terça-feira, 30 de abril de 2019
segunda-feira, 29 de abril de 2019
alhures
Por Ana Paula Perissé
a voz amarga dos violinos
embala o segredo
que te inquieta a vigília
e mesmo a paixão
mais explícita
não te alcançará
em alma recolhida
e nem mesmo os beijos
em lábios fundidos
anos de amor´ volúpias de alcova
aos que desejam a chave do silêncio
loucos se fazem
pois coração que não vibra
em compassos alhures
morre sem alarde
em sombra fronteiriça.
embala o segredo
que te inquieta a vigília
e mesmo a paixão
mais explícita
não te alcançará
em alma recolhida
e nem mesmo os beijos
em lábios fundidos
anos de amor´ volúpias de alcova
aos que desejam a chave do silêncio
loucos se fazem
pois coração que não vibra
em compassos alhures
morre sem alarde
em sombra fronteiriça.
domingo, 28 de abril de 2019
Ateliê
Por Oswaldo Antônio Begiato
Toda poesia é igualmente
nua.
Os poetas é que a vestem
com trajes diferentes.
Às vezes com alta costura,
outras com vestido de chita.
Uns a cobrem com fantasia
outros com paramentos.
Já vi poesia desfilando pela passarela
com roupas transparentes.
Mas há poetas delicados
que as deixam nua;
esses são os que têm os olhos mais puros.
sábado, 27 de abril de 2019
Banalidade
Por Meriam Lazaro
Meu umbigo gira mundo,
Dá a volta e volta igual
Tão da física, profundo,
E eu em volta do tal.
Dá a volta e volta igual
Tão da física, profundo,
E eu em volta do tal.
Foi meu contato primeiro,
Primeiro corte abissal,
Tesoura nova, parteira,
Cravada no bananal.
Primeiro corte abissal,
Tesoura nova, parteira,
Cravada no bananal.
Se me calo ou fico mudo,
Uso enfeite absurdo,
Palavra, pra ficar mal.
Uso enfeite absurdo,
Palavra, pra ficar mal.
Seja de qualquer maneira,
Abandoná-lo é besteira.
Qualquer saída é banal.
Abandoná-lo é besteira.
Qualquer saída é banal.
sexta-feira, 26 de abril de 2019
Grãos de areia
Por Mayanna Velame
Abro a janela da sala. Há uma chuva fina e tímida lá fora, caindo sobre a cidade cinza. Muretas cercam o jardim de poucas flores. A terra é tentação para o meu tato. Queria poder tocá-la, senti-la, perceber o solo encharcado; entregue à força da água. Prevejo apenas seres microscópicos que ali devem habitar. São minúsculos, descurados por todos. No entanto, eles vivem – e, de alguma forma, contribuem com algo.
Quanto a mim, abstenho-me de saber. Sou meramente conduzida pelo absurdo da existência (nesse mundo que contrapõe obras ínfimas e colossais). Nas miudezas da vida, podemos encontrar a essência do ser.
Isso é determinado pela forma como abraçamos aquilo que nos convêm. Não sou macro nem micro, mas os entes menores também executam funções. E nós, com tantos erros e desatinos, aceleramos nossos passos. Admirada, eu me pergunto: para quê?
Lá fora, a chuva continua. O solo absorve gotículas d'água – bem como, outrora, já absorveu os raios de sol. Hoje, terra fresca. Ontem, terra bruta e seca. Da aridez, vejo brotar amores. Dizem que um dia voltaremos ao pó. De fato, os vermes ainda experimentarão o sabor da nossa carne.
Nos resta muito pouco. A dimensão terrena se entrelaça nisso: gigantes agora, pequenos amanhã. A matéria nos acolhe. O mesmo chão que tu pisas é onde repousarás na eternidade.
Sangramos diariamente e insistimos em permanecer vivos. Terra é vida, força e lugar. Enquanto o final não chega, buscamos a melhor colheita. A ilusão a tudo permeia. Adubo meu descontentamento, disseminando grãos de areia no universo.
Em cada fôlego, nós regeneramos (como partículas, átomos e células). Do menor, fazemos o maior. E nessa composição, com grandes aspirações, o nada amplia seu significado.
A janela da sala não está fechada. Pingos de chuva batizam essa crônica. De uma letra para uma sílaba, as palavras se formam. São mestras imponentes, que brotam em vidas aflitas. Afinal, como disse Cora Coralina, "coração é terra que ninguém vê".
quinta-feira, 25 de abril de 2019
A linha do pensar
Por Nana Yamada
Você traduz cada linha do meu pensar
Me decifra de olhos fechados
Mal posso dizer-te não
Quando realmente sabe o que é
Enquanto tento me descobrir
Você me acertou…
Me decifra de olhos fechados
Mal posso dizer-te não
Quando realmente sabe o que é
Enquanto tento me descobrir
Você me acertou…
quarta-feira, 24 de abril de 2019
Fabulando
Por Fabio Ramos
(quem desce)
a
ladeira
em câmera lenta?
