quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Condicionante

Por Fabio Ramos




a porta


abre


para você


que
é


a chave


(...)


o
amor


só pode nascer


com
você


que é a metade


(...)


não
cabe


no peito


esse
quase


TORNADO FOGO:


a
lava


só queima


em
nós


no plural

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Sísifa

Por Denise Fernandes




Todo dia essa pedra. Perdôo e desperdôo. Nova manhã e tudo recomeça. Castigo por fugir da morte. Mas quem se entrega fácil, não tem o prazer que sinto na própria pedra.

Em algum momento da vida, o fardo virou meu cocar. Também sou essa pedra, nas múltiplas identidades. Se eu fosse um prédio, seria uma construção abandonada  servindo de abrigo aos refugiados da nossa civilização. Sisífa: todo dia essa civilização. E eu trazendo uma natureza natural, me repetindo? Não!

A mesma pedra é outra também no tempo. Num outro dia. O tempo nos salva. Eternamente, Sísifo repete a tarefa, ou melhor, seu castigo. E o que repito ainda pode ser escrito em uma palavra, "pedra".

Toda noite tem recomeço. No mundo dos sonhos, são novas lágrimas, novas alegrias. Sonho com pessoas que morreram e, então, elas aparecem vivas. Estão vivas. O sonho dormindo é tão real... Uma parte muito importante de nós existe dormindo. Sísifa na cama. Agradecida. Cansada, extremamente cansada. Meio mulher, meio montanha.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

memória

Por Ana Paula Perissé




deixa ficar
restos. ´sós. de uma vida súbita.
deixa atrás
de vidas, o desejo
que não se fez. ou os sonhos
que morreram
quando a noite cerrou sua
fronte oculta. à soleira da porta
de madeira escura
que envelhece. sem que a vejas.
cerre-se ____ pois parte de mim
já se desligou
do impulso
jamais tão latente_ ou ainda
da vida que se
desvaneceu. em pétalas
amarelas
.
adubo senil.

domingo, 13 de dezembro de 2020

Ossos e sangue

Por Oswaldo Antônio Begiato




Para que servem
os sonhos que sempre tive,
se o tempo passou
e me petrificou?


Onde posso
encontrar carne e ossos,
se tudo agora
são pedras?


Como verter
das veias, sangue,
e revelar o pulsar do coração
se pertenço ao mundo mineral?


Como amar
se minhas perdas
fizeram de meus sentimentos
uma rua ladrilhada?

sábado, 12 de dezembro de 2020

Uma oitava acima

Por Meriam Lazaro





poeta sem tristeza
e da música sem solfejo,
inda que ensaiada,
não sai bela sonata.



bordar sem alinhavo,
cama sem aconchego,
inda que pura seda,
ao paraíso não leva.


MI
bemol da escalada,
mirada que faz tremer,
inda que em 40 graus,
vale a pena viver.



lar que ama muito,
nem sempre quer dizer,
inda que em lamento
jure dez vezes oito.


SOL
que me queiras Lua
para carinhos acender,
inda que te perdoe,
não há esquecer.



no horizonte findo
há ritos de despedida,
inda que em tal linha,
haja chegada e partida.


SI
não rima com solene,
porém pouco importa,
inda que não venhas
abro-te janelas e portas.



fundo do coração
ergo-te uma serenata,
inda que sem violão,
amor em leminiscata...

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Papel de presente

Por Mayanna Velame




Na chaminé de uma casa,
um homem robusto
(vestido de vermelho sangue)
foi encontrado morto,
embrulhado
no papel de presente.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Encontro das nossas almas

Por Nana Yamada




Quando nossos olhares
se encontrarem,
lembraremos
que já tínhamos
nos conhecido antes,
em nossos sonhos.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Pagando de gostoso

Por Fabio Ramos




cismou
que


receberá


200
pilas


(por um livro)


vai
ficar
querendo


pois esse preço ninguém
desembolsará


(...)


você ainda
repete
que


venderá


um
LP


merda


por
seiscentos e
vinte:


UM PREÇO SALGADO


não
lhe


assegura


que
alguém


certamente comprará


(...)


a
sua
prosa


de vendedor


é


(história de pescador)


e nesse
mar
de


FALSO BAIACU


não
existe


peixe nenhum