sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Paz e Guerra

Por Mayanna Velame




Pincelo um Sol opaco,
Rabisco nuvens...
Finjo ser poema.


Namoro aviões,
Engano o destino,
Descabelo a tristeza
E atiço a alegria.


Desenho gramas,
Escondo-me em serras,
Subo montanhas.


Do teu amor,
Encontro um pouco de paz,
Em minha própria e solitária
Guerra.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Acredita?

Por Daniella Caruso Gandra




O que há de tão assolador no incrédulo?
Será a sua maestria em destruir preceitos, protótipos, convicções, augúrios?
Nem a ciência se autodefine incrédula,
quando muito se atém a explicações,
não se diz empírica, porque para as coisas compreender, não há de vivê-las.
Mas o descrente de tudo também não se encontra em um estado estratificado,
pois com sua liberdade é leal.
Sem a mesquinhez dos alicerces intangíveis
que a pobres de espírito abastecem.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Duas

Por Fabio Ramos
 
 
 
 
outra orquídea?
pois sim


pra
que
tanto espaço?


se colocas
no sol


(ela queima)


se
regares
com exagero


(ela)
(afoga)


sendo
correspondida
a floração
é mãe


ELA


(substantivo feminino)


brilho nos olhos
de doninha

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

ilhas visceradas

Por Ana Paula Perissé




                                        sei de teu silêncio
                                        cúmplice
                                        como nódoas
                                        em luz assoberbada



                                        (dendróbios em plena voz¨
                                        voo.)



                                        sei de teu piscar
                                        soberano
                                        como vísceras
                                        de porte assombroso¨
                                        delírios
                                        em vertigens`quase cópias
                                        ilegíveis
                                        de tuas ilhas
                                        .
                                        .
                                        .
                                        visceradas



                                        sim, eu sei
                                        que há erupções de porte
                                        límpido
                                        águas rezando
                                        para caber no impossível
                                        de ti.



                                        sim, eu quase nada
                                        .
                                        .
                                        .
                                        pele`2

sábado, 13 de agosto de 2016

Uma pergunta e uma resposta

Por Meriam Lazaro




“Se você acordasse dentro do cenário do último livro que você leu, onde você estaria?”


Pela Paris de 1921 a 1925, seguindo os passos e ouvindo as memórias de Hemingway (Hem, para os amigos ou, Tati, para a primeira esposa); a tomar um bom café na Place Saint Michel ou – maravilha das maravilhas! – alugando, sem dinheiro, livros da Shakespeare and Company.


Assim responderia à pergunta acima, encontrada no grupo fechado da TAG – Experiências Literárias –, atribuído à Livraria Cultura. Com isto, também, preencheria a lista de 15 escritores que me influenciaram com mais um nome; atendendo a solicitação de amigos no Facebook. Aos 13 anos de idade, causou-me profunda impressão a depressão do personagem de “As Ilhas da Corrente” que, logo mais, eu descobri ser um alter ego do autor, e de seu fim trágico.


Voltando à Paris de Hemingway, acompanharia o escritor em suas visitas a Gertrude Stein, na Rue de Fleurus, 27. E ouviria suas conversas com outros tantos autores, inclusive Scott Fitzgerald, com quem faria uma viagem muito estranha a Lyon.


Pode existir algo melhor que conhecer a livraria Shakespeare and Company, ouvir diálogos (sobre coisas triviais) de renomados escritores, entre o período de duas grandes guerras, e conhecer F. Puss – o gato que servia de ama-seca a Bumby, filho pequeno de Hemingway? Sim, no meu entender, sim! Conhecer, um pouco melhor, seu processo criativo; que é relatado em quase todas as crônicas do livro.


Em suma, se eu estivesse no meio de um sonho assim, preferiria não acordar. E você, em que lugar estaria se acordasse dentro do cenário do último livro lido?


Livro: Paris é uma festa
Autor: Ernest Hemingway
Editora: Bertrand Brasil

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Nome composto

Por Fabio Ramos
 
 
 
 
mirou
em
Carlos Augusto
mas
acertou
em José Ricardo


André Luis
tentou


(com todas as forças)


pensar
em
outra coisa


mas
viu
Ana Rafaela
morder o cachorro


MEU DEUS!
(...)


fala pra
Maria Eduarda
que sua
mãe
está chamando