(...)
o nome
do
moço é CAIO
de
cabeça
(no abismo sem fundo)
(...)
quem
pediu
uma ambulância?
(...)
e quem
não
apertou
o
PAUSE
do controle remoto?
(...)
rolou
até
aposta:
(em quantos pedaços)
ele vai
se
quebrar?
(...)
C
A
I
O
acorda
num leito de hospital
e pensa
na
vida:
(o que ele)
FAZ
ALI
e não no cemitério?
(...)
moral
da
história:
de
hoje
(em diante)
lhe
chamem
de AUGUSTO ou OLAVO
terça-feira, 23 de abril de 2019
Eterno
procurar a fonte
mesmo sabendo
que não é eterno
mesmo sabendo
que não é eterno
procurar a semente
ainda que o fruto
não é eterno
procurar esquecer
mesmo sabendo
que é eterno
essa passagem,
um abismo,
essa vertigem.
segunda-feira, 22 de abril de 2019
presença
Por Ana Paula Perissé
há algo vago
tão ausente,
tão demasiado presente
que preenche em nome
de 1´ falta
tormenta.
inominável
(alcunha bendita)
sem pistas
busco no mato, em terra
ou no canteiro de figos verdes
de qualquer infância.
o que me falta
darias pra mim?
o que não te assombras
darias pra mim?
( apenas um rastro azul de veias
em derme branca.)
.
.
.
presença
tão ausente,
tão demasiado presente
que preenche em nome
de 1´ falta
tormenta.
inominável
(alcunha bendita)
sem pistas
busco no mato, em terra
ou no canteiro de figos verdes
de qualquer infância.
o que me falta
darias pra mim?
o que não te assombras
darias pra mim?
( apenas um rastro azul de veias
em derme branca.)
.
.
.
presença
domingo, 21 de abril de 2019
Primeiro encanto
Por Oswaldo Antônio Begiato
Vai e vem no trilho,
Com gente pra trás... pra frente.
O trem e seu brilho!
sábado, 20 de abril de 2019
Sem saída
Por Meriam Lazaro
Gira o mundo
Roda viva
Giro eterno
Sem medida
Sopra o vento
No moinho
Pensamento
Nó de espinho
Fere a rosa
Procissão
Enganosa
Vinho e pão
Gira o tempo
Despedida
Sentimento
Sem saída
Roda viva
Giro eterno
Sem medida
Sopra o vento
No moinho
Pensamento
Nó de espinho
Fere a rosa
Procissão
Enganosa
Vinho e pão
Gira o tempo
Despedida
Sentimento
Sem saída
sexta-feira, 19 de abril de 2019
Feriado
Por Mayanna Velame
Traje de banho
sobre a cama.
O Sol malcriado
decide não despertar.
O feriado assim se prolonga...
Com chuva à vista
e decepção a longo prazo.
quinta-feira, 18 de abril de 2019
Palavras perdidas
Por Nana Yamada
São tantas poesias perdidas
No meio de tantas outras que ficaram
Algumas sem serem concluídas
Outras por falta de inspiração,
Muitas escritas espalhadas
Ficaram em lugares
Sem serem lembradas
Teve as que foram parar
Nas mãos de outras pessoas
Sem saber qual o destino
Foram palavras perdidas
Nas folhas carregadas
De sentimentos mais puros
Que eu poderia, então,
Ter sentido…
No meio de tantas outras que ficaram
Algumas sem serem concluídas
Outras por falta de inspiração,
Muitas escritas espalhadas
Ficaram em lugares
Sem serem lembradas
Teve as que foram parar
Nas mãos de outras pessoas
Sem saber qual o destino
Foram palavras perdidas
Nas folhas carregadas
De sentimentos mais puros
Que eu poderia, então,
Ter sentido…
quarta-feira, 17 de abril de 2019
Dobrar a esquina
Por Fabio Ramos
talvez
se
queira
(calçar o pé)
de
feijão
(...)
somar
os
cálculos renais
(...)
