domingo, 12 de fevereiro de 2017

Minha namorada

Por Oswaldo Antônio Begiato


Imagem: Richard S. Johnson


Repleto de flores
O alpendre guarda a mulher.
– Ó, meu doce amor!

sábado, 11 de fevereiro de 2017

O alfabeto dos pássaros

Por Meriam Lazaro




A proposta do livro me fez pensar que iria aprender sobre a experiência da adoção de crianças. Trata da história de uma menina chinesa, adotada por pais espanhóis, que tenta entender suas origens. É uma menina revoltada, perguntadeira e "chatinha". Não consegui ter empatia por ela em nenhum momento. Tem uma irmãzinha chinesa, também adotada, que é um amorzinho. A "chatinha" quer porque quer voltar à barriga de origem e se magoa com tudo, tem pesadelos, não deixa ninguém dormir (nem em casa e nem na vizinhança). A história se arrasta por 285 páginas e muitos bocejos. Tem ilustrações e capa bonitas. Dá o que pensar sobre o tema, mas não é um livro que eu recomende como distopia. Nesse sentido, melhor (re)ler "Alice...".


Livro: O alfabeto do pássaros
Autora: Nuria Barrios
Editora: Cosac Naify

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Gigante de pedras

Por Mayanna Velame




Diante de ti,
Somos minúsculos.
Como grãos de terra,
Tufos de capim.


És imponente,
Soberana.
Protege os homens
E seus Inconfidentes.


És cândida,
Mas tu aninhas
Em teus braços,
Todos e Todas.


Gigante de pedras
que abraça as ruas
centenárias.


Abençoa a cidade de Tiradentes
Sempre imergida em fé.
Declamamos esses versos a ti,
Serra de São José!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

O que é bonito

Por Daniella Caruso Gandra




Distancia-se de qualquer arquétipo
o belo, o singular, por espelhar a si mesmo,
em simplicidade, a diferenciar-se.


Pode ser um olhar arrojado que tudo diz,
um gesto sincero de quem nada quer,
um pedido de efeito sem ter uma causa...


O bonito é tocante, traz certo requinte,
seja na postura, seja no ruído,
é sempre peça com ares de casa.


É o bonito.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Causa da alergia

Por Fabio Ramos





ninho
de marimbondo
na copa
da
árvore


(vez ou outra)


uma
rasante


(...)


sem
esquecer do
zumbido característico


QUE LEMBRA
esses
cabos
de transmissão
elétrica


(...)


só em
mencionar o fato


lhe
uma coceira

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

nua

Por Ana Paula Perissé




                                           deixaram-me nua
                                           com marcas
                                           de pairagens
                                           das pedras toscas
                                           em fuga


                                           (meu canto é declínio)


                                           é meu
                                           o quê me sobra
                                           de rastros e de poeira
                                           das pedras portuguesas
                                           esquartejadas
                                           por demolições de alma
                                           em arestas ínfimas
                                           íntimas
                                           mas não tantas


                                           esconderijos
                                           de medrosos amanheceres

domingo, 5 de fevereiro de 2017

sábado, 4 de fevereiro de 2017

O ano da leitura mágica

Por Meriam Lazaro




Biográfico. No livro, Nina relata como fez para enfrentar o luto após três anos da morte de sua irmã. Com o apoio do marido e dos filhos, dedicou-se a ler um livro por dia durante um ano e postar resenhas num site. Há citações de frases dos livros, "resentários" de poucos deles e, no final, a lista com títulos e autores. Ao efeito da leitura, a autora entremeia passagens de memórias e projeções suas, de seus familiares, amigos e antigos namorados. Escrita apaixonada de uma leitora, apresenta diversas questões desse mundo mágico e seus personagens tão palpáveis como as pessoas do cotidiano.


Destaco a questão da delicadeza que devemos ter ao comentar sobre um livro (que não gostamos) e que nos foi ofertado por alguém (que o adorou). A falta de delicadeza pode melindrar quem o ofertou, como quem ofereceu parte de sua alma e, assim, se vê pessoalmente ofendido por nossas palavras. Naturalmente, isso me fez pensar o quanto quem oferta o livro pode ser também generoso deixando em aberto a possibilidade de quem o receba não gostar ou gostar sem o mesmo entusiasmo.


Palavras de Nina:
"Somos aquilo que gostamos de ler e quando admitimos que adoramos um livro, admitimos que este livro representa verdadeiramente algum aspecto do nosso ser, seja o fato de sermos loucos por romance, ou por aventura, ou secretamente fascinados por crimes".


"Estou submersa, nadando com os escritores de todos os livros que estou lendo e sugando o oxigênio das palavras".


"O perdão é uma forma elevada de aceitação, um reconhecimento de que a vida não é justa".


Citação de Nina:
"Precisamos de livros que nos afetem como um desastre, que nos deixem profundamente tristes como se alguém tivesse morrido, alguém que amássemos mais do que a nós mesmos, como se nos perdêssemos de todos numa floresta, como um suicídio. Um livro tem que ser uma rachadura no oceano congelado que temos dentro de nós" (Franz Kafka, Carta para Oskar Pollak, 27 de janeiro de 1904).


Livro: O Ano da Leitura Mágica
Autora: Nina Sankovitch
Editora: Casa da Palavra / Leya