de aprender o idioma, estudou, em detalhes, o belo italiano.
 
DONA estudou sem cessar o ano inteiro para ingressar na faculdade. Tímida, desde o início da adolescência nunca havia namorado, salvo pela internet para treinar “I Love You”. Depois do primeiro ano de faculdade, os pais lhe patrocinaram um ano sabático. Viveria em outro país para praticar o inglês. Foi logo ali, na Austrália, para estudar. Mais alta que a média das moças, ficou feliz por ter encontrado o par ideal, um inglês, com quase dois metros de altura. Infelizmente, chegou a hora de voltar para seu país e despedir-se dele. Retomou a faculdade, enquanto nas horas livres conversava pela internet com seu lorde. Numa das conversas, ele perguntou: - Qual o seu maior desejo neste momento? Sem titubear, respondeu: - Que você estivesse aqui comigo. A campainha tocou. Ela foi abrir a porta. A surpresa havia sido combinada com os pais da moça. Casaram-se antes do visto de permanência dele vencer. Formada, mudou-se para Leipzig, onde reside com o seu inglês e estuda alemão.
 
ROSINHA, viu as primas tão bem casadas, quis imitá-las. Tratou de arranjar um marido pela internet também. Como era preguiçosa, nem pensou em estudar. O outro idioma ficava por conta da linguagem do Orkut: "naum", "tc cmg", "blz", "me add" e outros diálogos marotos. Logo conheceu alguém. Tecla daqui, tecla dali, para fugir do clichê, não trocaram fotografias. No encontro às escuras, ou melhor, à luz do dia no parque, se reconheceriam pelo coração! As coordenadas eram: cor de roupa, cabelo, altura, mochila. Mas, Cravo (apelido romântico) era feio como o demônio com dor de barriga. Rosinha passou indiferente e ao longe, renegando o pobre diabo ao computador, de onde nunca deveria ter saído.
 
Afinal, são apenas dois amores...

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Então, Amor

Por Mayanna Velame



Abri a janela do quarto, apenas com o intuito de ouvir melhor as gotículas geladas que desciam do céu. Melodia perfeita para quem tem saudade de amor. Interessante como nosso coração é palco de paixões ora avassaladoras, ora tímidas e inibidas.
Todos nós precisamos de amor. Contudo, não me refiro aos momentos que se resumem na entrega de dois corpos desenlaçados, em lençóis frios e surrados. Proclamo sim, o amor desbravador, corajoso, sem receio de navegar em mares de ondas gigantes e pungentes. Exalto o amor sublime, disposto a voar com você, não importa o tempo e o lugar.
Porque amor verdadeiro não dura apenas no verão, mas sobrevive ao inverno das circunstâncias e se exalta na primavera das conquistas e vitórias. Amor digno, não se sustenta em cifras e contas bancárias. Amor nobre soma e multiplica alegrias. Divide sonhos e subtrai os medos. É capaz de oferecer uma barra de chocolate, como se estivesse ofertando barras de ouro.
É desprovido de preconceito e vaidade. O beijo na boca nos leva à catarse e o toque das mãos é símbolo de amizade e respeito. Engana-se quem pensa que o amor está apenas escrito nas canções românticas, nos versos de Camões e Drummond, nas novelas de protagonistas utópicos.
O amor reside nas lágrimas que umedecem a face, no sorriso recíproco, na confiança inabalável. Do paladar salgado e amargo, retira o doce da arte da convivência. Acende as chamas adormecidas em meio à escuridão da noite.
De um amor assim, queremos. Pois, por ele não matamos, mas morremos. Amor, espada banhada pela esperança. Como poderíamos defini-lo?
Simplesmente, não há definição para ele. Já que, para o amor, vivê-lo intensamente nos torna únicos e diferentes do resto de todo o mundo.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Amélia Desgarrada

Por Rayane Medeiros




                         Nasceu como nascem todas as outras:
                         Amélia em potencial.
                         Por força de querer trilhar seu próprio destino,
                         Desgarrou-se.
                         E ama como os loucos;
                         Vive como os bêbados;
                         Sonha como ninguém.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Tinhoso

Por Fabio Ramos






o demônio
acelera
em
duas rodas

o demônio
não
entra sem
convite

o demônio
infla teu
ego

o demônio
sugere
e
você
embarca

o demônio
tem
aversão a
clichês
(tridente)
(rabo)
(chifres)

o demônio
aperta
13
na urna
eletrônica

o demônio
engana
paspalhos

quem
não diz

terça-feira, 11 de junho de 2013

Angústia

Por Denise Fernandes

                      

                         Um cigarro atrás do outro.
                         Vontade inútil de ser gente
                         quando se é cigarro ponte fotografia;
                         Tudo batendo,
                         ou a alma dentro de um foguete. 
                         Rapidamente ou intransponivelmente tempo...



segunda-feira, 10 de junho de 2013

minus´1

Por Ana Paula Perissé

  

                                              1´lance de
                                              fio
                                              (nau)

                                              novelo
                                              sem começos
                                              embaços
                                              até o final:

                                              fica 1´
                                              às vezes nenhum
                                              zero.

                                              alma minha
                                              minus´1.


Imagem: Ana Paula Perissé
 

domingo, 9 de junho de 2013

O Poeta

Por Érika Batista
 
 
 
 

                     O poeta é feito pra sofrer
 
                     Porque se não sofre, não compõe
 
                     E se não compõe, como alentar os sofrimentos dos outros?