PEDIR
a
mão
dessa donzela
aos
pais
dela
(DE-CE-PA-DA)
(...)
e
então
(beber a água-viva)
antes
da
morte morrida
ou
da
ÁGUA-FURTADA
terça-feira, 16 de abril de 2019
Café
lavar as roupas
coar o café
em tudo um pouco de fé
coar o café
em tudo um pouco de fé
enquanto,
como disse a velha senhora,
"Cada um no seu canto,
chora seu pranto".
vai o dia
vem a noite
como um peixe
que me escapa das mãos
só coar o café
me refaz
no vinho do Islã,
a fé.
segunda-feira, 15 de abril de 2019
lacrima
Por Ana Paula Perissé
![]() |
Imagem: Salvador Dalí |
Lacrima
Suspiro
Olhar no oceano.
Brisa
Venta
Vastidão nossa.
Ilhas
Gérmen
Imensidão a dois
(ao mundo)
Sonhos
Cerrados
Álea para passagem
(nossa, nocturnal us)
Pele intocada na minha
Alma entranhada em duo.
(falésia interrompida)
Suspiro
Olhar no oceano.
Brisa
Venta
Vastidão nossa.
Ilhas
Gérmen
Imensidão a dois
(ao mundo)
Sonhos
Cerrados
Álea para passagem
(nossa, nocturnal us)
Pele intocada na minha
Alma entranhada em duo.
(falésia interrompida)
domingo, 14 de abril de 2019
Eu
Por Oswaldo Antônio Begiato
Tenho vícios redibitórios.
Nem tente me comprar,
Vai precisar devolver.
Meu coração é muito medroso.
O que minha alma tem de coragem
Meu coração tem de covardia.
Ah, se eu pudesse dividir os vícios que tenho!
Mas estou velho demais para divisões.
Melhor procurar outra mercadoria.
sábado, 13 de abril de 2019
Contradição
Por Meriam Lazaro
Que sentimento é este
que do futuro roubado
atropela o presente
com mágoa pra todo lado?
Faz sofrer réu e inocente,
contravenção e brocardo,
dor que é infinitamente
nostalgia sem passado.
Num dia está dormente,
no outro estimulado,
ouve a voz que impunemente
faz viajar ao passado.
Contradição desta gente
de sonho desajustado...
Querer a paz e de repente
ter o sangue derramado.
que do futuro roubado
atropela o presente
com mágoa pra todo lado?
Faz sofrer réu e inocente,
contravenção e brocardo,
dor que é infinitamente
nostalgia sem passado.
Num dia está dormente,
no outro estimulado,
ouve a voz que impunemente
faz viajar ao passado.
Contradição desta gente
de sonho desajustado...
Querer a paz e de repente
ter o sangue derramado.
sexta-feira, 12 de abril de 2019
A bailarina
Por Mayanna Velame
(Para Mayara)
Dos passos
de uma bailarina,
ela aprendeu
que a delicadeza
é um princípio de força.
quinta-feira, 11 de abril de 2019
E assim
Por Nana Yamada
Mal sei de onde vem
Mas não me importo com isso
Muitos não entenderão
O quanto me fez perceber
Que as coisas podem ser
Realmente mais simples
Tudo que vem me dizendo
Só está me ensinando
Tudo aquilo que eu
Já tinha desacreditado
Você apareceu mais rápido
Que meus pensamentos
Já era tão tarde quando
Parei para analisar
Tudo aquilo
Que já tinha acontecido
Você passou por mim
E assim ficou…
Mas não me importo com isso
Muitos não entenderão
O quanto me fez perceber
Que as coisas podem ser
Realmente mais simples
Tudo que vem me dizendo
Só está me ensinando
Tudo aquilo que eu
Já tinha desacreditado
Você apareceu mais rápido
Que meus pensamentos
Já era tão tarde quando
Parei para analisar
Tudo aquilo
Que já tinha acontecido
Você passou por mim
E assim ficou…
quarta-feira, 10 de abril de 2019
Falsa demente
Por Fabio Ramos
na dúvida
entre
soltar os bichos
por
soltar
(ou esquecer de vez)
a escolha
Selma
fez
(...)
da
razão
EXTRAPOLA
se
não
recebe
(compreensão)
(...)
é
sua
vontade
nenhum sentido fazer
dar
um
RUGIDO
(quando vieres reclamar)
(...)
sim
HAVERÁ
os
que
DIRÃO:
(LÁ VAI A LOUCA)
(...)
e
ela
NEM AÍ
para
quem
(LHE APONTAR)
terça-feira, 9 de abril de 2019
Chuva
lágrima de chuva
sobre o medo da cidade
saudade
a lareira acesa
a mesa posta
canjica pé-de-moleque
tempo em que nossa mãe
era simples
sobre o medo da cidade
saudade
a lareira acesa
a mesa posta
canjica pé-de-moleque
tempo em que nossa mãe
era simples
a política destruiu a todos
sem nome
velamos a nós mesmos
de outros tempos.