domingo, 22 de novembro de 2015

sábado, 21 de novembro de 2015

A Rendeira

Por Meriam Lazaro


Imagem: Jan Vermeer


 
Menina rendeira,
em bilros tece sonhos
de, com dedos longos, alcançar a Lua!
cruza o fio do tecido,
em agulhas feito peras,
desenhando vai, estrelas,
como a aranha lentamente tece a teia.
Em sua brandura,
aprendeu a tecer desde bem cedo
e mais flor de algodão fez
que, no campo, a semeadura...

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Mariana

Por Mayanna Velame


 
(Versos dedicados ao povo de Minas Gerais)

 
Das igrejas centenárias
os sinos badalam, tétricos.
É Mariana quem clama.
Entre as ruínas,
Entre o pó,
Entre a lama!

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Inseto voador

Por Fabio Ramos




no
café
mergulha


incomoda o
sono
do
bebê


em
busca
de alguma
narina
onde
possa entrar


bate
na
lâmpada


sem
distinguir


refeições
ou
lixeiras


e levanta voo


e pousa na
careca
do
vovô


e prossegue

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Sangue e sabedoria

Por Denise Fernandes




Estava falando com M. sobre menstruação, cólicas, tensão pré-menstrual. E rindo. Ele me disse: por que as mulheres adoram rir de suas desgraças? É porque elas são sábias, respondi prontamente. Ele deu uma sonora gargalhada.

Algumas amigas me sugeriram escrever uma crônica sobre depilação e depiladoras. Mas acordei ainda pensando em sangue. Quando os médicos quiseram tirar meu útero, eu disse, decidida: gosto de menstruar. Por que gosto? Não sei, talvez porque desejei. Porque havia na minha mãe – e nas outras mulheres – o cheiro que eu queria ter. Também porque o Mystério é vermelho, e parece sangue.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Alhures

Por Ana Paula Perissé




  
                                  a voz amarga dos violinos
                                  embala o segredo
                                  que te inquieta a vigília
                                  e mesmo a paixão
                                  mais explícita
                                  não te alcançará
                                  em alma recolhida
                                  e nem mesmo os beijos
                                  em lábios fundidos
                                  anos de amor´ volúpias de alcova


                                  aos que desejam a chave do silêncio
                                  loucos se fazem
                                  pois coração que não vibra
                                  em compassos alhures
                                  morre sem alarde
                                  em sombra fronteiriça.

domingo, 15 de novembro de 2015

sábado, 14 de novembro de 2015

Canção de inverno

Por Meriam Lazaro




Acorda manhã,
Que é noite lá fora!
Dá corda ao relógio
Pra voltar no tempo
E aos sonhos de outrora.
Desperta a menina
Na velha senhora,
Que os anos não são nada...
É do dia o sentido
No vivo retrato de ontem e agora.