domingo, 31 de maio de 2020

Disparo

Por Oswaldo Antônio Begiato




Tu negaste
fogo.


No tambor
do meu coração
tenho ainda
duas balas;
uma de prata
outra de mel.


Não é possível
que elas
me negarão
também.

sábado, 30 de maio de 2020

Desenho antigo

Por Meriam Lazaro




Há um desenho que revela
A cor da água-de-cheiro.
No jardim, abre a cancela,
Morena de andar ligeiro.


Sorridente, a moça bela,
Cheira à flor do jasmineiro,
Que cresce em frente à janela,
Reflorindo o ano inteiro.


Vestindo a saia amarela,
De corte leve e brejeiro,
Como se fosse a Cinderela
Valsando ao amor primeiro.


Refletindo a luz da tela,
À espera do carteiro,
Que ao chegar a casa dela
Faz seu olhar prisioneiro.

quinta-feira, 28 de maio de 2020

quarta-feira, 27 de maio de 2020

Vilania

Por Fabio Ramos




que
o fruto


permaneça no


até


amadurecer


(...)


e a
flor


prossiga


na
terra


criando raiz


(...)


e
que
ninguém


se
meta


no curso da natureza


(...)


que
devastar


é o consolo do impotente

terça-feira, 26 de maio de 2020

Fernando

Por Denise Fernandes





meu amor está na espuma do mar

nadando no rio com as crianças

dançando nu e bêbado para mim



meu amor está triste e feliz

arriscando a vida sem medo

me consolando de tudo



meu amor está dentro de mim

como sangue seiva desejo

pássaro orquídea solidão



meu amor está puro livre

aberto estrela do mar concha

amplitude sexo e paixão



meu amor está salvo

porque é amor loucura sol

eternidade paz e perdão

segunda-feira, 25 de maio de 2020

clausura 2

Por Ana Paula Perissé




a palavra desenraizada de chão
cresce ao labor de dobraduras.


cobre o mundo
vira gozo
e se lambuza de gesto,
quando as paredes te ameaçam.


alicerçada na clausura imposta,
o vírus corrói
mas sobra oração.
.
invisível a inumanias.


( confinar o poema auto
imune
e proteger o grito.)

domingo, 24 de maio de 2020

A um poeta

Por Oswaldo Antônio Begiato




Olhe dentro desta cesta de vime
o tanto de palavras
que eu encontrei brotando por aí.


Prove-as.


Os poetas têm o direito
de experimentar
todas as palavras,
até mesmo as mais venenosas.