quarta-feira, 21 de maio de 2014

FALA QUE EU REPITO

Por Fabio Ramos
 
 


vai
ter copa
sim
 

Lula é deus
 

tem que regular
a mídia
 

tem
que aprovar o
marco civil
da
internet
 

Globo + Veja = PIG
 

comunismo
não
existe
 

o mensalão
não
existiu
 

a
inflação
está
sob controle
 

não há crise
na
Petrobras
 

o assassinato do
Celso Daniel
foi
crime comum
 

as FARC não
integram o Foro
de SP
 

América Latina
vai ser
toda
socialista
 

terça-feira, 20 de maio de 2014

Gelo

Por Denise Fernandes
 
 
 

bolinhas de gelo me fazendo sentir criança;
porque é tão bom andar no gelo, escorregar, quase cair?
que limite gostoso, branco e transparente de amor.
Não estamos velhos, estamos passados
enquanto conversamos sobre os últimos trinta e três anos;
na neblina do gelo somos mais felizes,
porque é sempre verão quando se quer.
 

Há quem pense no apocalipse,
enquanto outros se dedicam ao carnaval.
Há quem fique só com dinheiro,
outros agarrados a sua própria fé,
Nesse labirinto não nos perdemos,
mas não que eu saiba como.
E é por isso que todo esse gelo me lembra
todo o caminho que trilhei
e as gaivotas,
que ainda voam no mesmo lugar.


segunda-feira, 19 de maio de 2014

mulher de pedra

Por Ana Paula Perissé
 
 
Teresópolis, Rio de Janeiro


                                         névoa cedo
                                         desfigura-se assim
                                         em paleta pálida de rubro
                                         ermo.

                                         vestida cedo
                                         madruga sóis
                                         em cores essenciais:

                                         e como se fosse algo de terra
                                         cedo
                                         liquefeita,
                                         refaz em borbulhas
                                         o róseo da mulher imaterial
                                         que deixou.

                                         altitude densa por entre
                                         heras
                                         despenca amanheceres
                                         imóvel sem enigma
                                         porque explícita

                                         (deitada e nua
                                         sem libido
                                         de céu,

                                         ainda cedo)

 

domingo, 18 de maio de 2014

Na Nave

Por Oswaldo Antônio Begiato
 
 


Na nave da igreja velha
Às nove horas em ponto
A neve desce pontual.
O noivo, cheio de laços,
De novo, com fé promete,
À noiva cheia de credo
Não lhe ser fiel na vida.
 
Feito isso foram felizes
Até que a morte os separou.
 

sábado, 17 de maio de 2014

Prazer em reler

Por Meriam Lazaro
 
 
 

Steve Jobs, fundador da empresa de informática Apple, relia todos os anos o legado espiritual de um guru indiano: a Autobiografia de um Iogue. Reler é como ler um novo livro. Talvez sejam nossos olhos que ora absorvem a cada piscadela o espaço entre as palavras. Ou quem sabe, diante do próprio talento para a solidão nos embevecemos com o amigo mais constante que todos os outros. Afinal, podemos nos enraivecer com pontos de vista, nos identificarmos com os sentimentos do protagonista, viajar no tempo e no espaço no conforto da poltrona, tudo isto sem afetar a relação.


Dizem que o Brasil é um país pobre em leitura. Pelo menos, em relação à farmácias, a pequena quantidade de livrarias que há na cidade levam a crer nisto. Por sua vez, a explosão do mercado editorial parece desmentir. O comércio de livros sobrevive em meio ao consumo exagerado das novidades para o entretenimento. Nas bancas, além de revistas coloridas vendem livros de bolso, que já foram campeões de vendas em tamanho maior e agora podem ser lidos com lupa. Povo que não lê textos em tamanho confortável para a visão fará questão de ler livros com letras tamanho-rodapé? Vão todos parar nos sebos! Nunca entendi o gosto por livros com cheiro de mofo. Mas isto acabou, nos sebos podem ser encontrados livros nunca, nunca folheados.


Quando o livro é muito bom o leitor necessita de intervalo maior para começar nova leitura, do contrário o próximo livro será abandonado para sempre sem remorso. Quem não experimentou a sensação de nostalgia pela proximidade da última página?! Assim foi comigo em: O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger, A Solidão dos Números Primos, de Paolo Giordano, Memórias Sonhos e Reflexões, de Carl Gustav Jung. Estes são alguns dos objetos de minha releitura, hábito que adquiri na infância, quando livros eram de difícil acesso. Agradeço por não termos televisão, o que me levou a reler infinitamente: O Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos, Éramos Seis, de Maria José Dupré, entre outros.


Mas, diante de tanta oferta, a pilha dos novos aumentando na prateleira, por que perder tempo com releitura? Somos tão ávidos por números que agora só importa viver mais! Chegar aos cem anos e pelo caminho recitar a estatística de nossas leituras e outros feitos. Em tempos de internet, o prazer da leitura vai ficando cada vez mais distante. O tal minimalismo permite escrita e leitura afobadas, desde que o resultado seja minúsculo. No Facebook, ler é um mal desnecessário. O negócio é curtir e curtir a curtiçãoFica a pergunta: que livro você releria todos os anos?
 

sexta-feira, 16 de maio de 2014

A Partida

Por Mayanna Velame
 
 


Eu não quero ver você partir.
Meu coração está em sua alma,
mas meus olhos longe de ti.
 

Eu não quero ver você partir.
Sei que meus sonhos te perseguem,
mas da tua partida desejo fugir.
 

Eu não quero ver você partir.
Seus lábios e seus beijos, não irei mais sentir! 



Eu não queria ver sua partida,
porque meus anseios, perturbações e medos,
Deixarei para sempre em sua vida...


quinta-feira, 15 de maio de 2014

Dona da Saudade

Por André Vianna
 
 
 
Ela tem olhos de mar aberto
Profundidade que não se mensura


Herdou dos Deuses, em seus lábios,
O além da eternidade, o infinito

 
A alma é trajada de lua
E ornada por mistérios

 
Ela é como um avatar celeste
Consignado a mim sem explicação

 
Tantas das minhas vidas irão passar
Antes que eu possa traduzi-la  



Nasci no Rio de Janeiro em 1978. Publiquei em diversas antologias poéticas e também tenho um livro de contos - Sobre o Natural e o Sobrenatural - lançado pela Editora Multifoco.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Vem Cá

Por Fabio Ramos
 
 


PELA MANHà

deixa o tio
ver 

tem
martelo
? 

tem
pregos
? 

então 

prego no chinelo
vai resolver 

* 

PELA TARDE 

deixa o tio
ver 

tem
band-aid
? 

tem
mertiolate
? 

então 

curativo no dodói
vai resolver