quarta-feira, 8 de julho de 2020

Engate a marcha

Por Fabio Ramos




nessa
via


de
mão
dupla


é proibido


dar
sinal


e tirar da reta


(...)


se não
quer


AVANÇAR


nem


a partida


(...)


se não
vai


acelerar


uma
dica:


(saia da pista)


senão
o carro


pega e atropela

terça-feira, 7 de julho de 2020

Tupi

Por Denise Fernandes




Quando eu era criança, uns oito anos de idade, quis escrever um poema. Sentei debaixo do ipê amarelo que havia na minha casa, com a máquina de escrever usada, que meu pai me havia dado, e esperei horas pela inspiração do tal poema. Achei que não ia acontecer. Depois de muito pensar, escrevi: "E um dia todas as mãos se uniram num único cantar".

Acho que esse foi o meu melhor poema até agora, o mais profundo e sintético. Nesse período, eu e minha turminha brincávamos de ser índios. Mais difícil que escrever um poema é resumir tudo que as comunidades indígenas representam para a humanidade. Elas não são o nosso passado. Elas são a raiz de toda a cultura humana. São os nossos ancestrais  independente do sangue e do genoma.

Outro dia, minha mãe disse que acha possível que tenhamos sangue indígena. É provável que sim. Mas como temos gene de pobre, a história de nossa família se perdeu. Como se perderam muitos parentes na luta do dia a dia: sem registros, sem heranças, sem casas imensas para a reunião de todos. Sem a latitude e a longitude de nossos territórios. Esquecidos de tudo, prosseguimos sendo familiares e sendo êxodo. Deixamos nossa tribo há tanto tempo, que a saudade é uma dor cega que faz chorar.

E nesse tempo em que já parei de procurar as respostas, ou as peças perdidas desse quebra-cabeça, encontrei minha tribo perdida. E ela dá cursos. Cursos diversos que ensinam sobre os ciclos, as plantas, o Deus eterno que tem nome indígena, as histórias que curam e ensinam a viver com mais coragem e sabedoria. A coordenada dos cursos e dos trabalhos maravilhosos que meus companheiros de fé realizam estão AQUI.

Vou fazer o próximo curso, nos dias 18 e 19 de julho, sobre ciclos femininos. Estendo o convite a todos. Vamos participar dessa grande tribo que alimenta nossa alma e espírito. Com sua força, conseguiremos a harmonia necessária para uma sintonia maior com nosso propósito. Não somos uma espécie. Somos uma única raça, com cabelos e peles de muitos tons. Temos muitas línguas, mas somos um único cantar.

segunda-feira, 6 de julho de 2020

ritmo de veias

Por Ana Paula Perissé




raro é o movimento labiríntico
quente de minhas veias
( escondidas, só pulsão íntima)


se são tocadas
é quase cerimônia. Pagã.


mas tem incêndio que se apaga
veloz. basta o gesto mundano
de redução da vida.


passo o batom vermelho
do crepúsculo
e encaro o silêncio
dos tempos
ainda
.
por se delinear
.
ritmo

domingo, 5 de julho de 2020

Aprendizado

Por Oswaldo Antônio Begiato




Foi caminhando
de mãos dadas
com você
que minhas mãos
aprenderam com as suas
a arte de semear.


Foi caminhando
os mesmos destinos
com você
que meus pés
aprenderam com os seus
a arte de chegar.


Foi caminhando
os mesmos impossíveis
com você
que meu coração
aprendeu com o seu
a arte de amar.


Para sempre.

sábado, 4 de julho de 2020

Por Meriam Lazaro




Eu e o violão
Um barquinho só
Cordas e canção
Sentimento em nó


Eu e a paixão
Numa nau sem mó
Velho coração
Perdido e tão só


Eu, a imensidão,
Remando um dó
Vaga estação
De uma onda só


Eu, Sol sem Verão,
Andorinha só
Pingo e solidão
No meu peito um nó

sexta-feira, 3 de julho de 2020

quinta-feira, 2 de julho de 2020

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Desvio de rota

Por Fabio Ramos




de
quem


no campo


de
visão


se detém


na
borda


o nevoeiro tratora


e não
sobra


um pedaço


pra
contar


(aquela história)


(...)


do
ângulo


QUE DETIDAMENTE


parou
pra


notar


os
danos


cansou a vista


(...)


e
fica em
paz


ao
ver


(os olhos)


da
bela


CHEIOS DE VIDA